|
Daniel Dantas e
Naji Nahas presos
Hoje,
terça-feira, bem cedinho, olhei pela janela e vi uma câmara
da TV Globo apontada para o prédio vizinho, onde mora Verônica
Dantas. Pensei:
- Oba! Daniel Dantas vai ser preso!
Pouco depois, li que Naji Nahas havia
sido preso junto com ele. Pensei:
- Oba, oba, oba!
Em setembro de 2005, publiquei meus
dois primeiros artigos sobre Daniel Dantas, intitulados "Resumo
da Ópera" e "Resumo
da Ópera 2". Eu dizia:
"Até 2002, Marcos Valério
era um operador local de Dantas, encarregado do abastecimento do
bando mineiro do PSDB. Quando Lula foi eleito, Marcos Valério
se aproximou de Delúbio Soares e passou a canalizar toda
a propina que Dantas era obrigado a pagar ao governo federal, representado
pelo bando de José Dirceu".
Depois desse segundo artigo, fui procurado
por Daniel Dantas. Ao todo, encontrei-o quatro vezes, em seu escritório,
entre setembro de 2005 e maio de 2006.
Desde o primeiro encontro, impressionei-me
com sua vergonhosa falta de coragem. Por esse motivo, duvido que
ele diga o nome dos políticos que pagou, apesar de estar
na cadeia. Pressionado, ele sempre recorre à barganha mais
rasteira, distribuindo ameaças. No artigo "A
última sobre Dantas", citei alguns dos fatos que
podem atemorizar Lula e o PT. Recomendo sua releitura, em particular
o trecho sobre o encontro de Lula com a diretoria do Citibank.
Naji Nahas, o parceiro de Dantas,
é protagonista de um episódio que, até hoje,
ninguém se interessou em apurar. Em fevereiro de 2006, em
"Para
entender o caso Nahas", denunciei seu envolvimento numa
negociata da Telecom Italia. Dois anos depois, em fevereiro de 2008,
na coluna "Fantasioso?
Sórdido?", finalmente consegui reconstruir o caso,
a partir de um documento do diretor-financeiro da própria
Telecom Italia. Servindo-se de um doleiro e de um contrato com Nahas,
a empresa reuniu 1,3 milhão de dólares em dinheiro
vivo. O dinheiro, segundo testemunhas de um inquérito italiano,
foi usado para corromper políticos em Brasília, entre
abril e maio de 2003, no comecinho do mensalão.
O inquérito italiano cita igualmente
os 25 milhões de euros que a Telecom Italia pagou a Naji
Nahas. Tratei do tema em "Esperei Godot. E
ele apareceu". Um dos diretores internacionais da Telecom
Italia declarou à justiça milanesa que Naji Nahas
recebeu o dinheiro em virtude de "suas ligações
com os aparatos institucionais brasileiros, como o Ministro da Fazenda",
Antonio Palocci. Esse depoimento foi disponibilizado na internet.
Antes de publicá-lo, conferi sua autenticidade com seu próprio
autor, o diretor internacional da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli.
Alguns pilantras me acusaram de ter recebido o documento de Daniel
Dantas. Como assim? Daniel Dantas estaria tentando incriminar seu
sócio Nahas?
Foi por tudo isso que, ao acordar,
olhei pela janela e pensei:
- Oba!
E pensei também:
- Naji Nahas está me processando.
Será que ele vai poder comparecer ao tribunal?
E pensei, por último:
- Onde está Marcos Valério?
E Delúbio Soares? E José Dirceu? E Roberto Teixeira,
o compadre de Lula, contratado por Dantas? E Duda, contratado por
Dantas? E Kakai, contratado por Dantas? E Delfim? E Della Seta?
E Lula?
A prisão de Daniel Dantas e
de Naji Nahas é a chave para entender o que aconteceu no
Brasil nos últimos 10 anos. Vou ficar olhando pela janela
à espera de notícias.
|