Annan insiste em plano de paz com cessar-fogo até 5ª feira

Casa Branca defende que ONU aja se Damasco não respeitar seu compromisso

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, insistiu nesta terça-feira na vigência de seu plano de paz e exigiu que o cessar-fogo previsto seja instaurado até a próxima quinta-feira. “Até a 0 hora do dia 12 de abril teremos que silenciar as armas”, afirmou o mediador em referência ao prazo previsto pelo plano, que, em princípio, também foi aceito pelas autoridades do regime de Damasco.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“É evidente que o plano de paz não foi aplicado segundo o programa previsto, mas isto não significa que ainda não possa ser implementado”, assinalou Annan em entrevista coletiva no aeroporto de Hatay, ao sul da Turquia. “É cedo demais para assegurar que o plano falhou“, completou o ex-secretário-geral das Nações Unidas em declarações aos jornalistas.

Antes, Annan visitou um campo de refugiados de Yailadag, situado no extremo sul da Turquia. “A chegada em massa de refugiados é um sinal claro de que as coisas vão indo mal”, manifestou Annan. “Temos que seguir trabalhando para frear essa violência. A Síria deve permitir a chegada de ajuda humanitária”, acrescentou.

Turquia – O vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, que compartilhava a mesa com Annan, ressaltou seu apoio ao trabalho do mediador. “Hoje é dia 10 de abril, e o prazo estipulado anteriormente já venceu. O regime sírio não cumpriu suas promessas”, disse Atalay, em referência ao compromisso de Damasco de retirar todas as tropas de cidades até esta terça-feira.

O vice-primeiro-ministro reiterou que a Turquia espera que Bashar Assad cumpra esse compromisso até o dia 12 de abril. Mas, caso a Síria volte a não atender o compromisso, “será uma responsabilidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas tomar todas as medidas necessárias”, completou Atalay.

A Casa Branca afirmou que espera que o Conselho de Segurança da ONU aja em relação à Síria se Kofi Annan considerar que o regime de Damasco não respeita seu compromisso de um cessar-fogo. O porta-voz da presidência americana, Jay Carney, ressaltou que os EUA aguardam a avaliação de Annan sobre a situação na Síria, mas repetiu que Washington não viu “sinal algum” de uma redução da violência.

Oposição – O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal aliança opositora ao regime de Assad, segue apoiando o processo de paz para a Síria do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, mas considera que, se ele fracassar, não deveria ser descartada nenhuma alternativa para deter o derramamento de sangue, inclusive a intervenção armada.

Bassma Kodmani, responsável de relações exteriores do CNS, citou expressamente o capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que estabelece os poderes do Conselho de Segurança para manter a paz, usando, se necessário, todos os meios militares disponíveis.

Tanto Moscou como Pequim demonstraram, nas últimas horas, uma modificação matizada de sua posição, ao exigir publicamente que Damasco cumpra o plano de paz de Annan, mas mantendo seu apoio ao regime e criticando a oposição armada por não ter largado as armas.

(Com agência EFE)