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Coalizão governista pressiona Merkel após denúncias de espionagem

Ala que dá sustentação política à chanceler alemã exige respostas após acusações de que o serviço secreto do país teria traído os interesses de Berlim ao espionar para os EUA

Políticos da coalizão governista alemã passaram a pressionar a chanceler Angela Merkel para que sejam revelados detalhes da espionagem que o Serviço de Inteligência Federal (BND, em alemão) praticava a mando da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos Estados Unidos. O vice-chanceler do país e líder do partido de centro-esquerda SPD, Sigmar Gabriel, pediu nesta segunda-feira para que seja realizado um “minucioso inquérito” sobre o escândalo. Ele pediu para que o BND entregue aos comitês do parlamento alemão a lista com os números de telefones celulares e endereços de IP que foram espionados para a NSA. A suspeita é de que a inteligência do país tenha traído os interesses de Berlim ao monitorar as comunicações de alvos europeus e entregá-los a Washington.

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Gabriel disse ter ligado duas vezes para Merkel para perguntar se empresas alemãs tinham sido espionadas como parte do acordo de cooperação. Ela rechaçou esta possibilidade em ambas as oportunidades. Nesta segunda, Merkel se pronunciou publicamente sobre a controvérsia pela primeira vez. Ela salientou que “agências de inteligência estão trabalhando para garantir a segurança pública e o governo alemão fará todo o possível para assegurar que elas possam desempenhar seus trabalhos”. “Essa habilidade de exercer suas funções diante das ameaças do terrorismo internacional é feita através da cooperação com outras agências de inteligência, e isso inclui a NSA”.

A chanceler reconheceu que existe uma “tensão inata” entre liberdade e segurança envolvendo a espionagem. “Encontrar o meio termo da balança é o meu trabalho”, afirmou. Aliado próximo a Merkel, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, tem sido pressionado a renunciar ao cargo por ter mentido para o Legislativo sobre o caso. Berlim disse recentemente que sabia da cooperação entre as agências desde 2008. No ano passado, no entanto, o governo negou ao Parlamento que tinha informações sobre o assunto.

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Histórico – Washington e Berlim têm se empenhado para reparar os danos causados às relações diplomáticas dos países pelos vazamentos do ex-técnico de inteligência da NSA, Edward Snowden. Arquivos fornecidos à imprensa internacional por Snowden provaram que a agência americana havia monitorado e escutado as comunicações pessoais do celular da chanceler Angela Merkel. Além de provocar um profundo mal-estar entre os países, a informação fez com que o governo alemão desse início a uma investigação interna para apurar os métodos adotados por seu serviço secreto.

(Da redação)