CNA sul-africano sacrifica animais para comemorar centenário

O Congresso Nacional Africano (CNA), que sob a liderança de Nelson Mandela chegou ao poder na África do Sul em 1994, sacrificou nesta sábado de madrugada um touro, duas cabras e duas galinhas para oferecer a seus ancestrais e comemorar seu centenário.

Cerca de 20 sangomas (curandeiros tradicionais) procedentes de todas as regiões do país preparavam o sacrifício em um terreno baldio próximo à igreja de Bloemfontein (centro), onde o CNA, que durante décadas lutou contra o apartheid, foi fundado no dia 8 de janeiro de 1912.

“Essas galinhas e essas cabras são o preâmbulo antes da cerimônia principal. Se trata de purificar este lugar e de elevar o espírito do CNA”, explica Ntswaki Mahlaba, uma curandeira sotho do Estado Livre (centro), enquanto limpa os intestinos.

“O objetivo desta cerimônia é reunir os espíritos dos ancestrais, e especialmente os dos fundadores do CNA”, acrescenta Dra. Nkanyezi, uma colega tswana dos arredores de Pretória, cuja vestimenta mistura um imponente gorro coberto de espetos de porcos-espinhos, um enfeite de pérolas e uma camiseta com o retrato do presidente Jacob Zuma.

“Estamos aqui para restaurar o espírito do CNA. “É aqui que foi enterrado o cordão umbilical do CNA” há cem anos, explica.

As quatro torres de resfriamento de uma antiga central térmica que predominam no cenário, foram cobertas com retratos dos sucessivos dirigentes do “movimento de libertação” mais antigo da África. Entre eles se encontram Oliver Tambo, Nelson Mandela e Jacob Zuma.

O touro negro, um presente do rei do Lesoto, Letsie III, é introduzido depois no “kraal”, o local do sacrifício.

Depois pedem aos “camaradas dos meios de comunicação” que se afastem. Um cordão de policiais protege o caráter sagrado do ritual.

“Isso não é Hollywood!”, grita o porta-voz do partido, Jackson Mthembu, aos jornalistas mais curiosos. “Isso é muito, muito importante para o CNA. Devem respeitá-lo”, insiste.

Todos esperam a chegada de Jacob Zuma. Enquanto isso, observam as danças das enviadas da rainha da chuva, que dominam o norte do país – de saias azul-turquesa, camisas rosas, turbantes brancos e enfeites de pérolas-, até que entra o pastor americano Jessie Jackson.

“A transição do apartheid racista à democracia é uma grande transição. É o que temos visto em 18 anos (desde que o CNA chegou ao poder em 1994), isso é positivo. Todos deveríamos estar orgulhosos do CNA”, disse.