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Pirâmide,
de Ismail Kadaré (tradução de Bernardo Joffily; Companhia das Letras;
144 páginas; 22 reais)
O leitor acostumado aos romances cheios de fantasia do francês Christian
Jacq poderá encontrar neste livro um olhar diferente sobre o antigo
Egito. O assunto abordado pelo albanês Ismail Kadaré, um dos mais
importantes escritores europeus da atualidade, é a construção da gigantesca
pirâmide de Quéops. Mais do que um romance histórico, o que ele acaba
produzindo, com seu texto enxuto e irônico, é uma vigorosa alegoria
sobre os governos totalitários. O poder absoluto do faraó e a violência
a que eram submetidos os operários do antigo Egito espelham o terror
de vários regimes políticos do mundo contemporâneo. Kadaré sabe do
que está falando: sua Albânia natal foi dominada com mão de ferro
pelo ditador comunista Enver Hoxha, aquele sujeitinho ordinário que
o PC do B idolatra. Antes de morrer, Hoxha ordenou que se construísse
um monumento em sua homenagem - em forma de uma grande pirâmide, é
claro.
>> Primeiro capítulo:
"1. Origens. Uma velha idéia a custo redescoberta
Quando, numa manhã de outono, o novo faraó Quéops, entronizado poucos
meses antes, disse que talvez não mandasse erguer uma pirâmide para
si, aqueles que o ouviram - o astrólogo do palácio e alguns dos ministros
mais próximos, o velho conselheiro Uzerkaf e o sumo sacerdote Hemiun,
que era também o sumo arquiteto do Egito -franziram o cenho como se
houvessem escutado uma maldição.
Por algum tempo, examinaram a expressão do soberano, na expectativa
de ali detectar indícios de sarcasmo. A seguir, conforme relataram
mais tarde uns aos outros, trataram de se encorajar lembrando a palavra
talvez, que o faraó pronunciara a meia voz. Porém, a fisionomia de
Quéops permaneceu indecifrável, e a esperança deles de que aquela
tivesse sido uma frase dita casualmente, dessas que os jovens monarcas
se comprazem em deixar escapar ao se levantar pela manhã, esvaneceu-se.
Não ocorrera semanas antes o fechamento de dois dos mais antigos templos
do Egito? E, imediatamente depois disso, não fora ordenado que se
preparasse o decreto proibindo dali por diante os egípcios de ofertar
sacrifícios?
Também Quéops examinava o rosto deles. Os olhos do monarca não emitiam
nenhum brilho de escárnio, e quanto mais o silêncio se aprofundava,
mais pareciam dizer: "Ficaram tão aflitos assim? Dir-se-ia que estamos
falando não da minha pirâmide, mas da de vocês. Oh, céus, eles já
estão desfigurados pela bajulação! Como há de ser quando eu envelhecer
e me tornar mais implacável?".
Sem dizer nada, sem sequer olhar para eles, Quéops se levantou e os
deixou.
Ao se verem a sós, os remanescentes voltaram os semblantes atônitos
uns para os outros. "0 que foi acontecer conosco?", murmuravam. "Que
catástrofe será essa agora?" Um dos ministros, sentindo uma vertigem,
apoiou-se na parede. 0 sumo sacerdote tinha lágrimas nos olhos.
Lá fora, redemoinhos de nuvens formados pelo vento se erguiam em volutas
sem fim. Perdidos, os cortesãos contemplavam aquelas torres que se
dispersavam nas alturas. Não falavam. Apenas os olhos vazios pareciam
dizer: "Por qual escada subirá ao céu, ó soberano nosso? Quando chegar
o seu dia, como há de alcançar as estrelas e ali cintilar do mesmo
modo que todo faraó? Como há de refulgir?".
