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Alemanha quer cortar recursos de países que se recusam a receber refugiados

Países ex-comunistas da parte central da Europa ainda rejeitam as cotas obrigatórias. Estas nações são justamente as que mais recebem ajuda financeira da União Europeia

Diante da resistência de alguns países em conceder asilo, o ministro de Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, afirmou nesta terça que é necessário começar a discutir “medidas de pressão” contra nações que se negam a participar da distribuição equitativa de refugiados dentro da União Europeia (UE). “Para estes países, não acontece nada, os refugiados simplesmente passam ao largo deles”, disse. Ele concordou com a proposta do presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, que se referiu à possibilidade de responder a estes países com um corte dos recursos vindos dos fundos estruturais comunitários.

Maizière lembrou que os países que rejeitam a distribuição equitativa de refugiados são exatamente os que recebem grandes quantias dos fundos estruturais de de ajuda financeira da UE. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que está “profundamente desapontada” com a falha dos ministros da União Europeia em chegar a um consenso sobre um plano de compartilhamento na relocação de 120.000 refugiados.

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A maioria dos ministros do Interior da União Europeia, em encontro em Bruxelas na segunda-feira, chegou a um acordo inicial para compartilhar 120.000 pessoas que buscaram asilo, além de 40.000 distribuídas em uma base voluntária até o momento. Mas detalhes do acordo, que será formalizado em 8 de outubro, foram vagos, e diversos países ex-comunistas da parte central da Europa rejeitam as cotas obrigatórias. No total, 464.876 imigrantes cruzaram o Mediterrâneo o momento neste ano.

Hungria X Sérvia – A crise dos refugiados também está reativando antigas disputas geopolíticas entre os vizinhos Hungria e Sérvia. O ministro do Trabalho sérvio, Aleksandar Vulin advertiu nesta terça que seu país não aceitará os refugiados que a Hungria tentar devolver “à força”. “Eles (os refugiados) estão no território da Hungria e esperamos que o Estado húngaro os trate como é devido”, disse.

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As autoridades húngaras informaram que devolveriam os solicitantes de asilo que tenham passado antes pela Sérvia. À meia-noite de hoje (19h de segunda-feira em Brasília) entrou em vigor na Hungria uma nova legislação que pune com prisão o cruzamento ilegal da fronteira. Poucas horas antes, Budapeste terminou de instalar uma cerca ao longo dos 175 quilômetros de fronteira com a Sérvia para impedir a entrada dos milhares de refugiados, a maioria vindos de países em conflito no Oriente Médio, que há semanas tentam chegar à Europa ocidental pela rota dos Balcãs, pela qual atravessam Turquia, Grécia, Macedônia e Sérvia.

(Da redação)