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Coalizão falha ao tentar conter forças líbias nesta quinta

Apesar de novos bombardeios, tropas de Kadafi seguem atingindo rebeldes

“Não se pode esperar que alcancemos nosso objetivo somente em cinco dias”, afirmou o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé

Aviões de guerra ocidentais atingiram tanques líbios na quinta noite de bombardeios aéreos nesta quinta-feira, mas não conseguiram impedir as forças de Muamar Kadafi de disparar contra cidades rebeldes no oeste ou desalojar suas defesas no leste. Os ataques aéreos destruíram tanques do governo nas cercanias do bastião rebelde de Misrata, mas outros tanques na cidade não foram atingidos, disse um morador. Os tanques das tropas fiéis a Kadafi haviam voltado a Misrata aproveitando a escuridão e bombardeado a área próxima ao principal hospital da cidade, retomando o ataque, declararam residentes e rebeldes.

“A situação é muito séria”, disse um médico da cidade do oeste por telefone antes da ligação ser cortada. Um morador da cidade rebelada de Zintan, a sudoeste de Trípoli, disse que forças de Kadafi se reforçavam ali e que as forças rebeldes no leste ainda estão encurraladas nos limites de Ajdabiyah, após mais de três dias tentando retomá-la. O combate contínuo extenua a coalizão internacional criada para tentar deter os ataques de Kadafi contra os líbios, que desejam pôr fim a seu governo, com uma lista cada vez maior de países receosos de ataques terrestres que podem vitimar civis.

O fogo anti-aéreo reverberou sobre Trípoli durante a noite e fortes explosões foram ouvidas. Moradores disseram ver fumaça emanando do tumultuado bairro de Tajoura, no leste da capital. Após eliminar a defesa aérea líbia, as forças ocidentais atacaram a infraestrutura. Uma autoridade líbia disse que tanques de combustível e uma torre de telecomunicações em Trípoli foram alguns dos locais atingidos pelo que a televisão estatal chama de “cruzados colonizadores”. Os EUA dizem que tiveram sucesso em estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a costa, iniciaram o ataque a tanques e agora desejam entregar o comando à Otan.

Os embaixadores da aliança ocidental, porém, não conseguem chegar a um acordo sobre como garantir o comando de uma operação cujos objetivos finais permanecem nebulosos e enfrentam um quarto dia de embates nesta quinta-feira, com diplomatas dizendo que as maiores objeções partiram da Turquia, membro muçulmano da organização. Buscando arrefecer os temores de um conflito sangrento e prolongado, a França declarou que pode levar dias ou semanas para destruir as forças militares de Kadafi, mas não meses.

“Não se pode esperar que alcancemos nosso objetivo somente em cinco dias”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, em entrevista coletiva. O vice-ministro das Relações Exteriores, Khaled Kaim, mencionou complexos militares e civis na região central de Jufrah e outros alvos em Trípoli, Misrata e ao sul de Bengasi, onde os rebeldes estabeleceram um governo alternativo. Moradores de Misrata afirmaram que atiradores de elite do governo continuaram a disparar apesar do bombardeio e que visavam o hospital. Um porta-voz dos rebelados disse que mataram dezesseis pessoas durante o dia.

(Com agência Reuters)