Conversaram sobre outras coisas por algum tempo, um tanto atordoados;
depois se separaram. Dois deles foram solicitar uma audiência com
Khentkause, a mãe do monarca. Uns decidiram se embebedar; outros,
mais sábios, desceram aos aposentos onde estavam guardados os arquivos
antigos, à procura do velho escriba jà meio cego, Ipuur.
Durante todo o outono, ninguém voltou a falar da pirâmide, nem mesmo
na recepção aos embaixadores, quando Quéops, estimulado pela embriaguez,
disse coisas que um faraó não costuma dizer na presença de estrangeiros.
Os cortesãos ainda alimentavam a esperança de que aquilo havia sido
uma brincadeira; às vezes chegavam a pensar que talvez fosse melhor
nem mencioná-la, quem sabe dessa maneira a idéia não se extinguiria?
Mas a hipótese contrária era tão aterrorizante que, dia e noite, a
única preocupação deles era como deviam se preparar para enfrentá-la.
Alguns depositavam suas esperanças na rainha-mãe, embora esta tampouco
tivesse dado resposta, enquanto a maioria deles prosseguia as investigações
nos arquivos. Quanto mais se debruçavam sobre eles, mais o caso lhes
parecia difícil. Parte dos arquivos se extraviara, outros papiros
estavam danificados, e mesmo entre os bem conservados havia uma parcela
apagada ou arrancada, às vezes com uma anotação lateral -"por ordens
superiores" - ou até sem nenhuma anotação.
De qualquer maneira, ainda que mutilados, os papiros forneciam toda
sorte de informações de que eles precisavam. Ali se podia encontrar
quase tudo sobre as pirâmides: as sepulturas primitivas, as mastabas,
que foram seus embriões, a história da primeira pirâmide, a da segunda,
a da quinta, suas sucessivas modificações, a ampliação de suas bases,
a incorporação do cimo, fórmulas secretas de embalsamamento, tentativas
de saque, planos para impedi-los, testemunhos sobre o transporte de
pedras, dos blocos de granito dos portais, decretos dos grão-mestres
a respeito da decoração, restos de cálculos, condenações à morte,
na maioria incompreensíveis e às vezes feitas deliberadamente com
esse propósito.
Mas tudo aquilo era mais ou menos claro, enquanto o que eles obstinadamente
procuravam lhes escapava por entre os papiros, surgia aqui e ali para
no mesmo instante desaparecer, como um escorpião a se mover com fulminante
rapidez. Buscavam a idéia oculta das pirâmides, a razão da sua existência,
mas esta não parava de escorregar entre os papiros. Negaceando, ela
se escondia sobretudo nos pedaços arrancados dos papiros e, quando
acontecia de aparecer, era em doses insignificantes.
Os pesquisadores sentiam dor de cabeça, pois jamais tinham sido obrigados
a tamanho esforço mental. Ainda assim, embora o objeto de sua busca
se esquivasse incessantemente deles, aos poucos conseguiram encurralá-lo.
Se não ele próprio, ao menos sua sombra.
Discutiram amplamente sua descoberta, e o que mais os assombrou não
foi ela, mas concluir que já sabiam de tudo. Sempre haviam tido conhecimento
da idéia fundadora, da origem das pirâmides, do motivo de sua existência.
Só que este, embora habitasse a consciência deles, estava fora do
alcance da linguagem e do próprio pensamento. Os papiros dos arquivos
o haviam apenas revestido de palavras e significado - naturalmente
na medida em que é possível revestir uma sombra.
"Mas isso está perfeitamente claro", exclamara o sumo sacerdote, na
última conversação que haviam mantido antes da audiência com o faraó.
"Nós conhecíamos a essência da questão, do contrário não teríamos
nos apavorado tanto quando o monarca pronunciou aquelas palavras que
não quero recordar."
Dois dias depois, abatidos pela insônia, apresentaram-se perante Quéops.
