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Mordedores de grana do BNDES
Num telefonema
grampeado pela PF, um dos acusados de participar do esquema de desvio
de verbas do BNDES disse para outro:
- O cara é ligado ao José Dirceu e vai querer morder
uma grana.
Ele se referia a um funcionário do BNDES. Qual deles? De
acordo com o blogueiro César Maia, só pode se tratar
de Élvio Gaspar. Recebi a mesma dica na semana passada. Fui
furado por César Maia. Mas acrescento um dado: Élvio
Gaspar está sendo investigado pela PF.
Primeiro: ele é ligado a José Dirceu. Mais precisamente,
ele é ligado à turminha carioca de José Dirceu
- gente como Waldomiro Diniz e Marcelo Sereno. Foi secretário
de Planejamento do Rio de Janeiro, no governo de Benedita da Silva.
No primeiro mandato de Lula, ganhou um cargo de comando no ministério
do Planejamento. Depois disso, foi transferido para o BNDES.
O esquema de desvio de verbas do BNDES, segundo a PF, envolvia
um financiamento de 120 milhões de reais à prefeitura
de Praia Grande. Quem assinou esse financiamento foi o próprio
Élvio Gaspar. Ao assiná-lo, ele elogiou a capacidade
da prefeitura de "superar as dificuldades burocráticas".
Agora se sabe que, para a PF, essas dificuldades burocráticas
só foram superadas porque os caras - sabe-se lá que
caras - "morderam uma grana".
Um empréstimo de 200 milhões de reais às Lojas
Marisa também consta do inquérito da PF. O negócio
foi analisado e aprovado pela área de Crédito do BNDES.
Quer saber quem é o diretor dessa área? Sim: Élvio
Gaspar.
Isso é apenas uma das pontas do caso. Há outras pontas,
igualmente degradantes: a suspeita contra parlamentares, como Paulinho;
a falta de controle sobre o dinheiro do PAC, que financiou as obras
de Praia Grande; o esquema de aparelhamento petista, que espalhou
seus mordedores de grana pela máquina estatal.
Minha pergunta é a seguinte: por que até agora ninguém
pensou em pedir uma CPI do BNDES? O banco é a principal fonte
de investimentos públicos do país. Está envolvido
diretamente nos maiores negócios da atualidade, como o empréstimo
bilionário à Vale e a compra da Brasil Telecom por
parte da Oi. O Congresso Nacional tem o dever de conferir se esse
dinheiro está sendo empregado honestamente. O BNDES diz que
possui um sistema de checagem de seus investimentos. O fato é
que, em Praia Grande, esse sistema falhou, e tudo indica que pode
ter falhado outras vezes.
No ano passado, fiz um artigo
sobre o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Apelidei-o de Mulá
Omar brasileiro, porque ele contribuiu de maneira determinante para
o atraso do país, instituindo, em meados da década
de 1980, a reserva de mercado para a informática. Uma CPI
do BNDES pode ajudar a impedir que o banco se torne uma reserva
de mercado dos mordedores de grana.
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