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Amr Moussa é favorito junto aos islamitas nas eleições do Egito

Enrique Rubio.

Cairo, 18 mai (EFE).- Amr Moussa, antigo ministro de Relações Exteriores com Hosni Mubarak e ex-secretário-geral da Liga Árabe, surge como o favorito para se tornar o primeiro presidente eleito no regime democrático no Egito, se for capaz de vencer os candidatos islamitas.

A falta de pesquisas confiáveis e o alto número de indecisos fazem com que os prognósticos sejam quase uma temeridade no Egito por trás da revolução, por isso outros querem surpreender, como o último primeiro-ministro de Mubarak, o general Ahmed Shafiq.

Com as palavras de ordem nacionalistas como bandeira comum, cada um dos 11 candidatos que chegam à reta final focou seus esforços em chegar a seu votante natural.

Frente ao clássico eixo esquerda-direita, a divisão entre os candidatos se mostra no país entre islamitas e laicos, apesar de em maior ou menor medida todos pretenderem apelar para o conjunto da sociedade.

Assim, Moussa lidera as fileiras dos candidatos laicos, embora tenha que ficar muito atento aos apoios que Shafiq pode lhe tirar entre os nostálgicos do regime de Mubarak e entre os cristãos coptas, temerosos de um Egito islamita.

Moussa se apresentou perante a população com o aval de sua reputação como antigo chanceler e ex-secretário-geral da Liga Árabe, envolvido em um programa nacionalista e liberal, cuja premissa é a ‘seriedade’.

Sua própria biografia foi também a arma com a qual seus rivais mais o atacaram, com o argumento de que, afinal de contas, Moussa representa mais do mesmo e não deixa de ser um ‘fulul’ (remanescente do antigo regime), da mesma forma que Shafiq.

Outros candidatos laicos são o ‘nasserista’ Hamdin Sabahi, que nas últimas semanas se confirmou como a opção favorita dos jovens da revolução, e o advogado esquerdista Khaled Ali.

Enquanto isso, os islamitas, que já controlam com folga três quartos do Parlamento, pretendem confirmar sua hegemonia política em umas eleições nas quais dois candidatos levantam a bandeira do Islã político moderado.

Um deles, e ao qual as pesquisas apontam com maiores chances de passar para o segundo turno (que será realizado, se for necessário, nos próximos dias 16 e 17 de junho), é Abdel Moneim Abul Futuh, ex-membro da Irmandade Muçulmana.

Abul Futuh, que saiu da confraria islâmica no ano passado após se candidatar a presidente, tem conseguido uma variada galeria de apoios, que vão desde os salafistas mais radicais até alguns grupos revolucionários, o que semeou a desconfiança sobre seus verdadeiros planos no caso de ser eleito.

Enquanto isso, Mohammed Mursi representará a Irmandade Muçulmana nas eleições. Ele é um candidato com pouco carisma e que repetiu ao longo de toda a campanha que o importante nesta eleição não é a pessoa, mas a instituição que representa.

A fraqueza de Mursi como candidato, que ninguém nega, é compensada com a onipresença da Irmandade, que teve que recorrer a este engenheiro quando sua primeira opção, o ‘número dois’ do grupo, Jairat al Shater, foi desqualificado pela Comissão Eleitoral.

O importante crivo que essa comissão – última instância eleitoral – fez no início de abril também eliminou o carismático xeque salafista Hazem Abu Ismail, descartado pela nacionalidade americana de sua mãe e cuja popularidade desperta temores nas chancelarias ocidentais e em muitos egípcios.

Outro poderoso candidato, antiga braço direito de Mubarak e ex-chefe da espionagem, Omar Suleiman, foi igualmente excluído por não apresentar o número de assinaturas requerido.

Depois das baixas sofridas no plantel de candidatos à chefia de Estado, é frequente escutar os egípcios se referirem à opção que escolherão como ‘o menos ruim’ entre os candidatos.

Esse desencanto chegou também profundamente entre os protagonistas da revolução que acabou com mais de meio século de Governo militar, mais ainda depois da saída da corrida presidencial do prêmio nobel da Paz Mohamed ElBaradei, ícone da minoria progressista e laica do país.

Em qualquer caso, apesar da atmosfera negativa, os egípcios estão às portas de poder escolher pela primeira vez em sua história o homem que querem que lhes represente, algo impensável há apenas um ano e meio. EFE