Médicos ditadores
Setembro de 2002

Depois de ler as páginas amarelas com o cardiologista Luiz Roberto Londres, sobre práticas médicas, centenas de leitores, inclusive muitos médicos, escreveram à redação para manifestar suas opiniões. Confira algumas delas:
   
  Desmistificação
O Dr. Luiz Roberto Londres desmistificou, com linguagem elegante, a chamada ditadura da medicina em que quase tudo é proibido, tirando o prazer das pessoas, modificando hábitos. Para dizer a verdade, não fumo, mas acho intolerável a campanha absurda que se faz contra o cigarro. “O Ministério da Saúde adverte” é uma obsessão que só serve para gastos desnecessários, mas não modifica o hábito de fumar. É preciso parar com essa bobagem de que tudo que faz mal provoca o câncer, causa problemas no coração, causa diabetes e outras doenças.
Wille Duarte Costa - Belo Horizonte, MG
   
  Falta sensibilidade
Fiquei feliz e um pouco aliviada em saber que ainda existem pessoas que se preocupam com os outros, que ainda têm o olho no olho, o contato físico. Concordo plenamente com o Dr. Londres. Fico imaginando quando meus filhos se tornarem adultos, ao irem a um consultório e se depararem com um computador no lugar do médico, dizendo “aperte tal número para tal sintoma” e o diagnóstico sair em um papel. Temos hoje avanço e tecnologia, e falta muita sensibilidade.
Nairana Palma - Itu, SP
   
  Vocação
Obrigado, Dr. Luiz Roberto Londres. Sua opinião marca a diferença entre os que exercem a profissão por vocação e os que trabalham por dinheiro.
José Carlos Poletto - Flores da Cunha, RS
   
  Bom exemplo
A entrevista com o médico Luiz Roberto Londres deve servir como livro de cabeceira para os seus colegas brasileiros. Todos nós temos exemplos em nossas famílias, em que basta aparecer uma doença e o doente já está condenado a privar das coisas que o deixa feliz. Certamente, as pessoas que estãstão passando por essas dificuldades deverão mudar seus comportamentos e permitirem que o doente viva com intensidade e fazer o que gosta nos dias que ainda lhe restam.
Sonia Maria de Oliveira Faust - Curitiba, PR
   
  Sensatez
Impossível deixar de comentar tal entrevista. O Dr. Londres demonstra honestidade, sinceridade e sensatez em suas declarações. Identifiquei-me com todos os seus posicionamentos. Quem dera se todos os médicos fossem assim!
Bruno Ferreira B Almeida - São Luís, MA
   
  Qualidade de vida
Há tempos não ouço coisas tão coerentes, ditas por um profissional da área médica, a respeito de qualidade de vida. Neste momento em que o mundo está passando por tanta angústia, dificuldades, enfim, por uma gama de situações relacionadas ao sofrimento, os que seriam responsáveis pela Saúde vêm alertar para a doença. Sou professor de Educação Física e vivo diariamente o sofrimento das pessoas com o excessivo culto à forma, procurando não a saúde, e sim a “não doença”, ou seja, uma inversão de valores.
Paulo Braga - Campo Grande, MS
   
  Ética e moral
Muito oportuna a entrevista com o Dr. Luiz Roberto Londres, onde ele revela com clareza a importância do relacionamento entre médico e paciente para um diagnóstico preciso em favor do paciente. Somente ressaltamos que tudo deve ser feito dentro dos princípios éticos e morais. A habilidade humana no cumprimento de seus afazeres passa por um conjunto de valores com os quais convivem e que cultivam. Avaliar a arte de Picasso à marca de seus pincéis seria o mesmo que desprezar tudo o que cultivou em sua existência, haja visto o resultado de sua obra.
Luiz Antônio de Oliveira Caputo - Caldas Novas, GO
   
  Prática cara e medíocre
Concordo inteiramente com o meu colega Luiz Roberto Londres quando à prática atual da medicina. Muito exame e pouca medicina tem sido a receita. E o prognóstico? Medicina cara e medíocre. Nos hospitais públicos anônimos doentes que não sabem o nome de seu(s) médico(s). Massa humana sofrida, desamparada, enganada pelo populismo politiqueiro de indivíduos formados em medicina que dela se utilizam para fins políticos partidários. No outro lado, o falso conceito popular de que o bom médico é aquele para o qual não se consegue uma consulta (a preços exorbitantes) antes de no mínimo três meses (se alguém voluntariamente pode esperar dias por uma consulta, não está doente ou não tem gravidade). Médico é aquele que acompanha o doente diariamente, até a alta ou até o fim. Não promete a cura mas luta por esta.
Francisco Américo Fernandes Neto - Campinas, SP
   
