Arábia Saudita exige fechamento da emissora Al Jazeera ao Catar

Junto a outras cinco nações árabes, os sauditas enviaram uma lista de 13 demandas ao Catar para que retomem as relações diplomáticas com o país

A Arábia Saudita e seus aliados, Egito, Emirados Árabes e Bahrein, enviaram para o Catar, nesta sexta-feira, uma lista de 13 exigências que o país deve cumprir para que sejam retiradas pesadas sanções diplomáticas e comerciais, impostas há duas semanas. Dentre as exigências, a nação do Golfo Pérsico deve fechar a emissora de TV Al Jazeera, reduzir laços com o Irã e fechar uma base militar da Turquia em seu território.

O grupo de governos do mundo árabe anunciou o corte de relações com o Catar em 5 de junho, ao acusar a monarquia do país de trabalhar para promover a instabilidade na região, além de financiar grupos terroristas. Parte do descontentamento se deve a proximidade do Catar com o Irã, força antagonista aos sauditas.

O documento, obtido pela agência de notícias Associated Press, dá dez dias ao Catar para cumprir com as imposições. É o primeiro registro oficial das demandas, que até então não haviam sido claramente definidas. Os seis países, porém, estavam sob pressão após o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, pedir que fossem mais específicos em seus pedidos, para facilitar o processo de mediação.

Para aliança liderada pelos sauditas, a Al Jazeera, emissora mais importante do mundo árabe, prejudica o apoio aos seus governos. Apesar de ser parcialmente financiada pela monarquia do Catar, a rede é vista como uma das mais independentes do Oriente Médio e é tratada como uma ameaça, por mostrar pontos de vista alternativos. Segundo a Arábia Saudita, a Al Jazeera promove movimentos islamistas populistas, simpáticos aos princípios da Primavera Árabe.

Além do fechamento da TV, a lista inclui a extradição de pessoas acusadas de terrorismo nos outros países árabes, fim do financiamento a grupos considerados como terroristas pelos Estados Unidos, alinhamento político, militar, social e econômico com as nações do Golfo Pérsico e fechamento de missões diplomáticas no Irã.