Trecho de Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen Covey
Prefácio
O mundo mudou dramaticamente depois da primeira edição de Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. A vida está mais complexa, mais estressante e exige mais de nós. Fizemos a transição da Era Industrial para a Era da Informação/Profissional do Conhecimento, com todas as suas profundas consequências. Enfrentamos desafios e problemas na vida pessoal, na família e nas empresas onde trabalhamos, inimagináveis há uma ou duas décadas. Esses desafios não são apenas de uma nova ordem de magnitude; eles são de um tipo completamente diferente.
Essas mudanças radicais na sociedade e as modificações retumbantes no mercado global digitalizado dão origem a uma pergunta muito importante que me fazem com relativa frequência: “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes ainda são relevantes hoje?” A minha resposta é a seguinte: quanto maior a mudança e quanto mais difíceis os desafios, mais relevantes tornam-se os hábitos. O motivo é que os nossos problemas e a dor são universais e estão aumentando, e as soluções dos problemas se baseiam e sempre se basearão em princípios universais, atemporais e óbvios por si mesmos, comuns a toda sociedade duradoura e próspera ao longo da história. Eu não os inventei e eles não me devem ser atribuídos. Simplesmente os identifiquei e organizei em uma estrutura sequencial.
Um dos ensinamentos mais profundos que aprendi na vida foi o seguinte: se você quiser alcançar as suas maiores aspirações e superar os seus maiores desafios, identifique e aplique o princípio ou a lei natural que governa os resultados que você procura. A maneira como aplicamos um princípio varia enormemente e será determinada por nossos talentos, determinação e criatividade, mas, em última análise, o sucesso em qualquer empreendimento sempre resulta do fato de agirmos em harmonia com os princípios aos quais o sucesso está vinculado.
Muitas pessoas não pensam dessa maneira, pelo menos conscientemente. Na verdade, você descobrirá cada vez mais que as soluções baseadas nos princípios formam um nítido contraste com as práticas e as ideias comuns da nossa cultura popular. Permita-me ilustrar esse contraste com alguns dos desafios humanos mais comuns que enfrentamos.
O medo e a insegurança. Hoje em dia, um grande número de pessoas é dominado por uma sensação de medo. Elas temem o futuro. Sentem-se vulneráveis no local de trabalho. Receiam perder o emprego e a capacidade de prover a subsistência da família. Essa vulnerabilidade frequentemente estimula as pessoas a levarem uma vida que não contém riscos e sem codependência com os colegas de trabalho e os familiares. A resposta comum das pessoas da nossa cultura a esse problema é tornar-se cada vez mais independente. “Vou me concentrar em ‘mim e no que é meu’. Vou fazer muito bem o meu trabalho e depois me entregar à minha verdadeira alegria fora do trabalho.” A independência envolve um valor e uma realização importantes e até mesmo vitais. O problema é que vivemos em uma realidade interdependente, e as nossas realizações mais importantes requerem habilidades de interdependência que estão bem além das que possuímos atualmente.
Prefácio
“Quero isso agora.” As pessoas querem as coisas e as querem agora. “Quero dinheiro. Quero uma casa grande e confortável, um carro bonito, o maior e o melhor centro de entretenimento. Quero tudo isso porque mereço.” Embora a sociedade atual do “cartão de crédito” torne fácil “receber agora e pagar depois”, as realidades econômicas finalmente se manifestam e somos lembrados, às vezes de maneira dolorosa, que as nossas aquisições não podem superar nossa capacidade contínua de produzir. Fingir que a situação é diferente é insustentável. As exigências dos juros são implacáveis e inexoráveis. Nem mesmo trabalhar arduamente é suficiente. Com a vertiginosa taxa de mudança na tecnologia e a crescente competição motivada pela globalização dos mercados e da tecnologia, não apenas temos de ser instruídos, como também precisamos constantemente reeducar e reinventar a nós mesmos. Temos de desenvolver a nossa mente e continuamente aprimorar e investir no desenvolvimento da nossa competência para não nos tornarmos obsoletos. No trabalho, o chefe promove resultados, e por uma razão muito boa. A competição é violenta; a sobrevivência está em jogo. A necessidade de produzir hoje é a realidade atual e representa as demandas de capital, mas o verdadeiro mantra do sucesso é a sustentabilidade e o crescimento. Você pode ser capaz de satisfazer os seus valores trimestrais, mas a verdadeira pergunta é se você está fazendo o investimento necessário para sustentar e aumentar esse sucesso daqui a um, cinco e dez anos. A nossa cultura e Wall Street clamam por resultados hoje, mas o princípio de equilibrar as necessidades de satisfazer às demandas de hoje e de investir nos recursos que produzirão o sucesso de amanhã é inevitável. O mesmo é verdadeiro com relação à sua saúde, ao seu casamento, aos seus relacionamentos familiares e às necessidades da sua comunidade.
