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Marmelada
ou não?
Maio de 2002
No domingo, dia 10 de maio, o Brasil assistiu a
um triste episódio na história da Fórmula 1: o piloto
brasileiro Rubens Barrichelo foi obrigado, seguindo
ordens da Ferrari, a deixar o alemão Michael Schumacher
ultrapassá-lo e ganhar o GP da Áustria. Os leitores
de VEJA nem esperaram a revista falar no assunto
e mandaram centenas opiniões à redação. Confira
algumas: |
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Curva
Trágica
A reta de chegada do GP da Áustria
passou a ser mais trágica que a curva Tamburello
do GP de Ímola, disputado em 1994.
Ventura Raphael Martello Filho, por e-mail |
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Luto
oficial
Em coma desde a decisão da Copa
de 1998, faleceu, no último domingo, milésimos
de segundos antes da bandeirada de chegada do GP
da Áustria, vítima de cifrão
aguda, a senhora Paixão da Torcida.
Reinaldo Tolentino De Souza - Itajaí,
SC |
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Vermelho
de raiva!
A Ferrari sempre explorou a cor vermelha
para caracterizar uma cor vencedora. Daqui para
a frente, esse mesmo vermelho será, para
nós brasileiros, o vermelho de raiva! Rubinho,
troca de turma!
Edson Lobo - São Paulo, SP |
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Circo
Agora eu entendo o que é Circo
da Fórmula 1.
Anderson Ribeiro - Contagem, MG |
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Mais
Seriedade
Estamos carentes de exemplos morais. Nem
é preciso dizer que Senna ou o próprio
Schumacher não se sujeitariam a tal patetice.
Precisamos urgente de uma dose de seriedade e caratismo.
Antonio Monteiro - São Paulo, SP |
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Inversão
de valores
Passei vários anos de minha vida
profissional deixando alguém ganhar uma corrida
que estava no papo, obedecendo a sábia orientação
superior. Se não me arrependi, ganhando uns
7 mil reais por mês, certamente não
me arrependeria ganhando o tanto que o Rubinho ganha.
Eu e o Rubinho, portanto, na qualidade de campeões
virtuais, estamos de parabéns e somos co-responsáveis
pela inversão de valores que vemos todos
os dias. Meu Deus, que vergonha!
Luiz Felipe Martins Sertã - Riviera de
São Lourenço, SP |
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Interesse
de equipe
Nos esportes mais evoluídos prevalece
o interesse do time. A assistência àquele
que faz o gol valem tanto quanto o próprio
gol. Grande fim de semana, Rubens! Você fez
tudo certo. Parabéns!
Marcelo Cabeda - Porto Alegre, RS |
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Pobre
Rubinho!
O piloto Rubens Barrichello
vendeu sua alma, seu espírito esportivo (se
é que o tinha) e o orgulho competitivo de
um país já representado com muita
dignidade por Fittipaldis, Piquet, Senna, dentre
outros. Rubinho, eu sei que mãe compreende
e perdoa quase tudo, mas as mães do Brasil
mereciam um almoço com mais dignidade, sem
o sabor amargo e indigesto do vil metal. Apesar
de tanto dinheiro, pobre Rubinho....
Hélio Araújo - Goiânia, GO |
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Mau
exemplo
Estou indignado como brasileiro, como
desportista, como pai, como professor, como cidadão.
O que vamos dizer aos nossos filhos diante desse
belo exemplo que a equipe Ferrari nos proporcionou?
Me senti um palhaço diante da televisão,
assistindo a esse espetáculo de desonestidade
e de desrespeito. Estou enojado. Estou indignado.
Não contem mais com a minha audiência.
Ronaldo Elie Yallouz - Petrópolis, RJ |
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Sem
encanto
Dinheiro é o novo combustível.
Não existe mais o prazer da superação.
A Fórmula 1 está perdendo, cada vez
mais, o seu encanto.
Renato Santos - São Paulo, SP |
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Cadê
o orgulho?
Como brasileira, estou me sentindo envergonhada
com a postura de Barrichello. O que a TV Globo denominou
de coragem e maturidade, podemos chamar de uma atitude
coerente a ser adotada por quem está na pista
não para defender o seu país, mais
para abonar a sua conta bancária. Onde está
o orgulho de mostrar sua competência, a garra
de elevar o seu país a mais alta posição?
É lamentável a decadência de
um esportista que recebeu de toda uma nação
a incumbência de nos trazer alegrias e orgulho
como o Senna fazia. Mais do que uma vítima
da Ferrari ou do Schumacher, Barrichello é
um produto de suas escolhas equivocadas e medíocres.
É realmente triste vermos o poder econômico
derrotando qualquer ideal e princípio ético.
Tereza Cristina Leite - Brasília, DF |
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Senna,
o grande campeão
Por tudo isso, Senna será o maior
vitorioso desse esporte, para sempre, sem contestações
de qualquer ordem.
Ricardo Alberto Marcotti - Porto Alegre, RS |
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Desapontamento
Belo presente que a Ferrari, logo a Ferrari,
deu para as mães, principalmente as brasileiras,
que assistiram à corrida, acreditando ver
vencer o melhor na pista. Como torcedor da Ferrari
desde as épocas memoráveis de Piquet
e Senna, não posso deixar de externar meu
(aliás de muitos, com certeza) profundo desapontamento
com a equipe italiana, num total desrespeito com
seus pilotos e, principalmente, com o público
que assiste, torce e acompanha o circo da maior
categoria do automobilismo.
