José Dirceu

Perfil

NOME José Dirceu

IDADE

PROFISSÃO/CARGO Ex-ministro da Casa Civil, ex-deputado federal, ex-presidente do PT; advogado

PARTIDO PT

Escândalos
Confira em que escândalos esse personagem se envolveu – e sua participação em cada um
  • Escândalo do Mensalão
    • Envolvimento

      Como presidente do PT, o ex-militante de esquerda, cassado e exilado durante a ditadura militar, arquitetou a campanha que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Como ministro da Casa Civil, foi o homem forte do governo. Pouco mais de um ano depois de atingir o apogeu, os problemas de Dirceu começaram. Na Casa Civil, sua turma ficou conhecida como o pedaço mais contaminado do governo. Waldomiro Diniz, um de seus principais assessores, responsável pela negociação de cargos e emendas com deputados e senadores, caiu em fevereiro de 2004 ao ser pilhado num vídeo em que pedia propina a um empresário de jogos. Depois de Waldomiro, veio Roberto Jefferson. O ex-deputado acusou Dirceu de comandar o esquema do mensalão. E, segundo descreveu o procurador-geral da República Antônio Fernandes Souza em 2006, o ex-ministro era sim o chefe da quadrilha. O relatório que pediu a cassação de seu mandato, em dezembro de 2005, listou sete acusações: comandar o pagamento do mensalão, participar da farsa dos empréstimos bancários ao PT, traficar influência para beneficiar sua ex-mulher, beneficiar um banco com crédito consignado, contemplar outro com investimentos de fundos de pensão, defender interesses patrocinados por Marcos Valério e, por fim, ter um assessor na lista dos regalados com dinheiro do valerioduto.

      O que aconteceu

      Foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Deverá cumprir ao menos um sexto da pena - 1 ano e nove meses - atrás das grades. Também foi condenado ao pagamento de multa de 676 mil reais. Em 2011, um parecer do procurador-geral da República enviado ao STF afirmava que "as provas coligidas no curso do inquérito e da instrução criminal comprovaram, sem sombra de dúvida, que José Dirceu agiu sempre no comando das ações dos demais integrantes dos núcleos político e operacional do grupo criminoso. Era, enfim, o chefe da quadrilha". 

      Dirceu deixou a Casa Civil em junho de 2005, após 30 meses no governo - e cinquenta horas depois de uma cena emblemática: ao depor no processo de cassação de seu mandato, Roberto Jefferson pediu a demissão de Dirceu. "Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula." E, olhando para a câmera de televisão, ele acrescentou: "Rápido, sai daí rápido, Zé!". O ex-ministro chegou a afirmar que saía de "mãos limpas" e "cabeça erguida". Fora da Casa Civil, retomou seu mandato como deputado prometendo esclarecer todas as denúncias contra ele. Não foi o que se viu. Resultado: em dezembro, Dirceu teve o mandato cassado e perdeu os direitos políticos por oito anos. Tornou-se, então, consultor de empresas. Embora inelegível, o ex-ministro segue atuando no mundo da política - agora, porém, nos bastidores. Conforme relevou VEJA em outubro de 2011, Dirceu mantém um "gabinete" num hotel de Brasília para tratar de política. 

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 13/11/2012

  • Caso Waldomiro Diniz
    • Envolvimento

      O escândalo atingiu Dirceu em cheio. Waldomiro era mais do que um simples assessor. Circulava com desembaraço entre empresários e políticos na condição de braço direito do mais poderoso ministro do governo. Os dois se conheciam desde 1992, quando Waldomiro, bancário experimentado, auxiliou os trabalho da CPI que investigou as contas fantasmas do esquema PC Farias. Foi nessa época que Waldomiro ganhou a confiança do então deputado José Dirceu.

      O que aconteceu

      Dirceu resistiu às denúncias de 2004, mas encolheu: não recuperou nem seu prestígio nem sua ascendência sobre os demais ministros, passando o posto de homem-forte de Lula ao ministro da Fazenda Antonio Palocci. A Controladoria-Geral da União não investigou o caso alegando que não tinha poderes para apurar denúncias na Casa Civil. No ano seguinte, Dirceu deixaria o governo em meio ao escândalo do mensalão.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 17/04/2012

  • Caso Celso Daniel
    • Envolvimento

      João Francisco Daniel, um dos irmãos de Celso Daniel, disse à polícia que Gilberto Carvalho lhe contou ter levado a José Dirceu, que então presidia o PT, 1,2 milhão de reais do esquema de corrupção em Santo André. Dirceu sempre negou.