A culpa e a condição de vítima. Onde quer que você encontre um problema, você geralmente encontra o dedo acusatório da culpa. A sociedade está viciada em bancar a vítima. “Se ao menos o meu chefe não fosse um idiota tão controlador... Se ao menos eu não tivesse nascido tão pobre... Se ao menos eu morasse num lugar melhor... Se ao menos eu não tivesse herdado o temperamento do meu pai... Se ao menos os meus filhos não fossem tão rebeldes... Se ao menos o outro departamento não bagunçasse as ordens o tempo todo... Se ao menos a nossa indústria não estivesse tão decadente... Se ao menos o nosso povo não fosse tão preguiçoso e desmotivado... Se ao menos a minha mulher fosse mais compreensiva... Se ao menos... Se ao menos.” Culpar a todos e a tudo pelos nossos problemas e desafios pode ser uma norma e talvez alivie temporariamente a dor, mas também nos acorrenta a esses problemas. Mostre-me uma pessoa que seja suficientemente humilde para aceitar e assumir a responsabilidade pelas suas circunstâncias e corajosa o bastante para tomar qualquer iniciativa necessária para criativamente atravessar ou contornar esses desafios, e eu mostrarei a você o supremo poder da escolha.
Desesperança. Os filhos da culpa são o ceticismo e a desesperança. Quando nos permitimos acreditar que somos vítimas das nossas circunstâncias e cedemos ao problema do determinismo, perdemos a esperança e a motivação e nos acomodamos à resignação e à estagnação. “Sou um joguete, um fantoche, um dente de engrenagem, e não há nada que eu possa fazer a respeito. Simplesmente diga-me o que fazer.” Muitas pessoas brilhantes e talentosas sentem-se assim e sofrem o amplo leque de desânimo e depressão que se segue. A reação de sobrevivência da cultura popular é o ceticismo: “Simplesmente reduza as suas expectativas na vida a ponto de não ser desapontado por ninguém ou por nada.” O princípio contrastante de crescimento e esperança ao longo da história é a descoberta: “Eu sou a força criativa da minha vida.”
Falta de equilíbrio na vida. A vida na nossa sociedade do telefone celular está cada vez mais complexa, exigente, estressante e completamente exaustiva. Apesar de todos os nossos esforços para administrar o nosso tempo, fazer mais, ser mais e alcançar uma eficiência maior por meio das maravilhas da tecnologia moderna, por que cada vez mais nos surpreendemos altamente envolvidos e empenhados em fazer tarefas sem importância, subordinando a saúde, a família, a integridade e muitas das coisas mais importantes ao nosso trabalho? O problema não é o nosso trabalho, que é o mecanismo sustentador da vida. Tampouco é a complexidade ou a mudança. O problema é que a nossa cultura moderna diz: “chegue mais cedo, trabalhe até mais tarde, seja mais eficiente, sacrifique-se no momento.” No entanto, a verdade é que o equilíbrio e a paz de espírito não são produzidos por essas condições; eles acompanham a pessoa que desenvolve uma noção clara das suas prioridades mais elevadas e que vive voltada para elas com ênfase e integridade.
“O que eu vou lucrar com isto?” A nossa cultura nos ensina que, se quisermos conquistar algo na vida, temos de colocar os nossos interesses em primeiro lugar. Ela diz: “A vida é um jogo, uma corrida, uma competição, e é melhor que você vença.” Os colegas de escola, de trabalho e até mesmo a família são vistos como competidores; quanto mais eles ganham, menos resta para nós. Claro que tentamos parecer generosos e torcer pelo sucesso dos outros, mas, no íntimo, secretamente, muitos de nós nos roemos de inveja quando os outros são bem-sucedidos. Muitas das grandes conquistas na história da nossa civilização foram alcançadas pela vontade independente de uma alma determinada. No entanto, as maiores oportunidades e realizações ilimitadas da Era do Profissional do Conhecimento estão reservadas para aqueles que dominam a arte do “nós”. A verdadeira grandeza será alcançada por meio da mente abundante que trabalha de maneira altruísta, com respeito mútuo, visando ao benefício mútuo.
A ânsia de ser compreendido. Poucas necessidades do coração humano são maiores do que a necessidade de ser compreendido, de ter uma voz que seja ouvida, respeitada e valorizada, de ter influência. A maioria das pessoas acredita que o segredo da influência é a comunicação, fazer-se compreendido e falar de modo persuasivo. Na verdade, se você pensar a respeito, você já percebeu que, enquanto outras pessoas estão falando com você, em vez de realmente prestar atenção para tentar entender, você frequentemente se ocupa preparando a sua resposta? A influência realmente começa quando os outros sentem que você está sendo influenciado por eles, quando eles percebem que você os entende, que você os escutou profunda e sinceramente, e que você está receptivo. No entanto, quase todas as pessoas são excessivamente vulneráveis emocionalmente para ouvir profundamente, para interromper o seu programa por tempo suficiente para se concentrarem em entender antes de comunicar as próprias ideias. A nossa cultura clama, até mesmo exige, o entendimento e a influência. No entanto, o princípio da influência é governado pelo entendimento mútuo nascido do empenho de pelo menos uma pessoa, no sentido de ouvir primeiro profundamente.
