Acusador do papa Francisco escrevia discursos para a ditadura

Documentos comprovam que jornalista Horácio Verbitsky, aliado da presidente Cristina Kirchner, redigiu textos para militares durante o período da repressão

Assim que foi nomeado papa em 2013, o cardeal argentino Jorge Bergoglio foi duramente criticado pelo jornalista argentino Horácio Verbitsky. Ele o acusava de ter delatado aos militares dois padres jesuítas, que depois foram torturados durante a cruel ditadura na Argentina (1976-1983).

Essa história, contudo, foi virada pelo avesso.

A denúncia de Verbitsky, um forte aliado da presidente Cristina Kirhcner que escreve para o jornal chapa-branca Página 12, foi negada por um dos dois padres, Francisco Jalics.

Além disso, essa semana, o jornalista foi acusado de ter redigido discursos para os comandantes da Força Aérea, Orlando Ramón e omar Graffigna. A revelação saiu no programa Lanata sin filtro, da Rádio Mitre, e Odissea Argentina, do canal de televisão TN.

Segundo os jornalistas Gabriel Levinas e o engenheiro Pedro Guiraldes, Verbitsky também foi contratado para escrever livros para a Força Aérea em 1978 e 1979.

Verbitsky é diretor da ONG Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), próxima ao governo de Cristina Kirchner.

Uma vez na Casa Rosada, Néstor e, depois, Cristina Kirchner, passaram a se propagandear como os autênticos defensores dos direitos humanos e a se colocarem como os inimigos dos ditadores.

Na segunda-feira, 18 de maio, Cristina Kirchner inaugurou uma exposição no prédio onde funcionava a Escola Superior de Mecânica da Armada (Esma), onde milhares de argentinos foram torturados e mortos . O local, que até então tinha sido mantido intacto como patrimônio histórico, recebeu passarelas e telas planas, irritando museólogos e historiadores.

As acusações contra Verbitsky são a prova de que a história real é quase sempre muito diferente das narrativas fabricadas pelos governos.