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Imprensa americana chapa-branca
Barack
Obama foi eleito por jornais e TVs. Menos pelos editoriais de apoio,
pela cobertura parcial, pelas fotografias enaltecedoras e pelos
quadros satíricos que eles fizeram, e mais pelo que eles
deixaram de fazer: reportagens, reportagens, reportagens.
A ombudsman do Washington Post
analisou as matérias do próprio jornal. Em primeiro
lugar, ela destacou a gritante disparidade de tratamento reservada
aos candidatos - as matérias sobre Barack Obama e Joe Biden,
uma moleza; as matérias sobre John McCain e Sarah Palin,
uma paulada, como elas de fato devem ser numa disputa presidencial.
Em seguida, a ombudsman tocou no ponto que mais me interessa: a
absoluta falta de interesse do Washington Post em investigar
temas potencialmente danosos para a campanha de Barack Obama. Em
particular, ela citou dois desses temas: seu envolvimento com drogas
nos tempos da faculdade e seus negócios com Anthony Rezko,
o empresário corruptor que financiou a carreira política
e a vida privada de Barack Obama, tendo-o ajudado a comprar sua
casa. Anthony Rezko foi condenado criminalmente durante a campanha
eleitoral, mesmo assim ninguém deu bola para o caso.
A Economist também tratou
desse jogo sujo da imprensa para eleger Barack Obama. Uma das principais
vantagens que sua campanha teve sobre a de John McCain foi a esmagadora
superioridade financeira. Essa vantagem só foi obtida porque
Barack Obama, em vez de recorrer ao financiamento público,
conforme ele prometera durante as primárias, serviu-se de
dinheiro privado, arrecadando 600.000.000 de dólares, boa
parte dos quais pela internet, de origem desconhecida. A Economist
perguntou retoricamente: o que diria o New York Times se
o contrário tivesse ocorrido? Se John McCain, depois de aplicar
um golpe em Barack Obama, dispusesse de duas vezes mais dinheiro
para financiar sua campanha, inclusive podendo comprar, a menos
de uma semana das eleições, meia hora de publicidade
na TV aberta? Eu respondo a pergunta retórica da Economist.
Cinco dias depois de Barack Obama ser eleito - cinco dias -, o New
York Times publicou um editorial recomendando enfaticamente
ao prefeito Michael Blooomberg que ele recorresse ao financiamento
público em sua próxima campanha eleitoral. Pelo visto,
isso vale para todos os políticos, exceto um: Barack Obama.
A imprensa escrita e televisiva dos
Estados Unidos continua a perder público e faturamento. A
temporada de Barack Obama na presidência tem tudo para afundá-la
de vez. A única saída para a imprensa é voltar
a fazer aquilo que só ela sabe fazer: reportagens, reportagens,
reportagens.
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