Atos Secretos | Sobre o Escândalo

O que fez:
Embora tenha declarado que a crise não era dele, mas do Senado, Sarney esteve desde o início no centro dos escândalos. Em primeiro lugar, Sarney exercia pela terceira vez a presidência da casa. Em segundo lugar, o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, principal operador do esquema dos atos secretos, havia chegado ao cargo por sua indicação, em 1995. Como se não bastasse, uma longa série de denúncias envolvia diretamente seu clã: um neto intermediava empréstimos consignados no Senado; outro era funcionário-fantasma; um parente recebia salário do Senado mesmo morando na Espanha; o mordomo da casa da filha Roseana Sarney recebia 12 000 reais como funcionário do Senado; outros sete parentes do senador também faziam parte da folha de pagamento da Casa; o filho do meio, Fernando Sarney, o próprio senador recebeu durante quatro meses auxílio-moradia de 3 800 reais, embora tenha residência própria em Brasília; emprestou de maneira irregular um apartamento funcional; e deslocou seguranças do Senado para defender seus imóveis no Maranhão.

O que aconteceu:
Após a defesa de Lula, todas as denúncias contra Sarney foram arquivadas no Conselho de Ética do Senado. Parte delas foi investigada pela polícia, mas as investigações não deram em nada até hoje. Em sua biografia autorizada, Sarney acusa Tião Viana (PT-AC) de ter provocado a crise dos atos secretos. Em 2011, Sarney foi reeleito presidente da Casa.