Ausência de Obama, Cameron e Merkel ofusca líderes presentes na Rio+20

Rio de Janeiro, 15 jun (EFE).- Pelo menos 100 chefes de Estado e de Governo e representantes de cerca de 176 países participarão da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), mas a ausência dos líderes de Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha tirou parte do brilho do encontro.

Nem a ONU nem o governo federal divulgaram a lista dos líderes que confirmaram presença na conferência, já que sempre pode haver alterações de última hora, especialmente em momentos de forte crise econômica como o atual.

No entanto, fontes diplomáticas afirmaram que nem o presidente americano, Barack Obama, nem o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, nem a chanceler alemã, Angela Merkel, irão à cúpula, apesar do considerável esforço diplomático do governo brasileiro para contar com os principais governantes do planeta.

A Espanha estará representada pelo presidente do governo, Mariano Rajoy, que viaja ao Rio de Janeiro para renovar o compromisso de seu país com a agenda de desenvolvimento sustentável.

Também confirmaram publicamente presença os recém-empossados presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, François Hollande. Este último, no entanto, não é muito otimista em relação à conferência, e recentemente admitiu a possibilidade de que termine em ‘fracasso’.

A polêmica é alimentada pela presença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que gerou críticas de defensores dos direitos humanos e da entidade judaica Simon Wiesenthal Center, que conclamou os demais governantes a ‘rejeitar encontros bilaterais’ com ele.

Do grupo Brics, fórum de nações emergentes que o Brasil integra, também confirmaram participação o presidente sul-africano, Jacob Zuma, e os primeiros-ministros da Índia, Manmohan Singh, e da China, Wen Jiabao.

Espera-se que a América Latina seja quase totalmente representada em nível presidencial, embora seja provável que o líder venezuelano, Hugo Chávez, não compareça por motivos de saúde.

A presidente Dilma se empenhou em convidar pessoalmente todos os líderes com os quais se encontrou nos últimos meses para garantir que a conferência seja pelo menos tão movimentada quanto a Eco 92, que recebeu 108 líderes. O Governo Federal se ofereceu inclusive a custear o traslado das autoridades e delegações de dez pequenos países caribenhos e africanos.

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) buscarão representantes de Barbados, Granada, São Cristóvão e Nevis, Antígua e Barbuda, Dominica, Libéria, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Malauí e Serra Leoa, segundo o Ministério da Defesa.

A lista de presenças ficou enfraquecida pela ausência de Obama, que está em plena campanha pela reeleição em novembro e será representado pela secretária de Estado, Hillary Clinton.

Cameron e Merkel não revelaram publicamente os motivos de sua ausência, mas os analistas consideram que estejam relacionados à crise europeia, um fator que poderia obrigar a cancelar de última hora a participação de outros líderes do velho continente, que por outro lado foram os mais reticentes ao confirmar sua viagem ao Brasil.

As medidas de austeridade aplicadas por causa da crise levaram várias delegações europeias a reduzir sua dimensão na conferência devido a limitações no orçamento e aos altos preços dos hotéis da cidade brasileira.

Quem garantiu participação foi um grupo de sete governantes que irão, ainda, à primeira cúpula de chefes de Estado e de governo que será realizada no dia 21 sob a chancela do ONU-Mulheres.

Essa cúpula discutirá a integração plena das mulheres na sociedade no contexto da aplicação de políticas favoráveis ao desenvolvimento sustentável.

A diretora-executiva da ONU-Mulheres e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, coordenará o encontro do qual participarão, além de Dilma Rousseff as chefes de governo da Argentina, Cristina Kirchner; da Costa Rica, Laura Chinchilla; da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, e da Lituânia, Dalia Grybauskaité.

Além disso, estarão presentes as primeiras-ministras de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissesar, e Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt. EFE