Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Ataque no Afeganistão deixa pelo menos 89 mortos

Um terrorista suicida explodiu um carro-bomba em um mercado no interior durante o horário mais movimentado do dia. Cabul também sofreu um ataque

Pelo menos 89 civis morreram e mais de 50 ficaram feridos em um ataque suicida cometido em um mercado com um veículo carregado de explosivos na província de Paktika, no Afeganistão, informou o porta-voz do Ministério de Defesa, Zahir Azimi. Ele confirmou que o ataque ocorreu por volta de meio-dia do horário local (7h de Brasília) em um movimentado mercado no distrito de Orgun. O porta-voz afirmou ainda que entre os mortos há um grande número de mulheres e crianças, reporta a BBC.

O elevado número de vítimas deve-se ao horário e ao local que os terroristas escolheram para explodir o carro-bomba. Segundo a polícia afegã, por volta do meio dia é justamente o momento do dia em que o mercado atacado fica mais cheio. “O número de vítimas pode aumentar”, disse o general Zahir Azimi. “No momento, a polícia está levando todos os feridos aos hospitais”, declarou o vice-diretor da polícia local, Nissar Ahmad Abdulrahimzai.

Abdulrahimzai disse que a polícia havia sido informada sobre o carro e procurava o veículo quando ele explodiu. “A explosão foi tão grande que destruiu muitas lojas. Dezenas de pessoas ficaram presas sob os telhados”, disse o governador distrital Mohammed Reza Kharoti. “O número de feridos vai aumentar para mais de 100 e o número de mutilados também vai subir”, acrescentou.

Leia também

Candidatos à presidência afegã concordam com auditoria

Abdullah se declara vencedor das eleições afegãs

Ghani lidera disputa presidencial marcada por denúncias de fraude

Kharoti afirmou também que o movimento no mercado era intenso pois as pessoas estavam fazendo compras do Ramadã e se preparando para o Eid al-Adha ou Festa do Sacrifício, a maior celebração para os muçulmanos. Os atentados suicidas são, ao lado dos artefatos explosivos, os métodos mais recorrentes dos talibãs para atacar as forças afegãs e internacionais, embora na prática causem um elevado número de vítimas civis. O local do ataque fica próximo à pouco vigiada fronteira com a região paquistanesa do Waziristão do Norte, onde os militares têm avançado nas últimas semanas sobre os esconderijos dos militantes do Talibã paquistanês, o que levou os insurgentes a recuarem em direção ao Afeganistão.

Ataque na capital – Em Cabul, uma bomba acionada por controle remoto explodiu à beira de uma estrada, matando dois funcionário do setor de mídia do presidente Hamid Karzai e ferindo outras duas pessoas, disse a polícia. O Talibã assumiu a responsabilidade. As Nações Unidas disseram que o número de vítimas entre civis saltou em mais de 25% no primeiro semestre deste ano, diante da escalada das hostilidades.

Os ataques de hoje ocorrem no momento em que o país vive uma crise política pelo impasse no resultado da eleição presidencial. Os afegãos foram às urnas no mês passado para escolher entre dois candidatos à sucessão do presidente Hamid Karzai: o ex-ministro de Finanças, Ashraf Ghani, e o ex-ministro de Relações Exteriores, Abdullah Abdullah. Mas em vez de abrir caminho para uma transição política, a eleição levou a uma grave crise. A Comissão Eleitoral Independente do país divulgou resultados preliminares indicando que Ghani teria sido o vencedor, com 56,4% dos votos ante 43,6% de Abdullah.

Eleições – O candidato Abdullah anunciou ser o vencedor das eleições no Afeganistão, rejeitando a vitória de seu oponente, e acusou o presidente Hamid Karzai e a Comissão Eleitoral do país de fraude. Neste sábado, o secretário de Estado americano John Kerry disse que os candidatos rivais à presidência do Afeganistão concordaram com uma “ampla auditoria” dos números do segundo turno eleitoral. O resultado final da recontagem deve ainda demorar algumas semanas

(Com agências EFE e Reuters)