Férias e polêmica
Janeiro de 2002


O artigo "Férias? Nem pensar", do colunista Stephen Kanitz, publicado em VEJA desta semana, provocou muita polêmica entre os leitores. Para o articulista, "férias são uma conquista sociologicamente estranha, porque criam e perpetuam a idéia de que no Brasil se ganha sem Ter de trabalhar". Leia o artigo e confira algumas opiniões que chegaram à redação.
  
 Trabalhador feliz produz mais
As colocações do artigo Férias? Nem pensar" são lógicas e coerentes. No entanto, a retórica não é convincente. As empresas modernas, competitivas, que valorizam a qualidade dos seus produtos e serviços oferecem melhores condições de trabalho, bônus, benefícios sociais. Trabalhador satisfeito, contente, produz mais e melhor.
Robson do Nascimento
  
 Carga de trabalho
Stephen Kanitz nos colocou em uma enrascada com seu ponto de vista. Por um lado ele tem razão: trabalhamos pouco e folgamos muito, mas como estruturar tudo a ponto de podermos fazer com que todo mundo fique empregado aumentando as horas de trabalho ao invés de diminuirmos como são feitos em alguns países europeus.
Alessandro Mazzo, Itapuí, SP
  
 Maldita inspiração
Deus, que é todo-poderoso, descansou no sétimo dia, isto é, empregou quase 17% do tempo trabalhado no gozo de férias. Nós, sofridos brasileiros, só empregamos 12%. O texto, que amaldiçoa as férias, só pode ser coisa do Diabo, pois o autor descansava na Disney, quando lhe chegou, do inferno, a maldita inspiração.
Jorge Mileto de Miranda. Itajaí, SC
  
  Qualidade de vida
Lamentável a abordagem de artigo, pois em nenhum momento foi levada em consideração a qualidade de vida do brasileiro (elevadas jornadas de trabalho, baixos salários, transportes precários etc.).
Ana Lima, São Paulo, SP
  
 Elogios
Muito bom o artigo de Kanitz. É vergonhoso que com tantos feriados, sábados e domingos necessitemos de férias longas. Férias para quê? Ainda não vi ninguém morrer porque trabalhou demais. Sou microempresário, trabalho doze horas por dia, minhas férias são no máximo sete dias por ano e não tenho 13º salário. As leis trabalhistas devem ser revistas com urgência.
Cláudio T. Batistela, Maringá, PR
  
 Direito adquirido
De que valerá a vida se passarmos todo o tempo trabalhando para a empresa ter mais lucro e os políticos nos roubarem e não pudermos conviver um pouco (ao menos nas férias) com nossos filhos e família? As férias remuneradas são, sim, um direito adquirido de todos os brasileiros e do qual não devemos abrir mão.
Mauro Sanches, São Paulo, SP
  
 Lei divina
O senhor Kanitz está precisando de férias. Só para lembrar: em todas as religiões existe um dia de descanso. Por que isso é assim? Para que a lei humana não interfira e a lei divina se torne eterna e intocável independentemente do governante.
Güther Petrusch, Canoas, RS
  
 Equívocos
De uma maneira geral, não concordo com a posição do articulista sobre férias. No Brasil é uma conquista que deveríamos tomar como exemplo para os outros. Na Alemanha, há férias de verão e inverno que somam 45 dias e nem por isso o país vai mal. A China como exemplo é outra piada. Acho que ele cometeu equívocos. Deixe nossas férias em paz.
Ivan Esaú dos Santos, Volta Redonda, RJ
  
 Equívocos II
O artigo coloca funcionários comuns como preguiçosos e "empresários, agricultores e executivos" como seres especiais que raramente tiram férias. Trabalho em empresa americana e digo que lá existem férias sim, que são negociadas nos contratos de trabalho onde constam como "Paid Time Off" , férias pagas, e que todos trabalham muito. A diferença é que paga-se melhor, respeita-se mais o funcionário e dá-se total condição de o funcionário executar o seu trabalho.
Renan de Moraes Felix da Silva, Rio de Janeiro, RJ.
  
 Só com competência
Como empresário, achei o artigo excelente. Vivemos num país em que até desempregados falam em direitos trabalhistas, incompetentes têm estabilidade de emprego e se tornam mais inúteis a cada dia. Quando o brasileiro vai descobrir que só a competência vai garantir o emprego?
Celso Freire
  
 Pensamento triste
É óbvio que há também felicidade no trabalho, mas esta não é natureza da humanidade, ou seja, viver para trabalhar. Trabalhamos, sim, para sermos felizes. Portanto, aqueles que somente alcançam a felicidade por meio do trabalho contínuo, ininterrupto aos sábados, domingos, feriados, que o façam, mas não tentem generalizar esse pensamento tão pequeno e triste.
Ricardo César Pamplona Silva, Foz do Iguaçu, PR
  
 Revitalização
Férias constituem um mecanismo de revitalização do ser humano. Afinal, desde a criação do homem, Deus criou o sono diário. Só que está cada vez mais difícil para o trabalhador brasileiro retirar uma fatia do orçamento familiar para usar em um afastamento periódico de suas atividades, não para ficar sem fazer nada, e sim para fazer o que não pode fazer enquanto trabalha.
Julio Lélis da Costa Neto, Fortaleza, CE
  
 Provas científicas
O ponto de vista de Stephen Kanitz omitiu a informação de estudos científicos que comprovam a necessidade de a "máquina homem" ter períodos de descanso para melhor funcionar.
Nelson Ferreira de Queiroz Neto, Fortaleza, CE
  
 Tempo das cavernas
Creio que o pensamento do articulista reflete o que pensa a grande maioria dos empresários, que querem pessoas para trabalhar noite e dia incansavelmente. Está certo que no tempo das cavernas não havia feriados, domingos e muito menos férias, mas devemos voltar aos tempos das cavernas?
Gilberto F da Silva, São Bernardo do Campo, SP
  
 Cabeça empresarial
Stephen Kanitz externou o seu ponto de vista, que é o mesmo da maioria do empresariado brasileiro: viva o lucro e dane-se o trabalhador. Nunca vi uma síntese tão perfeita da ganância empresarial brasileira. Milhares de empresários vão chegar em seus escritórios e usar o artigo como ameaça, como arma, como justificativa para demissões.
Nei Leandro de Castro, Rio de Janeiro, RJ
  
 Idéias ao contrário
Pelo artigo, Stephen Kanitz passar a merecer o troféu Diogo Mainardi para idéias ao contrário.
Paulo Pinheiros Gomes, Pelotas, RS
  
 
  
Leia o artigo
"Férias? Nem pensar."
  
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