O faraó não estava menos sombrio. A última esperança que haviam alimentado,
de o soberano já ter esquecido aquele assunto e, portanto, de eles
estarem se preocupando à toa, desabou no instante em que, à questão
introduzida pelo sumo sacerdote
"Viemos conversar sobre a idéia de Vossa Majestade a respeito da construção
de vossa pirâmide" -, Quéops não manifestou nem espanto nem surpresa,
nem sequer um:"Como disse?'.
Ele simplesmente fez um sinal com a cabeça que queria dizer: "Estou
ouvindo". E eles se puseram a falar, primeiro o sumo sacerdote, a
seguir, pela ordem, todos os demais.
Falaram longa e exaustivamente sobre tudo aquilo que haviam aprendido
nos papiros, sempre atormentados pelo temor de estarem contando mais
ou menos do que seria conveniente. Recordaram a primeira pirâmide,
erguida pelo faraó Djoser, medindo somente vinte e cinco pés de altura;
depois a ira do faraó Horus Sekhem-Khet, que açoitou seu arquiteto
quando este lhe apresentou o projeto de sua pirâmide, a qual o soberano
considerou demasiado baixa. Em seguida fizeram comentários a respeito
dos aperfeiçoamentos dos projetos posteriores, efetuados pelo arquiteto
Imhotpe, das galerias, do aposento do sarcófago e das passagens secretas
que cruzavam a construção, das três pirâmides irmãs erigidas pelo
faraó Snefru, uma das quais com a altura de trezentos pés, o que podia
de fato se considerar uma loucura, das portas falsas e, naturalmente,
das trancas ultra-secretas.
A cada detalhe, esperavam que ele os interrompesse dizendo: "Que tenho
eu a ver com isso?"; estavam tão seguros da interrupção que, ao ver
que ela não vinha, o sumo sacerdote comentou com voz rouca: "Caso
Vossa Majestade venha a dizer: 'Que tenho eu a ver com isso?', estará
coberto de razão... Talvez na verdade não tenha nada a ver com isso,
porém o que dissemos até agora foi apenas uma introdução ao que realmente
interessa".
Estimulados pelo silêncio de Quéops, eles se estenderam mais do que
haviam planejado ao tratar do que realmente interessava. Sem hesitar
sequer uma vez, explicaram que, conforme suas investigações, embora
a pirâmide fosse um grande sepulcro, em sua concepção original não
tinha nada em comum com a morte e o sepultamento, conotação que adquirira
por acaso.
Enfim a fisionomia do faraó deu sinais de vida. Ele moveu a cabeça
e, para alegria geral, disse: "Espantoso!".
"De fato, multas das coisas que temos a dizer parecem espantosas",
prosseguiu o sumo sacerdote.
Respirou fundo, até doerem seus velhos pulmões.
"A idéia da pirâmide, Majestade, nasceu numa época de crise."
0 sumo sacerdote sabia perfeitamente o quanto valiam as pausas entremeando
as frases: acentuavam o peso e a projeção do pensamento, tal como
a pintura e a sombra acentuam o mistério dos olhos de uma mulher.
"Pois então, numa época de crise", continuou ele, pouco depois. "O
poder do faraó, conforme o testemunho das crônicas, debilitara-se.
Sem dúvida, não se tratava de nada de novo. Os antigos papiros estão
repletos de referências a ocorrências semelhantes. A novidade era
outra. O que havia de novo, e espantoso, assombroso mesmo, era a causa
da crise. Uma causa pérfida, jamais vista em tempo algum: a crise
não advinha da escassez, dos caprichos do Nilo ou da peste, como sempre
ocorrera, mas, ao contrário, do bem-estar.
"Do bem-estar", repetiu o sumo arquiteto, "ou seja, da abastança."
As sobrancelhas de Quéops se arquearam. "Quarenta graus", disse consigo
o arquiteto. "Cinqüenta... Protegei-nos, oh, céus!"
