Mifune (Mifunes Sidste Sang, Dinamarca/Suécia, 1999. Cult)

Os mandamentos do movimento dinamarquês Dogma 95 são radicais: é proibido usar luz artificial, trilha sonora ou cenários - apenas locações de verdade são permitidas. Câmara só na mão, sem tripé, e o diretor não assina o filme. Esse voto de pobreza produziu fitas muito comentadas, como Festa de Família, Os Idiotas e Mifune, que chega agora em vídeo e é, disparado, o melhor exemplar do trio, até por ser o menos "dogmático". Ou seja, o diretor Soren Kragh-Jacobsen (sim, sabe-se sempre quem é o autor da obra) não fica balançando a câmara desnecessariamente, só para parecer anárquico. A história também é acima da média. Kresten, o protagonista, posa de empresário bem-sucedido e acaba de se casar. Mas, quando seu pai morre, é obrigado a reencontrar o passado, na forma de uma fazenda caindo aos pedaços e um irmão deficiente mental. Precisando de ajuda, contrata uma empregada - aliás, uma prostituta perseguida por um psicopata. Logo, tudo o que parecia horrível se torna promissor. Um filme surpreendente.


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