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Apesar de experiente, Mitt Romney não convence republicanos conservadores

Elvira Palomo.

Washington, 30 dez (EFE).- O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, que divulga sua experiência como político e empresário bem-sucedido, é um dos favoritos das primárias republicanas, mas para conseguir a candidatura deverá persuadir os conservadores de seu partido que ainda o veem com ceticismo.

Em sua segunda tentativa para conseguir a Presidência dos Estados Unidos, após perder as primárias em favor de John McCain em 2008, este político com cara de ator de televisão deve convencer a ala direitista de seu partido de que sua religião mórmon e suas políticas progressistas em Massachusetts não fazem dele menos republicano.

Perante os eleitores independentes, ele deverá adotar a imagem de alguém que diz ao público o que acredita que o público quer ouvir, uma reputação que os estrategistas democratas tentaram explodir, citando suas mudanças de posição em questões como a reforma do sistema sanitário.

No âmbito da criação de emprego, a grande prioridade para os eleitores, Romney, de 64 anos e com uma longa experiência no mundo da empresa privada, tenta passar a imagem de corredor de fundo e com a firmeza de um timoneiro para uma economia que atravessa um período tormentoso.

O aspirante republicano é quem arrecadou mais dinheiro entre seus concorrentes, e se preparou para a candidatura presidencial republicana quase desde o dia em que perdeu a nomeação em 2008. Sua equipe de campanha é forte, com capacidade operacional e disciplina.

Ele tentou se apresentar como um homem de família, já que está casado há 42 anos com sua esposa, Anne, com a qual tem cinco filhos, e como alguém que, apesar de ser milionário, tem as preocupações próprias de uma pessoa qualquer da classe média.

Essa imagem, no entanto, sofreu um duro golpe quando no penúltimo debate republicano Romney quis apostar com um de seus rivais US$ 10 mil, o equivalente a três meses de salário de um americano médio.

Nascido em Detroit no seio de uma família muito acomodada e com aspirações políticas – seu pai foi governador de Michigan e aspirante presidencial em 1968 – o candidato começou seus estudos universitários em Stanford antes de viajar à França como missionário mórmon.

Retornou aos EUA para se casar em 1969 com Anne, e retomou seus estudos na universidade mórmon de Brigham Young, que completaria com um mestrado em administração de empresas em Harvard.

Romney se incorporou à consultoria Bain and Company em 1977, e com o apoio do fundador da empresa em 1984 fundou a companhia de investimento Bain Capital que foi um sucesso.

Em 1994, o afortunado empresário quis desafiar um político lendário em Massachusetts, Ted Kennedy, e se apresentou contra ele nas eleições ao Senado. Kennedy foi reeleito sem dificuldade e Romney retornou à empresa privada.

Em 2002, assumiu o comitê organizador das olimpíadas de inverno de Salt Lake City, um acontecimento que foi um êxito econômico e que bateu o recorde de investimentos privados conseguidas nestes jogos.

Um ano depois ele se transformou em governador de Massachusetts, onde reduziu o déficit público, introduziu reformas educativas, e principalmente iniciou uma reforma do sistema sanitário estadual.

Neste cargo, ele consolidou sua fama de aberto ao diálogo por reunir-se a cada segunda-feira com dois democratas para tratar de assuntos do Governo estadual, uma estratégia que acredita que pode ter êxito também em Washington.

Após anunciar sua candidatura em abril e se transformar imediatamente no pré-candidato a combater, Romney começou a trabalhar pelo voto de Iowa, o primeiro estado no calendário de primárias republicanas e com resultados que podem ser decisivos para impulsionar um aspirante ou outro.

Mas segundo as últimas enquetes, 40% dos eleitores registrados como republicanos ainda estão indecisos.

Segundo apontou o jornal de Iowa ‘The Des Moines Register’ Joan Faber McAlister, professora associada de retórica e comunicação da Drake University, Romney ‘tem uma boa presença no palco e uma voz maravilhosa’, o que precisa é ‘parecer uma pessoa normal’. EFE