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Condenação de guru indiano por estupro provoca 28 mortes

Protestos de seguidores de Rajim Singh contra o veredito acabaram em violentos confrontos com a polícia

Gurmeet Ram Rajim Singh

Um tribunal da Índia condenou nesta sexta-feira o guru Gurmeet Ram Rajim Singh, que tem milhares de seguidores no país, pelo estupro de duas mulheres. O veredicto gerou protestos violentos que deixaram 28 mortos e mais de 250 feridos. O Hospital Civil de Panchkula, cidade ao norte da Índia onde aconteceu o julgamento, reportou 17 mortes, segundo o médico e diretor geral do hospital, V.K. Bansal. Além disso, fontes médicas de outros dois postos de saúde em Panchkula e na cidade vizinha de Chandigarh confirmaram à agência local PTI a morte de outras 11 pessoas.

A polícia havia desdobrado 50.000 agentes em Panchkula e Sirsa, sede da organização liderada por Singh. Os administradores das cidades temiam que um veredicto de culpado pudesse gerar violência, já que milhares de seguidores do guru que estavam acampados à espera do resultado. Mais cem mil de pessoas se reuniram em Pachkula para esperar o julgamento.

Além dos confrontos com as forças de segurança, que usou jatos d’água e gás lacrimogênio para tentar dispersar a multidão, supostos seguidores do guru perpetraram atos de vandalismo e provocaram incêndios nas duas cidades e em Nova Délhi.

Também houve episódios de violência em Estados vizinhos, em Haryana e no Punjab, disse a polícia. Estações ferroviárias nas cidades de Malout e Balluana estavam em chamas e dois vagões de um trem vazio parado na estação Anand Vihar, em Nova Délhi, também foram incendiados.  A rede de ferrovias informou em sua conta do Twitter que 236 trens foram afetados devido à situação na região.

Os manifestantes atearam fogo também a prédios do governo e atacaram policiais e jornalistas de televisão, destruindo os vidros de vans da imprensa e quebrando equipamento de transmissão. Um toque de recolher foi imposto em pelo menos quatro distritos do Punjab, disse Amrinder Singh, uma autoridade estadual.

 

Julgamento

O tribunal especial anunciou o veredicto de culpado após ouvir os argumentos finais no caso contra Singh, que se arrastava havia quinze anos. O guru, autointitulado “santo doutor”, foi acusado pela primeira vez em 2002, quando uma de suas supostas seguidoras enviou uma carta anônima ao então premiê da Índia, Atal Bihari Vajpayee, afirmando ter sido estuprada, bem como outras devotas. O julgamento começou finalmente em 2008, quando duas mulheres decidiram testemunhar contra ele.

O Guru, que negou a culpa pelos estupros, foi também acusado, em 2015, de incentivar 400 de seus discípulos a se castrar para ficar mais próximo dos deuses. Além disso, foi processado em uma investigação do assassinato de um jornalista em 2002.

Ram Rahim Singh foi detido e ficará recolhido em uma cidade próxima, em Rohtak, no Estado de Haryana, até a audiência no dia 28 em que ele será sentenciado, segundo o promotor H.P.S. Verma.

Milícias armadas

A seita do guru é a Dera Sacha Sauda, que diz ter cerca de 50 milhões de seguidores, defende o vegetarianismo e é contra qualquer vício em drogas. Ela também se envolve em questões sociais, como a organização de casamentos para os casais mais pobres. Esse tipo de seita tem grande apelo popular na Índia e não é incomum que líderes delas tenham pequenas milícias privadas, fortemente armadas, para sua proteção. Quando o guru deixou sua comunidade em Sirsa no início da manhã para a audiência, foi acompanhado por um comboio de cem veículos.

(com agências internacionais)

 

Comentários

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  1. Até na Índia tem justiça contra charlatanismo e no Brasil nada.

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