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Ação controlada, o terror dos corruptos

Técnica de investigação incluída na lei brasileira pelo então deputado Michel Temer estreou com estrondo na Lava-Jato

Prevendo que seria sugado para o olho do furacão das investigações de corrupção, o empresário Joesley Batista passou a gravar todos os interlocutores com os quais vinha mantendo conversas sobre pagamento de propinas e outros delitos. Dessa forma, ele inverteu a lógica das 160 delações premiadas firmadas desde que a Lava-­Jato começou, há três anos. O empresário apresentou-se voluntariamente, em março, para confessar seus crimes antes de ser preso, cenário que ele e seus advogados consideravam inevitável. O conteúdo dos áudios foi suficiente para convencer os procuradores de que Joesley tinha potencial para conseguir ainda mais provas.

Dono de um assento privilegiado nas relações promíscuas entre o poder econômico e o poder público no Brasil, Joesley aceitou atuar como um agente infiltrado. Além de contar o que sabia — como acontece nas delações —, ele passou a colher provas, dentro do que a lei brasileira define como “ação controlada”. Trata-se de um expediente investigativo usado em diversos países. Nos Estados Unidos, é o principal recurso para desbaratar quadrilhas de narcotráfico, tanto que é elemento central de diversas tramas de Hollywood e da TV americana. Com o conhecimento de um juiz, os investigadores acompanham o funcionamento da organização criminosa, permitindo que ela siga praticando crimes, como forma de angariar mais provas e ampliar o espectro de conhecimento sobre os envolvidos nos atos ilícitos. As informações coletadas por Joesley sob a supervisão da Polícia Federal consistem na primeira ação controlada feita no âmbito da Lava-Jato e, segundo um delegado da PF, servirão como ponto de partida para uma série de investigações, capazes de enredar centenas de agentes públicos.

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Comentários

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  1. Parabéns a operação com o novo sistema de infiltração. Países desenvolvidos fazem isto a muito tempo. Só falta os políticos parasitas brasileiros quererem alterar as leis para benefício próprio.

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  2. Pelo menos no Brasil, é terror de alguns corruptos, não de todos. Os Batista, por exemplo (e aqueles que os hão de copiar futuramente) se saíram muito bem. A propósito, comparar um presidente de república democrática com um presidente de federação de futebol? Vocês já tiveram dias melhores. Quem sabe conseguem explicar por que tal procedimento não foi utilizado com figurões como Lula, por exemplo, em relação a quem sobram depoimentos e faltam provas. Não seria mais condizente da perspectiva da Lava Jato e da PGR?

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  3. Delação premiada, ação controlada : só falta a pena de morte para os saqueadores dos cofras públicos e sabotadores da Democracia.

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  4. Onde há bilhões há corrupção. A FIFA é um antro de corrupção.

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  5. ViP Berbigao

    O futebol como esporte é maravilhoso. Porém tornou-se uma coisa ‘miserável’ da forma como está sendo explorado. Nem jogo da seleção vejo mais. Vão morrer de fome por falta de audiência esses calhordas se dependerem da minha família.

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  6. marilia marques

    maravilhosa reportagem!!! não sabia dessa “ação controlada” em lei brasileira! realmente esta notícia me deu grande esperança no combate e eliminação da corrupção no nosso pais. parabéns à Revista Veja.

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