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Diogo Mainardi

29 de julho de 2008
   

Reação

A fraude brotou na internet. Uns blogueiros, que foram profilaticamente expurgados da grande imprensa, encontraram um jeito de faturar uns trocados do governo contando mentiras sobre mim. Em particular, diziam que eu era ligado a Daniel Dantas. Inicialmente, tratava-se apenas de um cancan desolador em que uns homenzinhos desavergonhados eram pagos para erguer as pernas e mostrar os indumentos íntimos. Fui vivamente aconselhado a ignorá-los, porque só meia duzia de otários acompanhava o que eles faziam. De fato, fiquei calado por sete meses seguidos, assistindo com desinteresse àquele espetáculo grotesco.

Quando um aloprado da PF, o delegado Protógenes Queiroz, incorporou a mutreta dos blogueiros ao seu inquérito, acusando-me de ser membro da quadrilha de Daniel Dantas, o caso se complicou um tantinho. Tive de fazer uma coluna esclarecendo que aquela asnice era fruto de uma campanha difamatória rasteira, orquestrada e financiada pelo governo, que se serviu de uns desqualificados para tentar me enlamear.

Na última semana, a delinqüência parece ter contaminado mais um naco do estado, espalhando-se pelo aparelho petista como a tramóia da pirâmide. Depois da PF, foi a vez do Ministério Público Federal se engajar no jogo sujo. A procuradora Anamara Osório declarou o seguinte sobre mim:

- No Ministério Público, todos os procuradores têm plena certeza de que ele colaborava com o esquema Dantas.

Como assim? Quem deu o direito a essa procuradora de tentar me incriminar através de uma calúnia soprada para um blog? Quem ela pensa que é? Isso é fascismo.

Li que a procuradora Anamara Osório cuida do caso Kroll, a empresa contratada por Daniel Dantas para espionar a Telecom Italia. Nesse caso, antes de me acusar de maneira absurdamente leviana, ela deveria ter se informado a meu respeito com a antiga diretoria da Telecom Italia, aquela que combateu a Kroll. Isso teria evitado que ela quebrasse a cara de um jeito vexaminoso. Paolo dal Pino, o presidente da Telecom Italia na época da batalha contra Daniel Dantas, é meu amigo fraterno. Nossa amizade sempre me impediu de considerá-lo uma fonte. Mas ele acompanhou de perto meu trabalho. E me apresentou a uma penca de dirigentes da Telecom Italia. Com o tempo, esses dirigentes se tornaram minhas fontes, e me ajudaram a entender o que ocorria no setor de telefonia, fornecendo-me documentos e testemunhos diretos do envolvimento da companhia com o governo. Daniel Dantas? Daniel Dantas era o inimigo dessa gente toda. O inimigo de minhas fontes.

Em todos os meus artigos sobre o assunto, fiz o contrário do que fez a procuradora Anamara Osório, que se baseou apenas na vagabundagem da internet para me acusar. Eu sei lidar com os vagabundos da internet. Eu sei também que, quando eles emporcalham a PF e o Ministério Público, é preciso reagir. Estou aqui, reagindo. Pela última vez.


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