|
Texto integral
Oprah e eu
no Twitter
Fotos divulgação e Reuters
 |
Oprah e eu
no Twitter. Uma das primeiras mensagens dela: "Estou
me sentindo no século 21". Uma de minhas primeiras mensagens:
"Quem é Claudete Troiano?". O Twitter pertence
ao século 21. Claudete Troiano pertence ao século
21. Oprah e eu somos do século passado. Só agora chegamos
ao século 21, com uma década de atraso. José
Sarney tinge o cabelo. Oprah e eu entramos no Twitter.
Oprah está tentando arrumar
um jeito de embolsar um dinheirinho com o Twitter. Eu também.
Era assim no século passado: o trabalho era remunerado. Se
eu me dispusesse a trabalhar grátis, por que VEJA continuaria
a pagar meu salário? Perguntei se alguém era pago
para publicar mensagens no Twitter. Responderam: Marcelo Tas. E
me mandaram um artigo do Wall Street Journal tratando do assunto.
O Twitter de Marcelo Tas é patrocinado por uma operadora
de telefones. Por contrato, ele tem de citar o nome do patrocinador
um determinado número de vezes. Ele é o homem-sanduíche
do século 21.
Quanto ganha Marcelo Tas com o Twitter?
O pessoal da internet diz 100 mil reais. Aposto que está
errado. O pessoal da internet erra o tempo todo. Um de meus leitores
me indicou uma empresa chamada Magpie. Ela promete espalhar anúncios
pelo Twitter como um vírus. O dono de uma página se
cadastra e, como a mocinha do telemarketing, ganha uns trocados
para difundir, por meio de seu Twitter, mensagens publicitárias
de fabricantes de computadores ou de locadoras de automóveis.
Se Marcelo Tas cadastrasse seu Twitter no Magpie, ele arrecadaria,
com seus 35 mil seguidores, U$ 824,99. O valor de cada usuário
do Twitter é 0,2 centavos.
O nome de Claudete Troiano pipocou
em meu Twitter porque recebo todas as mensagens publicadas pela
Abril. Alguns leitores também entraram em minha página
e me mandaram recados. A internet permite essa intimidade. É
meio assustador ser abordado por um monte de estranhos em minha
casa, em meu escritório, quando ainda estou de pijama, tirando
as remelas. Uma rede de relacionamentos, como o Twitter, com sua
permissividade institucionalizada, sempre tem um aspecto exibicionista,
fetichista, como aquele
jantar em "Fantasma da Liberdade", de Luis Buñuel,
em que os convidados, em vez de comer, defecam à mesa, em
público.
Depois de estudar o Twitter por um
dia e meio, consegui meu maior feito: eliminar o azul da tela, embranquecendo-a
gradualmente, como um eugenista dos primórdios do século
20 - o meu século. Se eu fosse Oprah, teria anotado no Twitter:
"Estou me sentindo como um Nina Rodrigues do século
21". Desliguei o computador e, sem Claudete Troiano por perto,
pude tirar umas remelas.
|