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Coreia do Norte não atende ligações do Sul há 18 meses

Ministério de Unificação, órgão de Seul responsável por aprimorar a relação entre os dois países, mantém ritual diário na busca por contato com Pyongyang

Todos os dias, o governo sul-coreano envia oficiais ao vilarejo de Panmunjon, na fronteira com a Coreia do Norte. De lá, eles ligam, sempre às 9h e às 16, para os vizinhos do norte. Contudo, segundo o Ministério de Unificação, responsável por aprimorar a relação entre os países, há 18 meses os oficiais do regime de Pyongyang não respondem às chamadas.

“Os dois lados precisam cooperar, mas a Coreia do Norte não corresponde”, disse o porta-voz do ministério, Baik Tae-hyun à agência de notícias Associated Press. Ele se mostra otimista quanto uma futura retomada de relação com o regime vizinho: “As coisas não vão ser assim para sempre. Houve momentos no passado que levou bastante tempo, um, dois anos, até que as relações se normalizassem após períodos de animosidade”.

Em julho, o Ministério de Unificação enviou uma proposta à Coreia do Norte para a retomada do diálogo entre as forças militares dos dois países e sobre a ação da Cruz Vermelha na península, mas a ideia foi ignorada por Pyongyang. Com o acirramento da crise na península, causada pela expansão dos programas balístico e nuclear de Kim Jong-un, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, anunciou logo após o sexto teste nuclear do vizinho do norte, o mais poderoso até então, que o diálogo nas atuais circunstâncias é “impossível”.

O Ministério de Unificação tem suas origens no Conselho Nacional de Unificação, criado em 1969 pelo governo de Seul. O papel do órgão, que exercia funções de pesquisa, ganhou novo peso após as eleições de Roh Tae-woo em 1987, que deu fim ao período de governo militar no país. O presidente foi responsável por elevar o departamento ao status de ministério e, em 1991, conduziu pela primeira vez na história um encontro entre os líderes do norte e do sul.

Jeong Se-hyun, ex-ministro da Unificação durante os governos liberais da Coreia do Sul entre 1998 e 2008, ressaltou à AP a  importância do diálogo, opção que não pode ser abandonada. “O ministério deve continuar insistindo com as ligações a partir de Panmunjon”, ele analisa. “A situação pode mudar rapidamente e a Coreia do Norte pode sentir a necessidade do diálogo. Quando eles responderem, é provável que queiram lidar com os Estados Unidos primeiro, mas as conversas com Washington não vão funcionar sem o envolvimento de Seul”, disse.