  Conteúdo humanitário
No atual estágio da profissão médica no Brasil temos assistido a um tecnicismo exacerbado, em detrimento da relação médico-paciente. A avalanche tecnológica que inundou a prática médica pode, se não tomarmos cuidado, tirar o que temos de mais belo e importante em nossa profissão, que é o seu forte conteúdo humanitário.
Dr. Héder Murari Borba - Presidente da Federação Nacional dos Médicos - Rio de Janeiro, RJ
   
  Desconhecimento técnico
Como médico endoscopista não posso concordar com algumas declarações do Dr. Luiz Roberto Londres. A Endoscopia Digestiva bem como os outros métodos citados acarretaram mudanças importantes no diagnóstico na terapêutica e, obviamente, na sobrevida dos pacientes. A humanização da medicina é louvável, bem como o valor da história clínica e exame físico é inquestionável. O Dr. Luiz Roberto Londres demonstra desconhecimento sobre o impacto da Endoscopia Digestiva nas doenças gastroenterológicas.
Dr. José Carlos Barroso Endoscopista - Presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva - Capítulo RJ - Rio de Janeiro, RJ
   
  Idéias divulgadas
As idéias colocadas por esse ilustre médico deveriam calar fundo em toda a nossa sociedade, principalmente na classe médica. Como trabalho na Administração de um Hospital de porte médio de Curitiba, vou humildemente divulgar essas idéias distribuindo cópias dessa entrevista.
Justo João Caetano - Curitiba, PR
   
  Falta de atenção
Esplêndidas as palavras do médico Luiz Roberto Londres. As pessoas sofrem do mal psicológico. Uma consulta prolongada resolveria o problema. O caso é que as consultas são curtíssimas, eles mandam para uma martelada de exames, e o resultado é sempre o mesmo: o paciente não está doente e lá vai ele atrás de outros resultados. Falta humanidade médica.
Simara Martins Riêra Brito - Pouso Alegre, MG
   
  Viver, mais do que existir
Diante do mercantilismo exagerado praticado na atual medicina, causa-nos conforto a Entrevista com o Dr. Luiz Roberto Londres, que nos transmite a sua visão de que para os pacientes o mais importante é viver, não apenas existir.
João Aguiar Pereira - Aracaju, SE
   
  Médicos não auscultam
Que entrevista lúcida e oportuna! Há duas semanas estamos tentando um tratamento médico com humanidade para nossa mãe de 92 anos (carótidas quase totalmente obstruídas), e somente conseguimos um melhor atendimento com a interferência de terceiros. Isto tudo é lamentável. Realmente podemos afirmar pela recente experiência que os médicos não “auscultam” mais a alma do paciente. Pena que o Dr. Londres, ao final da entrevista, argumenta que a tendência é piorar.
Elizabeth e Suely Ribeiro - Belo Horizonte, MG
   
  No governo
Fiquei impressionado com a Entrevista com o Dr. Londres. Concordo com todos seus pontos de vista a respeito da humanização na medicina. Este sim merecia estar entre os homens do 1º Escalão do Governo Federal, os quais definem os rumos da Saúde em nosso país.
Raimundo Falcão - Mossoró, RN
   
  Fora da realidade
Algumas das teses defendidas pelo meu colega, Dr. Londres, ainda que moralmente defensáveis, entram em rota de colisão com a realidade. A medicina baseada, apenas, na história clínica e no exame físico só é aceita pelos pacientes e seus familiares quando os resultados são favoráveis. Como no mundo real nem sempre o são, coitado do médico que não tenha solicitado exames complementares, cujos resultados possam justificar as condutas tomadas e a evolução do caso. Lidamos com um ser muito complexo - o homem - que, se insatisfeito com o resultado do atendimento que lhe foi prestado pela centésima vez, é capaz de esquecer as 99 anteriores, bem sucedidas, e crucificar impiedosamente o profissional, cuja defesa ruiria, inconsistente, na ausência de resultados de exames complementares, capazes de justificar as atitudes tomadas.
Dr. Paulo Roberto Pereira Toscano - Especialista em Cardiologia e Hipertensão Arterial - Professor (aposentado) e ex-reitor da Universidade do Estado do Pará
   
Leia a entrevista com:

Luiz Roberto Londres, dono da Clínica São Vicente, um dos hospitais mais conceituados do Rio de Janeiro, critica a forma como a medicina é praticada
   
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