Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Cartunista que desenhou capa pós-atentado deixa o ‘Charlie Hebdo’

Renald Luzier foi o único desenhista a sobreviver no atentado terrorista que deixou doze mortos, em janeiro

O cartunista francês Renald Luzier, autor da charge que estampou a primeira capa do semanário satírico Charlie Hebdo após o atentado terrorista de janeiro, anunciou nesta terça-feira que deixará a publicação. O desenhista, que assina seus trabalhos como Luz, declarou ao jornal francês Libération que produzir o semanário se tornou “insuportável”. “Não havia rigorosamente ninguém para desenhar”, disse Luz. “Eu estava fazendo três de quatro capas”, acrescentou.

Leia também:

Número de franceses envolvidos em grupos jihadistas cresce 203% desde 2014

Em livro póstumo, editor do ‘Charlie Hebdo’ diz que medo do terrorismo ajuda a vender notícias

O artista não conseguia mais suportar a ausência dos colegas mortos no ataque. Doze pessoas foram assassinadas na redação do Charlie Hebdo, sendo que Luz foi o único cartunista a sobreviver. “Finalizar cada edição era uma tortura porque os outros não estavam mais aqui. Passar noites sem dormir desenterrando os mortos, pensando o que [os cartunistas] Charb, Cabu, Honore e Tignous fariam no meu lugar se tornou exaustivo”, disse. O desenhista, de 43 anos, esclareceu que a decisão de pedir demissão “foi muito pessoal” e que pretende “se reconstruir, retomar o controle da minha vida”.

O número do Charlie Hebdo publicado após o atentado trouxe na capa uma charge do profeta Maomé segurando um cartaz com a frase “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), que se tornou símbolo da mobilização contra o terror e a favor da liberdade de expressão. Outra frase na capa anunciava: “Tudo está perdoado”. Em abril, Luz declarou que não faria mais nenhuma charge de Maomé por estar “cansado”.

ARGUMENTO - A edição do jornal Charlie Hebdo esgotou-se nas bancas de Paris em quatro horas e teve Maomé novamente na capa

ARGUMENTO – A edição do jornal Charlie Hebdo esgotou-se nas bancas de Paris em quatro horas e teve Maomé novamente na capa (VEJA)

(Da redação)