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Chávez anuncia volta do câncer e fala em Maduro como sucessor

Ditador anunciou que voltará a Cuba e, pela 1ª vez, deu a entender que pode não resistir à doença. Ele pediu à população que, em sua ausência, eleja Maduro

O ditador venezuelano, Hugo Chávez, ainda enfrenta o câncer. Sem aviso prévio, Chávez apareceu no sábado à noite em cadeia de rádio e televisão, vestido de azul e acompanhado por vários de seus colaboradores mais próximos, para informar que viaja neste domingo a Cuba para se submeter à quarta cirurgia em 18 meses.

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“Decidimos com a equipe médica antecipar exames, antecipar uma nova revisão. Infelizmente, nessa revisão foi detectada a presença, na mesma área, de algumas células malignas novamente”, disse o ditador. “É absolutamente necessário, é absolutamente imprescindível submeter-me a uma nova intervenção cirúrgica e isso deve ocorrer nos próximos dias.”

O presidente assinou, perante as câmeras, a solicitação à Assembleia Nacional da permissão para se ausentar do país durante mais de cinco dias e imediatamente indicou que o vice-presidente, Nicolás Maduro, comandará o país, apontando-o como herdeiro e sucessor no caso de algo lhe acontecer.

“Em todos esses processos há risco, toda operação desse tipo e contra este mal implica um risco, isso é inegável”, assinalou o caudilho, olhando para seus ministros. “Devo dizer uma coisa que, embora soe difícil, eu quero e devo dizê-la: se, como diz a Constituição, se apresentar alguma circunstância que me desabilite de seguir à frente da Presidência, Maduro deve concluir o período atual.”

O atual período termina no dia 10 de janeiro, com a chegada do novo mandato para o qual o próprio Chávez foi eleito em 7 de outubro. O artigo 233 da Constituição venezuelana indica: em caso de “falta absoluta do presidente eleito ou presidente eleita antes de tomar posse, se procederá a uma nova eleição universal, direta e secreta dentro dos 30 dias”.

“Nicolás Maduro, nessa situação, deve concluir, como manda a Constituição, o período. Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável e absoluta, é que nesse cenário que obrigaria a convocar eleições presidenciais vocês elejam Nicolás Maduro como presidente”, acrescentou.

É a primeira vez que Chávez contempla um final fatal desde que, em junho do ano passado, foi-lhe diagnosticou em Cuba um câncer do qual só se sabe que está na zona pélvica, mas não sua localização exata nem seu grau.

Assim são as circunstâncias da vida. Eu, no entanto, aferrado a Cristo, aferrado a meu senhor, aferrado à esperança e à fé, espero, assim o peço a Deus, dar-lhes boas notícias nos próximos dias para que possamos juntos continuar construindo o que agora temos”, acrescentou.

“Com o favor de Deus como nas ocasiões anteriores sairemos vitoriosos”, disse Chávez, antes de partir para o que denominou uma “nova batalha”.

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(Com EFE)