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Boko Haram domina a cidade das estudantes sequestradas

O grupo extremista islâmico invadiu e se apoderou o município de Chibok, no nordeste do país. Os terroristas já controlam mais de vinte cidades nigerianas

O grupo extremista Boko Haram dominou a cidade de Chibok, no Estado de Borno, nordeste da Nigéria, onde há mais de seis meses foram sequestradas mais 200 estudantes. A informação foi dada por Enoch Mark, um pastor cristão, pai e tio de duas garotas que estão entre as 219 jovens que ainda se encontram reféns. Os terroristas invadiram o município destruíram a torre de comunicações e obrigaram os habitantes a fugir.

Centenas de combatentes do Boko Haram assumiram o controle na quinta-feira de outras duas localidades do estado de Adamawa, na mesma região. Os islamitas tomaram o controle de Hong e de Gombi, aproximando-se assim de Yola, a capital do Estado, depois que milícias locais formadas por caçadores e voluntários os expulsaram de Mubi, cidade que haviam dominado há duas semanas.

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Chibado Bobi, diretor de gabinete do governador de Adamawa, anunciou a reconquista de Mubi. “É certo que Mubi voltou para as mãos do Exército nigeriano graças à ajuda das milícias locais”, declarou. Em Gombi, Haruna Awwalu, um habitante, contou à imprensa local que o Boko Haram patrulha as ruas ostentando armamentos pesados. “Eles botaram fogo na delegacia, na sede da administração e no mercado principal”, afirmou Awwalu. Em Hong, a 20 quilômetros de Gombi, os insurgentes islamitas incendiaram a delegacia e hastearam sua bandeira negra na casa de um general reformado.

O Boko Haram, que se apoderou de mais de vinte cidades e povoados de Adamawa e dos Estados vizinhos de Yobe e Borno nos últimos meses, afirma ter criado um califado islâmico. Segundo vários habitantes relataram aos jornais locais, o grupo começou a aplicar em Mubi os castigos com base em uma interpretação radical da sharia, a lei islâmica, como cortar as mãos de ladrões. Os terroristas também batizaram a cidade com o nome de Madinatul Islam, ‘a cidade do Islã’.

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Desde que a polícia matou, em 2009, o então líder e fundador de Boko Haram, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma sangrenta campanha que se intensificou nos últimos meses. Neste ano, o grupo islamita assassinou cerca de 3.000 pessoas e mais de 12.000 desde 2009, segundo os cálculos do governo nigeriano. O grupo Boko Haram, que significa em línguas locais “a educação não islâmica é pecado”, luta para instituir um califado islâmico na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristão no sul.

(Com agências EFE e France-Presse)