Marcos Valério

Perfil

NOME Marcos Valério

IDADE

PROFISSÃO/CARGO Empresário

Escândalos
Confira em que escândalos esse personagem se envolveu – e sua participação em cada um
  • Escândalo do Mensalão
    • Envolvimento

      Foi apontado como o operador do mensalão. Abastecia os cofres petistas para o pagamento de deputados por meio de empréstimos fraudulentos repassados pelos bancos BMG e Rural a seu grupo publicitário, composto pelas agências DNA e SMPB - que serviam também para repassar dinheiro aos parlamentares. Diz o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em seu parecer: "De mero financiador do projeto ilícito de José Dirceu, [Valério] tornou-se personagem influente, com poder até para negociar a formação da base aliada do governo, tornando-se homem de confiança de Dirceu". É o recordista em denúncias: formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, peculato, evasão de divisas.

      O que aconteceu

      Valério foi condenado no pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de peculato (3x), formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa (3x). As penas impostas a ele pela Corte chegam a 40 anos de prisão. Também foi sentenciado ao pagamento de multa no valor de 2,78 milhões de reais. Em outubro de 2012, foi condenado também pela Justiça Federal, desta vez pelo crime de falsidade ideológica, em processo relativo ao mensalão. A juíza Camila Franco e Silva Velano considerou-o culpado a partir de uma denúncia de "gestão fraudulenta e falsidade ideológica" feita pelo Ministério Público por causa de operações irregulares de empréstimo entre o banco BMG e o PT. A Justiça considerou que o banco liberou ao PT 44 milhões de reais em empréstimos simulados.

      Após a eclosão do escândalo, o lobista e hoje ex-carequinha abandonou a publicidade e tornou-se empresário da pecuária - e, nem assim, sua ficha criminal parou de crescer. Em 2009, foi acusado de chefiar uma quadrilha que tinha como objetivo burlar a Receita do governo de São Paulo. A Polícia Federal diz que o lobista comandava um esquema para livrar a cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava, de uma multa de 105 milhões de reais. As investigações o colocaram na cadeia, mas por apenas três meses. Três anos depois, o Ministério Público o denunciou, ao lado da mulher, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, por utilizarem a empresa 2S Participações Ltda. para lavar "vários milhões de reais" provenientes do mensalão. No mesmo ano, foi condenado a seis anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime semiaberto, por transmitir informações falsas ao Banco Central sobre as operações e a situação financeira da agência SMPB no Banco Rural. O crime foi cometido em 1999 e o empresário recorre em liberdade. Ainda em 2011, Valério e a mulher foram denunciados pelo MP pela venda de um terreno bloqueado pelo STF em Minas Gerais. Foi preso em 2 de dezembro deste ano acusado de integrar um esquema de grilagem e falsificação de títulos de terras na Bahia.

      Em 14 de fevereiro de 2012, em processo que corre em Minas Gerais, a Justiça Federal condenou Marcos Valério Fernandes e seus antigos sócios Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso a nove anos de prisão por sonegação fiscal e falsificação de documentos entre os anos de 2003 e 2004, do que podem recorrer em liberdade. Apesar da extensa ficha, ele segue na ativa. Conforme revelou reportagem do jornal O Globo em novembro de 2011, Valério atualmente despacha em Belo Horizonte, na sede da T&M Consultoria Ltda, antiga Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, que o teve como sócio até 2005. A consultoria medeia contratos entre empresas e o poder público. Para a oposição, o sucesso obtido pelas empresas que contratam a T&M é, na verdade, uma tentativa do governo de manter Marcos Valério em silêncio. Manter o empresário calado, aliás, tem se tornado cada vez mais difícil para o PT. Em setembro de 2012, VEJA trouxe à tona alguns dos segredos guardados pelo operador financeiro do mensalão. Entre eles, a informação de que o ex-presidente Lula teve papel de protagonista no esquema.

      Pouco depois, o empresário informou o STF, por meio de um fax, que estava disposto a contar o que sabe. Ele também foi ouvido pelo Ministério Público em busca de um acordo de delação premiada - um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios. À procuradoria o empresário informou, pela primeira vez, ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002. O relato do publicitário é de que Lula e seu braço-direito Gilberto Carvalho (atual secretário-geral da Presidência) estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime.  Procurado pelos petistas para dar aos achacadores o dinheiro que eles buscavam, Valério recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse ele. Valério ainda  diz ser capaz de desvendar o mistério sobre a origem do 1,7 milhão de reais apreendidos pela Polícia Federal no escândalo do dossiê dos aloprados, em 2006. E de dar detalhes comprometedores sobre a participação do ex-ministro Antonio Palocci na arrecadação de recursos para o caixa do PT.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 13/11/2012

  • Valerioduto mineiro
    • Envolvimento

      Foi o operador do esquema. As investigações apontam que Valério transferiu pelo menos 28,515 milhões de reais para a coordenação financeira da campanha do tucano. Segundo a PF, o dinheiro para a campanha de Azeredo foi levantado por meio de patrocínios de estatais mineiras a eventos esportivos. O trambique foi viabilizado com a participação da SMP&B, responsável por captar e repassar os montantes obtidos junto às estatais para a campanha eleitoral. Além disso, Valério obtinha empréstimos fraudulentos com o Banco Rural para investir na campanha de Azeredo e remunerar os demais membros do grupo pelos favores prestados. Ao fim, pagava os empréstimos com dinheiro desviado de órgãos públicos.

      O que aconteceu

      Condenado no julgamento do mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal a mais de 40 anos de prisão, Valério responde na Justiça de Minas Gerais pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 25/02/2013

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A cada escândalo, uma rede de contatos
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Edição: Carolina Farina e Daniel Jelin     Reportagem: William Magalhães     Design: Sidclei Sobral     Programação: Caroline Rozendo e Lucas Dantas
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