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Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder, Estados Unidos, 1959. Columbia)

No final dos anos 50, o ator James Stewart era conhecido por interpretar sempre o papel do sujeito honesto, do tipo que toda mãe gostaria de ter como genro. Assim, foi chocante para o público vê-lo na pele de um advogado meio picareta que, a fim de impulsionar sua carreira, agarra a chance de defender um militar acusado de assassinar o homem que estuprou sua mulher. Pior: nem o marido é flor que se cheire, nem a esposa é das mais devotadas. O diretor austríaco Otto Preminger, que já vinha de uma série de filmes polêmicos (como O Homem do Braço de Ouro, em que Frank Sinatra vivia um viciado em heroína), se superou nesse trabalho. Palavras fortes e temas como violência sexual eram tabu no cinema americano da época, mas Preminger os aborda sem subterfúgios. Atenção, por exemplo, à seqüência em que Stewart discute se houve ou não clímax sexual durante o estupro. Embora não causem mais escândalo, cenas como essa não perderam sua força, graças às interpretações de primeira, à direção contundente e ao roteiro imbatível - os diálogos são de deixar envergonhado até o mais habilidoso dos escritores atuais. De bônus, Duke Ellington, que fez a trilha, também aparece em cena. .

 
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