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Bolívia critica asilo político dado ao senador opositor

La Paz, 12 jun (EFE).- O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, qualificou como ‘desatinada’ a decisão do governo brasileiro de outorgar asilo político ao senador opositor Roger Pinto, que, segundo o vice-presidente, ‘deveria responder à justiça boliviana pelos seus crimes de assassinato e de desvio, entre outros.

‘Trata-se de uma decisão desatinada. O Governo brasileiro outorgou asilo a uma pessoa que aqui na Bolívia não está sendo acusada por seus ideias (…) É uma pessoa acusada por delitos comuns’, disse nesta terça-feira o presidente interino da Bolívia, já que Evo Morales se encontra na Europa.

Refugiado na embaixada brasileira em La Paz há duas semanas, Pinto pediu asilo ao Governo de Dilma Rousseff alegando perseguição política. Isso porque, o opositor teria criticado Morales e também acusado de não atuar contra o tráfico de drogas.

O governo brasileiro, por sua parte, aceitou a solicitação do senador na última semana, embora a Chancelaria boliviana insiste em dizer que não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre essa decisão.

Perguntado sobre o salvo-conduto que o Governo Morales deve emitir para permitir a entrada de Pinto no Brasil, o vice-presidente respondeu que esse ‘procedimento está nas mãos da Chancelaria’.

Representante da região nortista de Pando, Pinto comunicou as autoridades brasileiras que possui ‘mais de 20 processos penais’ contra sua pessoa, segundo ele, cada ‘um mais descabelado que o outro’.

García Linera negou que o senador esteja sofrendo perseguição política e explicou que o mesmo é acusado por crimes comuns, como ‘assassinato’. Isso porque, o opositor teria responsabilidade em um massacre de camponeses realizado em setembro de 2008, em Pando.

Por conta deste mesmo caso, o opositor Leopoldo Fernández, que até então era o governador de Pando, foi cassado e levado a prisão.

O vice-presidente também confirmou que Pinto também é investigado ‘por danos econômicos ao Estado’ e possui denúncias por desacato, incluindo uma do próprio vice-presidente e outras da ministra de Transparência e Luta contra a Corrupção, Nardy Suxo.

Desde que Morales assumiu a Presidência pela primeira vez em 2006, dezenas de empresários e políticos opositores buscaram refúgio no Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Peru e Espanha, entre outros países, depois de terem acusado o Governo de perseguição política e de argumentarem que não terão um julgamento justo na Bolívia. EFE