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80% dos refugiados estão em países em desenvolvimento

Número de exilados chega a 43,7 milhões; mas só 25 milhões recebem ajuda

“Há um profundo desequilíbrio no apoio internacional às vítimas de deslocamentos forçados no mundo”, reconhece o relatório das Nações Unidas

Cerca de 80% dos refugiados do mundo foram acolhidos por países em desenvolvimento, informou nesta segunda-feira a Organização das Nações Unidas (ONU) em um relatório divulgado em alusão ao Dia Mundial do Refugiado. O número de pessoas obrigadas a deixar suas casas devido a desastres naturais, violações de direitos humanos, violência, ou perseguições soma 43,7 milhões – o maior número em 15 anos, que supera, por exemplo, a população da Argentina.

Desse total, 27,5 milhões são deslocados internos por conflitos, e somente cerca de 25 milhões receberam assistência e proteção das Nações Unidas no final do ano passado. Entretanto, o relatório traz dados referentes até 31 de dezembro de 2010, e não contabilizam os exilados pelos recentes conflitos em países árabes, como Líbia, Tunísia e Síria.

“As causas de deslocamento não estão sendo resolvidas. Neste ano, tivemos conflitos no norte da África, Costa do Marfim, Síria, Sudão e outros lugares que motivaram a fuga de pessoas”, sustentou o alto comissário adjunto para os refugiados, Alexander Aleinikoff, na apresentação do relatório 2010 do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), que reúne as estatísticas anuais.

Desequilíbrio – Três em cada quatro refugiados moram em países vizinhos ao de origem e 42% do total vivem em nações onde o Produto Interno Bruto (PIB) per capita é inferior a 3.000 dólares. “Há um profundo desequilíbrio no apoio internacional às vítimas de deslocamentos forçados no mundo”, reconhece o relatório. Em 2010, o número de pedidos de asilo subiu para 850.000, sendo que um quinto deles vem da África do Sul. Dos solicitantes de asilo, 15.500 correspondem a crianças órfãs, procedentes principalmente da Somália e do Afeganistão.

O número de refugiados assentados e de retornos aos países de origem, porém, diminuiu significativamente. “Em 2010, menos de 200.000 pessoas retornaram para suas casas, o que representa a menor quantia dos últimos dez anos”, precisou o funcionário. Paquistão, Irã e Síria são os países quem mais recebem refugiados; com 1,9 milhão; 1,1 milhão e um milhão; respectivamente.

“Precisamos de soluções”, reivindicou Aleinikoff, destacando que 7 milhões vivem como refugiados “de longo prazo” (por cinco anos ou mais). A população com maior número de refugiados é a afegã, com 3 milhões; seguida pelos iraquianos, com 1,6 milhão, somalis (770.000), da República Democrática do Congo (476.000) e de Mianmar (415.000).

Brasil – Segundo estatísticas do Conare (Comitê Nacional para Refugiados), o Brasil abriga atualmente 4.400 refugiados de 77 nacionalidades. Eles são, em sua maioria, angolanos, colombianos, congoleses, liberianos e iraquianos.

(Com agência EFE)