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Guarda-costas de Lula
Algumas semanas
atrás, na VEJA, reproduzi trechos dos interrogatórios
de um dos diretores da Telecom Italia. Num desses interrogatórios,
ele dizia:
Sendo um homem do presidente
Lula, (Mauro) Marcelo, depois de assumir o cargo no serviço
secreto (Abin), nos garantiu seu apoio institucional, uma vez que
(Daniel) Dantas era um inimigo do presidente Lula.
Antes de publicar o artigo, conferi
a autenticidade dos depoimentos. Com quem? Com o próprio
autor dos depoimentos, o diretor da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli.
Essa é uma prática que se intensificou desde que me
tornei o alvo preferencial dos processos dos lulistas: só
publico aquilo que posso documentar por escrito. Tenho todas as
mensagens do diretor da Telecom Italia armazenadas no computador.
Apesar disso, a autenticidade dos documentos
oficiais da magistratura italiana foi contestada pelos blogueiros
chapa-branca. O papel deles é simples: desinformar e, desinformando,
proteger o governo. Sempre há otários dispostos a
acreditar na propaganda estatal. Para quem quiser acompanhar o caso,
recomendo a leitura do blog
de Janaína Leite, que ridicularizou os blogueiros
chapa-branca.
O ponto que me interessa aqui é
outro. Mauro Marcelo foi guarda-costas de Lula. Em meados de 2004,
o presidente o nomeou à chefia da Abin. As principais testemunhas
do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que,
no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo
oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de
300 mil dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria
realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo.
Um dos executivos da Telecom Italia,
Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à
idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que,
a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Para comprovar esses
fatos, ele apresentou uma série de documentos ao Ministério
Público italiano. Num deles, o lobista Luiz Roberto Demarco
teria se lamentado num e-mail nos seguintes termos:
Sinto que corruptos como Eloy ou
Mauro Marcelo são tratados com mais respeito e mais atenção
(do que eu).
Jannone apresentou também um
telefonema gravado com o parceiro de Mauro Marcelo, que teria reivindicado
um aumento no contrato de 300 mil dólares com o seguinte
argumento:
Quando eu relatei a ele (Mauro Marcelo)
a última conversa que tivemos, ele me pediu para ver se havia
um jeito de melhorar um pouquinho, porque já se passou muito
tempo, né?
Os especialistas no assunto podem ter
acesso, na página do podcast, a dois depoimentos de Jannone.
No
primeiro, ele conta a origem do relatório em que
Daniel Dantas é acusado de desvio de dinheiro nos contratos
de fornecimento da Brasil Telecom. No
segundo, ele faz um histórico de seu trabalho no
Brasil, incluindo o episódio do chefe da Abin.
A todos os outros leitores, digo que
a finalidade de quem tenta desacreditar o inquérito italiano
é uma só: acobertar o envolvimento do governo brasileiro,
que foi muito mais amplo do que esses casos de arapongagem fazem
supor.
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