"Não foi fácil perceber isso à primeira vista", prosseguiu. "Muitas
pessoas brilhantes, próximas ao faraó, que ousaram exprimir a idéia,
pagaram com a cabeça ou com o banímento a apavorante descoberta. Mas
aos poucos, depois da colérica rejeição inicial, começou-se a aceitar
a explicação que forneceram - de que o bem-estar, ao produzir homens
mais independentes e livres de espírito, tornava-os em conseqüência
menos submissos às autori- dades em geral e especialmente ao poder
do faraó. Com o correr dos dias, todos passaram a enxergar claramente
que aquela nova crise era a mais perigosa de todas. Apenas uma coisa
permanecia obscura: como achar uma saída?
"0 mago e astrólogo que o faraó enviou ao deserto para meditar sobre
o assunto na mais completa solidão, retornou após quarenta dias, como
acontece com a maioria daqueles que vão consultar o deserto e auscultar
seus presságios. E o presságio era ainda mais medonho do que se supunha:
seria preciso pôr fim ao bem-estar.
"0 faraó e com ele toda a sua corte mergulharam em profundas reflexões.
Pôr fim ao bem-estar? Mas de que maneira? Inundações, terremotos,
cheias periódicas do Nilo, tudo isso lhes passou pela cabeça, mas
se tratava de acontecimentos que não dependiam deles. Uma guerra?
Era uma faca de dois gumes, sobretudo numa situação daquelas. Mas,
então, o que fazer? Não podiam permanecer de braços cruzados diante
da ameaça. Tinham obrigação de dar ouvidos à voz do deserto, do contrário
a ruína seria inevitável.
"Diz-se que, para surpresa geral, foi o intendente do harém que lançou
a idéia de se encontrar alguma empreitada que consumisse parte das
riquezas do Egito. Os relatórios dos embaixadores acreditados no Oriente
se referiam às majestosas obras de irrigação da Mesopotâmia, cujas
dimensões, segundo se dizia, superavam largamente os beneficios econômicos
que trariam. Se assim era - e decerto assim era -, havia que se encontrar
também no Egito alguma coisa que consumisse o excesso de energia das
pessoas. Havia que se empreender algo extraordinário, tão colossal
quanto possível, capaz de estreitar e amesquinhar as condições de
vida dos egípcios. Em suma, algo definitivo, que exaurisse corpos
e mentes, e ao mesmo tempo de todo desnecessário. Ou, mais exatamente,
tão desnecessário para os súditos a ponto de ser indispensável ao
Estado.
"0 faraó ouviu muitos pareceres de seus ministros: que se perfurasse
a terra cavando um buraco sem fim, em busca das portas do inferno;
que se erguesse uma muralha defensiva em torno do Egito, ou um canal
de irrigação. Porém, descartou todas as idéias sublimes, patrióticas
ou místicas. A muralha um dia haveria de ficar pronta, um buraco na
terra poderia irritar as pessoas, já que não daria na vista. Ele queria
outra coisa, algo com que as pessoas se defrontassem dia e noite,
a ponto de se esquecerem de si próprias... Ao mesmo tempo, algo que
ficasse pronto mas sem jamais acabar, ou, resumindo, algo que se repetisse
incessantemente. E que além do mais tivesse alta visibilidade.
"Assim, passo a passo, conforme o testemunho dos papiros, o faraó
e seus ministros chegaram à idéia de uma enorme sepultura. Um megamausoléu.
"0 faraó ficou fascinado com isso. A construção mais importante do
Egito não haveria de ser nenhum templo ou palácio real, mas uma tumba.
Pouco a pouco, o Egito se identificaria com ela, e ela com o Egito.
"Os geômetras do reino apresentaram muitos esboços, de diferentes
formas, até que por fim chegaram à pirâmide.
"Ela preenchia todos os requisitos, Apoiava-se numa idéia sublime,
o faraó e a morte, ou, mais exatamente, sua divinização. Era visível,
mesmo de muito longe. E, em terceiro lugar, o fator determinante:
ficava pronta sem jamais acabar. Cada faraó teria a sua pirâmide dessa
forma, quando uma geração de egípcios enlouquecesse de estafa e entorpecimento,
surgiria um novo faraó, com sua pirâmide, para subjugar a geração
seguinte. E assim para sempre inexorável e majestosamente, pelos séculos
dos séculos..."