Carlos Eli Chiarelli - Vila Velha, ES |
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O
verdadeiro vencedor
Parabéns, Rubinho. Você deu
um show na corrida e, principalmente, como homem.
Você mostrou para todos os integrantes da
Ferrari o verdadeiro significado da palavra ética.
Coisa que, parece que alguns membros desta equipe,
parecem desconhecer. Em minha opinião, Michael
Schumacher só se tocou da estupidez que fez
ao cruzar a linha de chegada, após receber
as vaias merecidas da torcida, além do olhar
de reprovação de seu irmão.
Sebastião S. Silveira Filho - Belo Horizonte,
MG |
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Contra
o espírito esportivo
A decisão tomada pela Ferrari no
GP da Áustria de Fórmula 1 foi a maior
vergonha da história do automobilismo. A
ordem dada a Barrichello para dar passagem a Schumacher
é totalmente contra o espírito esportivo,
que deve nortear todas as competições.
Com essa medida, foi enormemente comprometida a
imagem e o prestígio da categoria e, principalmente,
da equipe Ferrari. A Federação Internacional
de Automobilismo precisa tomar alguma providência
para que fatos lamentáveis como esse não
voltem a acontecer. Mas, apesar de tudo o que foi
visto, temos um motivo para comemorar: Rubinho provou,
mais uma vez, para aqueles que ainda não
acreditam, que é, sem dúvida, um grande
piloto e que está crescendo cada vez mais
na Fórmula 1.
Ricardo Couto e Silva - Natal, RN |
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Sabotagem
Vocês ainda pensam que o pobre do
Rubinho pode acreditar em uma vitória enquanto
Michael Schumacher estiver na pista? Acredito que
a questão não seja pessoal, nem deles
terem acatado a decisão da Ferrari, mas sim
da própria equipe ter optado por essa legítima
sabotagem. Sabotagem, sim! Contra os espectadores
e os esportistas. Essa manobra põe em xeque
a credibilidade da Fórmula 1 e da Ferrari,
principalmente por ter sido executada no início
do campeonato. Pensem que a imprensa mundial se
revoltou com o fato. O ... tudo vem de situação,
de vez em quando é bão misturar o
brasileiro com alemão... desta vez
só gerou indignação! E fez
relembrar a Copa do Mundo de 1998, quando o título
era praticamente nosso. Quando poderemos cantar
uma vitória certa e digna? Espero que em
outubro deste ano o vencedor seja realmente o melhor!
Depois, não adianta chorar, porque eleições
não tem todo domingo.
Patrícia Bordin - Marau, RS |
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Empregadinho
da Ferrari
Eu acompanho F1 desde 1980 e já
presenciei momentos memoráveis de Piquet
e Senna. O Barrichello conseguiu envergonhar a todos
que assistem à F1 e a tradição
do Brasil na F1. O salário dele deve ser
muito bom, mas a única coisa que ele vai
conseguir dessa forma, além de nos envergonhar,
é entrar para a história da F1 como
o empregadinho da Ferrari, provando
mais uma vez que não é digno de ocupar
o lugar mais alto do pódio. Já que
é para não poder ganhar, que ele vá
para outra equipe e, pelo menos, não nos
envergonhe mais!
Luís Mauro C. Vasconcelos - Goiânia,
GO |
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Dinheiro
é a regra
É lógico que não
é a primeira vez que acontece e claro que,
se não houvesse manifestação
do público, a Ferrari, Schumacher e Rubinho
iriam fingir que nada havia acontecido, já
que os três iriam ganhar com o fato. A vergonha
das vaias foi pouco. Sorte deles que não
haviam tomates no circuito. E é triste que
certos setores da imprensa fiquem colocando Rubinho
Barrichello como vítima. Vítima não.
Rubinho não passa de um vendido, que não
tem amor à sua carreira, nem respeito pelo
espírito esportivo e tampouco por um povo
apaixonado por esporte, como o brasileiro. São
os cifrões que vêm ditando as regras
do esporte mundial.
André Guimarães - Salvador, BA |
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Saudades
do Senna
O Brasil já é um país
tão explorado e ainda temos que ver esportistas
que o representam fazer esta palhaçada. Enquanto
Rubinho estiver representando o Brasil na F1 eu
me recuso a assistir as corridas. Que saudades do
Senna....
Nadja Machado Volpato - Pato Branco, PR |
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Burro
de carga
A Ferrari trocou o Cavalinho Rampante
por um Burrinho de carga de mina de ouro! Infelizmente,
um brasileiro foi seu condutor.
Ricardo Ronzi Taveira - Vinhedo, SP |
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Mancha
eterna
A polêmica sobre o vencedor do grande
prêmio da Áustria é um pouco
mais delicada do que se imagina. Deve-se salientar
que a Ferrari é uma empresa. O chefe de equipe
tem que ser campeão, como um chefe de produção
tem que produzir. Foi o que determinou a corrida
para o alemão. Porém, o departamento
de Marketing foi relegado ao segundo plano. A bandeira
da Ferrari agora ficou com uma mancha difícil
de ser apagada. Até os torcedores da escuderia
mais famosa do mundo reprovaram a atitude. Aí
é que entra o dono da empresa. Uma decisão
dessas não pode ficar apenas no chefe de
produção. Tem que ser alguém
que pense mais além.
Carlos A. Manfrim Canno - Bragança Paulista,
SP |
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Vergonha
“Enzo e Dino Ferrari devem estar vermelhos de
vergonha.”
Cícero Figueiredo Ribeiro - Remanso, BA |
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AFP
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| O
piloto brasileiro Rubens Barrichello, no GP
da Áustria: marmelada? |
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