Poemas, de Jacques Prévert (tradução de Silviano Santiago; Nova Fronteira; 158 páginas; 23 reais)

No centenário de nascimento do poeta francês, a editora Nova Fronteira coloca mais uma vez em circulação esta simpática coletânea bilíngüe. Ela já teve sete tiragens no Brasil, coisa rara para um livro de versos. É que Prévert é um craque da poesia popular. Escreve com leveza e humor, quase sempre abordando assuntos do cotidiano. Os críticos mais carrancudos não cansam de desancá-lo, mas isso de nada vale. Na França, os leitores aprendem a gostar dele ainda no liceu - e mantêm na memória, ao longo de toda a vida, versos como os do poema Café da Manhã.

Café da manhã

Pôs café
na xícara
Pôs leite
na xícara com café
Pôs açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu café com leite
E pôs a xícara no pires
Sem me falar
acendeu
um cigarro
fez círculos
com a fumaça
Pôs as cinzas
no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs
o chapéu na cabeça
Vestiu
a capa de chuva
porque chovia
E saiu

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