0 sumo sacerdote Hemiun fez uma pausa mais longa que todas as anteriores.
"Assim, portanto, antes de se dedicar à vida de além-túmulo, a pirâmide
tinha a ver com esta vida, ó meu faraó", prosseguiu. "Em outras palavras,
antes de dizer respeito ao espírito, ela se referia ao corpo."
Ele silenciou novamente e respirou bem fundo, para imprimir um ritmo
mais pausado a seu discurso.
"Ela é, antes de mais nada, poder, Majestade. É repressão, cárcere,
dinheiro, ao mesmo tempo que promove o embrutecimento da turba, o
estreitamento das mentes, o definhamento das vontades, o tédio e a
perda. É o melhor corpo de guarda que Vossa Majestade pode possuir,
meu faraó. A polícia secreta. 0 exército, a armada. Quanto mais alta
for, mais insignificantes parecerão os súditos a sua sombra. E quanto
menores forem os súditos, mais alto será o lúgar reservado a Vossa
Majestade."
A voz de Hemiun baixara ainda mais, conforme um segredo que só ele
dominava, pois justamente ao se enfraquecer, soava ainda mais ameaçadora.
"A pirâmide é o pilar que sustenta o poder. Caso ela se mova, tudo
há de desabar."
Ele fez um movimento indecifrável com as mãos e tinha os olhos fixos
diante de si, como se enxergasse de fato as ruínas.
"Nem cogite em quebrar a tradição, meu faraó. Vossa Majestade cairia
por terra, e, de cambulhada, todos nós..."
Hemiun, não se sabe bem por quê, ergueu aos céus as palmas das mãos.
Depois, deu a entender, pela maneira como cerrou os olhos, que não
mais falaria.
Os demais disseram mais ou menos a mesma coisa, no mesmo tom tenebroso.
Alguém voltou a lembrar os canais da Mesopotâmia, sem os quais a monarquia
acádio-suméria havia muito estaria por terra. Outro acrescentou que
a pirâmide era, entre diversas outras coisas, a suprema memória daquele
país. Tudo se enevoaria com o tempo e a distância. Os papiros e os
objetos de uso diário envelheceriam, as guerras, as fomes, as epidemias,
as enchentes do Nilo, as alianças, os decretos, os escândalos palacianos
seriam esquecidos. Apenas ela, a pirâmide altaneira, inocultável por
coisa alguma, impecável, indestrutível por força alguma ao longo dos
tempos, erguer-se-ia sobre o deserto, sempre a mesma, até o fim do
mundo. "Assim tem sido, Majestade, e assim deve continuar a ser. Nem
sequer o seu perfil foi algo fortuito. É uma forma divina, que os
próprios céus indicaram aos geômetras de eras remotas. E ali está
Vossa Majestade, no topo, no cimo, no cume, e nas pedras anônimas
que o sustentam, uma a uma, ombro a ombro."
Toda vez que chegavam a esse ponto os oradores mencionavam o possível
desmoronamento de tudo, e Quéops recordou aquela manhã de novembro,
quando pensara que a preocupação deles com a pirâmide não passava
de um gesto de bajulação. Agora compreendia que errara e que o desespero
de seus cortesãos era mais do que legítimo. Agora estava convencido
de que a pirâmide seria tanto da corte como dele próprio, se é que
não mais.
Ele ergueu a mão direita para dar a entender que já não queria ouvir.
Com o coração nas mãos, como jamais tinham se sentido, os outros ouviram
a decisão que ele expressou com palavras secas e frias: far-se-ia
a pirâmide. A mais alta de todas. A mais grandiosa.
>> Saiba mais:
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