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Após meses de negociação, Líbia terá governo único

Segundo agências da ONU, mais de 2,4 milhões de líbios estão passando por uma grave crise humanitária e milhares deles perderam a vida na guerra civil líbia

No mesmo dia em que um grupo que promoveu a democracia na Tunísia recebeu o Prêmio Nobel da Paz, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que a Líbia chegou a consenso para formar um governo único. O país, assim como a vizinha Tunísia passou por uma revolução para terminar com uma ditadura violenta. Mas ao contrário dos tunisianos, os líbios ainda não encontraram seu caminho rumo à democracia. Após meses de negociações difíceis, o enviado da ONU, Bernardino León, e os representantes dos Parlamentos de Tobruk e Trípoli anunciaram nesta sexta que conseguiram fechar uma lista de nomes para governar de maneira unificada a Líbia. Agora, a lista acordada na reunião em Marrocos precisará passar pela aprovação de ambos os dois Parlamentos.

O novo primeiro-ministro do país seria Fayez Serraj, originário de Trípoli, mas que é membro do Parlamento de Tobruk. Quem ocuparia o posto de vice-premiê seria Ahmed Maetiq (da milícia Misurata e que atua em Trípoli), auxiliado por Moussad Kony (político independente do sul da Líbia) e Fathi Majbari (do leste do país, apoiado por Tobruk e pelo Exército líbio).

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Em seu discurso, León ainda pediu desculpas às vítimas do conflito, ressaltando que “muitos líbios perderam a vida, muitas crianças e muitas mães sofreram: a todos eles pedimos desculpas por não termos sido capazes de propor esse governo antes”. Segundo agências da própria ONU, mais de 2,4 milhões de líbios estão passando por uma grave crise humanitária e milhares deles perderam a vida na guerra civil que ainda devasta o país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que “aplaudiu” a decisão de ambos os lado e pediu aos líderes para “não perderem essa oportunidade”. Segundo ele, agora “é o momento para as duas partes firmarem a proposta sem demora”. A alta representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, que a UE “está pronta para oferecer imediatamente apoio político e uma ajuda financeira de 100 milhões de euros [mais de 500 milhões de reais] para o novo governo”.

Histórico – A crise na Líbia começou em 2011 após a revolução e a morte do ditador Muammar Kadafi. Os dois fatos levaram a nação ao caos total por não ter um poder que conseguisse unir o país. Um ano após a queda do regime e em pleno processo de reconstrução após as bombas jogadas na Líbia pela coalizão internacional, ocorreram as primeiras eleições livres que pareciam levar os líbios a uma verdadeira democracia. Mas, os confrontos ainda remanescentes e a violência entre várias milícias e os ex-rebeldes que não abandonaram as armas, complicaram a situação. No verão de 2014, o país entrou em colapso total com a divisão entre as instituições políticas.

O Parlamento reconhecido pela comunidade internacional refugiou-se em Tobruk, e o Parlamento instalado pelos rebeldes permaneceu em Trípoli. No mesmo período, a capital cai sob o controle do grupo jihadista Fajr Líbia que fez uma aliança com a Irmandade Muçulmana. O resultado desse caos é de uma nação quebrada ao meio. Para completar, a área de Sirte, no norte, caiu nas mãos dos terroristas do Estado Islâmico (EI).

(Da redação)