O conflito e as diferenças. As pessoas têm muitas características em comum, mas ao mesmo tempo são magnificamente diferentes. Elas pensam de um modo diferente; elas possuem valores, motivações e objetivos diferentes e, às vezes, competitivos. Os conflitos surgem naturalmente dessas diferenças. A abordagem competitiva da sociedade para resolver o conflito e as diferenças tende a se concentrar em “ganhar o mais que você puder”. Embora muito de bom tenha surgido da habilidosa arte da concessão, quando ambos os lados cedem nas suas posições até que um ponto intermediário aceitável seja alcançado, nenhum dos lados termina verdadeiramente satisfeito. Que desperdício permitir que as diferenças conduzam as pessoas ao mínimo denominador comum entre elas! Que desperdício deixar de pôr em ação o princípio da cooperação criativa para desenvolver soluções melhores do que a ideia original de cada parte para os problemas!
Estagnação pessoal. A natureza humana é quadridimensional: corpo, mente, coração e espírito. Considere as diferenças e os frutos das duas abordagens:
Corpo:
Tendência cultural: manter o estilo de vida;tratar os problemas de saúde com cirurgia e medicamentos.
Princípio: evitar as doenças e os problemas alinhando o estilo de vida para que fique em harmonia com princípios de saúde estabelecidos e aceitos universalmente.
Mente:
Tendência cultural: assistir à televisão, “entreter-se”.
Princípio: ler ampla e profundamente, educação contínua.
Coração:
Tendência cultural: usar os relacionamentos com os outros para favorecer os seus interesses pessoais e egoístas.
Princípio: ouvir profundamente os outros com respeito e servi-los são atitudes que causam enorme realização e alegria.
Espírito:
Tendência cultural: sucumbir a um crescente secularismo e ceticismo.
Princípio: reconhecer que a origem da nossa necessidade fundamental de significado e de tudo positivo que buscamos na vida são os princípios, cujas leis naturais eu pessoalmente acredito terem sua origem em Deus.
Eu o convido a ter em mente tanto esses desafios universais quanto as suas necessidades e os desafios exclusivos. À medida que fizer isso, você encontrará soluções e orientações. Você também descobrirá que o contraste entre a abordagem da cultura popular e a abordagem atemporal, que contém princípios de todas as eras, se tornará cada vez mais evidente.
Em uma derradeira nota pessoal, quero repetir uma pergunta que faço constantemente quando leciono: “Quantas pessoas no seu leito de morte desejariam ter passado mais tempo no escritório ou assistindo à televisão?” A resposta é: “Ninguém”. Elas pensam nos seus entes queridos, nos seus familiares e naqueles a quem elas serviram.
Até mesmo o grande psicólogo Abraham Maslow colocou, no final da vida, a felicidade, a realização e as contribuições dos seus descendentes à frente da sua autorrealização (a necessidade máxima da sua famosa “hierarquia de necessidades”). Ele a chamou de autotranscendência.
O mesmo acontece comigo. O maior e mais satisfatório impacto dos princípios expressados em Os 7 Hábitos emerge, de longe, da vida dos meus filhos e netos.
Shannon, minha neta de 19 anos, por exemplo, sentiu-se “atraída” para servir aos órfãos da Romênia e escreveu para Sandra e para mim sobre uma epifania um dia depois de uma criança doente ter vomitado nela e, a seguir, ter estendido os braços para receber um abraço. Naquele momento, Shannon tomou a seguinte decisão interior: “Não quero mais viver uma vida egoísta. Preciso passar a minha vida servindo.” Na época em que escrevi estas linhas, ela voltou para a Romênia e ainda está servindo ao povo daquele país.
Todos os nossos filhos estão casados e, ao lado de seus parceiros, desenvolveram declarações de missão baseadas em princípios e voltadas para o serviço. Vê-los viver essas declarações de missão nos confere alegria na nossa posteridade.
Agora que você inicia a leitura de Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, também prometo que terá uma emocionante aventura de aprendizado. Compartilhe o que estiver aprendendo com os seus entes queridos e, acima de tudo, comece a aplicar o que aprender. Lembre-se de que aprender e não fazer na verdade é não aprender. Saber e não fazer na verdade é não saber.
Eu pessoalmente considero viver os 7 Hábitos uma luta constante, principalmente porque, quanto melhor nos tornamos, a natureza do desafio muda, exatamente como acontece no esqui, no golfe, no tênis ou em qualquer esporte. Como eu sinceramente me esforço e luto todos os dias para viver esses hábitos com princípios incorporados, junto-me calorosamente a você nesta aventura.