      O que aconteceu

      Tanto Dirceu como Carvalho foram poupados do indiciamento no relatório final da CPI dos Bingos, em 2006.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 17/04/2012

  • Caso GTech
    • Envolvimento

      Dirceu era o todo-poderoso chefe da Casa Civil no tempo em que Waldomiro e a diretoria da GTech discutiam a renovação do contrato da empresa com a Caixa Econômica Federal.

      O que aconteceu

      Uma sindicância do Palácio do Planalto concluiu que Waldomiro Diniz usou o cargo na Casa Civil para traficar influência junto à CEF, na renovação do contrato da GTech, mas não apontou se o assessor agia por contra própria ou a mando de Dirceu.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 17/04/2012

  • Caso Cachoeira
    • Envolvimento

      Carlinhos Cachoeira ficou conhecido nacionalmente em 2004, quando estourou o primeiro escândalo do governo Lula, o caso Waldomiro Diniz. Na ocasião, soube-se que o bicheiro havia sido achacado pelo ex-assessor de Dirceu, então ministro da Casa Civil - que à época preparava meios de legalizar o jogo no país. Oito anos depois, Cachoeira é alvo de operação da PF, e uma das linhas de investigação são as relações do bicheiro com a empreiteira que mais cresceu no país, contando com os serviços do hoje consultor José Dirceu. Trata-se da Delta, de Fernando Cavendish. Em 2009, a empresa contratou a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu. No mesmo ano, ganhou 733 milhões de reais em contratos com o governo, o dobro de 2008. Em 2011, já era a principal empreiteira do PAC. Dirceu é acusado de fazer tráfico de influência em favor da Delta. Quem diz isso, sem meias palavras, é Romênio Marcelino Machado, antigo dono da Sigma, empresa comprada pela Delta, em uma operação que foi parar na Justiça. O caso foi revelado por VEJA na edição de 11 maio de 2011, quase um ano antes do caso Cachoeira vir à tona. A mesma reportagem revela uma reunião entre os sócios da Delta em que Cavendish diz o que pensa da política e dos políticos: 'Se eu botar 30 milhões na mão de políticos, sou convidado para coisas para 'c...'. Pode ter certeza disso!'.

      O que aconteceu

      Em seu blog, Dirceu diz que a imprensa tenta desviar o foco das investigações, que está processando por calúnia o antigo dono da Sigma e que a consultoria contratada tinha por objeto a análise de investimentos na América Latina. A Delta diz que o conteúdo do grampo não expressa a opinião de Cavendish, que a frase foi dita em tom de bravata, que o áudio é clandestino e que Dirceu não lhe prestou tráfico de influência.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 19/04/2012

  • Operação Porto Seguro
    • Envolvimento

      Rosemary de Noronha foi assessora de Dirceu durante doze anos, tempo em que também cuidava da agenda e das contas do ex-presidente Lula. À Polícia Federal, o delator do esquema, Cyonil Borges, afirmou que Dirceu teria interesse no processo do Tribunal de Contas da União (TCU) fraudado para favorecer a empresa Tecondi. Ao relatar conversas que teve com Paulo Vieira, Cyonil disse ter ouvido dele comentário sobre o ex-titular da Casa Civil. "Recordo-me que Paulo sempre falava que era o César (Carlos César Floriano, dono da Tecondi) que iria fazer contato quanto ao assunto do parecer favorável à Tecondi, sendo que, inicialmente, mencionara que José Dirceu tinha interesse no andamento do processo". Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Cyonil afirmou ter recebido oferta de suborno de 300.000 reais de Dirceu em troca de ajuda para a Tecondi. Segundo ele, a oferta foi feita por intermédio de Paulo Vieira. 

      O que aconteceu

      Durante o depoimento à PF, Cyonil não foi perguntado e não deu mais detalhes sobre o envolvimento de Dirceu. O ex-chefe da Casa Civil, condenado por chefiar a quadrilha do mensalão, nega qualquer envolvimento com o bando de Vieira ou a Tecondi.

      Entenda o escândalo

      Atualizado em 17/12/2012

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A cada escândalo, uma rede de contatos
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Edição: Carolina Farina e Daniel Jelin     Reportagem: William Magalhães     Design: Sidclei Sobral     Programação: Caroline Rozendo e Lucas Dantas
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