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Combates são retomados no leste da Ucrânia e Moscou fala em ‘derramamento de sangue’

Governo ucraniano afirma que retomou posto de fronteira; quatro pessoas morreram em ataque a ônibus

O governo ucraniano retomou nesta terça-feira as operações militares contra os separatistas pró-Rússia no leste do país, marcando o fim de um período de dez dias de trégua. O presidente Petro Poroshenko afirmou que não renovaria o cessar-fogo e, em vez disso, levaria adiante a ofensiva para livrar seu país de “parasitas”. “Acabar com o cessar-fogo é nossa resposta aos terroristas, insurgentes, saqueadores, e àqueles que impedem que o nosso povo leve uma vida normal”. Ele parabenizou soldados e guardas de fronteira por já terem conquistado uma “primeira vitória” ao retomar o posto de fronteira de Dolzhanskyi, ocupado por separatistas na região de Lugansk. O controle da fronteira é um dos objetivos de Kiev, que quer impedir a entrada de homens e equipamentos vindos da Rússia nas zonas rebeldes.

De acordo com testemunhas, outros combates estão sendo travados 30 quilômetros a sudoeste de Donetsk, nos arredores da cidade de Mariinka, inclusive com a participação de tanques do Exército ucraniano. O incidente mais grave foi registrado em Kramatorsk, onde disparos de autoria desconhecida deixaram quatro mortos em um ônibus, informou o governo regional, leal a Kiev. Na mesma região, sete policiais ficaram feridos num tiroteio.

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O chanceler russo, Sergei Lavrov, pediu a suspensão da operação militar da Ucrânia em uma conversa telefônica com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, nesta terça, alertando para a possibilidade de “um novo ciclo de derramamento de sangue”. “Lavrov ressaltou que a decisão do presidente Petro Poroshenko de não ampliar o cessar-fogo … desencadeia um novo ciclo de derramamento de sangue, com consequências imprevisíveis para o Estado ucraniano”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

O presidente Vladimir Putin também esbravejou, dizendo que o presidente ucraniano terá de arcar com toda a responsabilidade por se afastar do caminho da paz. “Até agora, Poroshenko não esteve diretamente envolvido com ordens para iniciar uma ação militar. Agora ele assumiu essa responsabilidade totalmente – não apenas do ponto de vista militar, mas também do político”. Repetindo uma ameaça feita em março, quando a Rússia anexou a Crimeia, península do sul da Ucrânia, Putin disse que Moscou irá continuar a defender os interesses da população de origem russa no exterior, o que inclui a maioria da população do leste ucraniano.

Mostrando impaciência com o que ouviu de Putin, Poroshenko disse em comunicado que a Ucrânia não viu “medidas concretas para apaziguar a situação, incluindo o reforço dos controles de fronteira”. Ao mesmo tempo em que a operação militar é retomada , prosseguem os esforços diplomáticos entrem os chefes da diplomacia alemã, francesa, russa e ucraniana, reunidos em Berlim para discutir, entre outros pontos, negociações de Kiev com os separatistas e o papel da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) na crise.

(Com agências Reuters, EFE e France-Presse)