Coreia do Norte liberta um dos três americanos presos

Jeffrey Fowle, de 56 anos, foi preso depois de deixar uma Bíblia em uma boate. Kenneth Bae e Matthew Miller foram condenados a trabalhos forçados

Um dos três prisioneiros americanos mantidos na Coreia do Norte foi libertado e está a caminho dos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado, Jeffrey Fowle, de 56 anos, embarcou uma aeronave militar e voou para a ilha de Guam, um território americano no Oceano Pacífico. Fowle, que entrou no país com um visto de turista, estava preso há seis meses por deixar uma Bíblia em uma boate na cidade portuária de Chongjin, no norte do país – há também versões de que a Bíblia teria sido deixada no hotel em que ele estava hospedado. O ato foi visto como “hostil”, em um país onde o proselitismo é proibido e a religião é vista como uma ameaça ao regime autoritário.

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Ainda não houve uma manifestação oficial da Coreia do Norte sobre a libertação e as condições para que ela ocorresse não foram esclarecidas. Segundo a agência de notícias Associated Press, Fowle é casado com uma russa que fez um apelo por escrito em nome do marido ao presidente Vladimir Putin. Washington tentou enviar um representante a Pyongyang para tentar libertar os americanos, mas a visita foi negada, de acordo com o enviado especial para questões de direitos humanos, Robert King. Ele afirmou no mês passado que o governo americano não cederia a tentativas de “extorsão” política por meio das prisões.

Outros presos – A Casa Branca comemorou a liberação de Fowle, mas pressionou Pyongyang a libertar também os outros americanos presos. “Continuamos focados na detenção de Kenneth Bae e Matthew Miller e pedimos mais uma vez que a Coreia do Norte os libere imediatamente”, disse o porta-voz Josh Earnest. A porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf assegurou que os Estados Unidos “continuarão trabalhando ativamente em seus casos”.

O missionário Kenneth Bae, acusado de subversão e atividades religiosas com o objetivo de enfraquecer o regime, foi condenado no ano passado a quinze anos de trabalhos forçados. O outro preso é o jovem Matthew Miller, de 24 anos, condenado a seis anos de trabalhos forçados por tentativa de espionagem. Ele foi preso depois de rasgar o seu passaporte no aeroporto e pedir asilo às autoridades norte-coreanas. À CNN, Miller declarou que sua situação era “muito urgente”.

Em setembro, Fowle disse à rede CNN que “não tinha reclamações” com relação ao tratamento recebido na prisão. “Está sendo muito bom até o momento. E eu espero e rezo para que continue assim, mesmo que eu tenha que passar mais dois dias ou duas décadas aqui”, declarou. Autoridades norte-coreanas monitoraram a entrevista do prisioneiro e impediram a equipe da CNN de visitar as dependências onde o americano era mantido. O país tem um conhecido histórico de obrigar seus condenados a confessar crimes.

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A família de Fowle chegou a divulgar “desculpas sinceras” públicas em nome do americano, por qualquer ofensa que ele tivesse cometido, informou o New York Times. Ainda prisioneiro, ele disse que estava “desesperado” para voltar para sua família.