Brasil concede visto à blogueira cubana Yoani Sánchez

Dissidente do regime comunista, porém, ainda precisa da autorização de Cuba

O Ministério das Relações Exteriores anunciou nesta quarta-feira que concedeu visto de entrada no Brasil para a blogueira cubana Yoani Sánchez. Uma das mais célebres dissidentes do regime comunista de Cuba, Sánchez foi convidada para participar da exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Cláudio Galvão, em 10 de fevereiro, na cidade de Jequié, na Bahia. O visto brasileiro, porém, não garante a entrada da blogueira no país. Para viajar, ela precisa da autorização do próprio governo cubano.

Uma das entrevistadas do documentário – que trata da liberdade de imprensa em Cuba e Honduras -, Yoani Sánchez pediu o visto à Embaixada do Brasil em Cuba na última sexta-feira, de acordo com um comunicado do Itamaraty. Ela também enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff, que visita Cuba no próximo dia 31, na qual pede uma audiência com a chefe de estado brasileira durante sua estadia em Havana.

A notícia da concessão do visto para entrar no Brasil foi comemorada por Sánchez em sua conta no microblog Twitter, mas ela ressaltou que a maior dificuldade é obter a autorização para sair de Cuba. “Já tenho visto para o Brasil. Agora falta o mais difícil, a permissão de saída”, escreveu Yoani.

Pedidos negados – Desde 2004, a blogueira, que também é jornalista, tenta sem sucesso viajar para o exterior. De lá para cá, ela já teve 18 pedidos de autorização de viagem negados pelo governo cubano. No início deste ano, Sánchez postou no YouTube um vídeo no qual pedia a Dilma para intervir junto às autoridades cubanas.

“Por favor, interceda por mim. Já fiz tudo o que está a meu alcance. O muro do controle, o muro da censura, o muro que me impede de viajar livremente e retornar à minha ilha parece não se mover. Ajude-me, por favor”, pede a blogueira à presidente.

A dissidente ganhou notoriedade mundial a partir do seu blog, Generación Y, no qual comenta a situação política no país governado desde 2008 pelo presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, e faz duras críticas aos dirigentes.