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Pela
família e com carinho
Fevereiro de 2002
O artigo "Família em primeiro lugar", escrito pelo
colunista Stephen Kanitz e publicado em VEJA da
semana passada, tratou de um dos grandes dilemas
da vida moderna: a dificuldade em conciliar família
e trabalho. A abordagem mereceu dezenas de cartas
de leitores. Confira algumas delas, leia
o artigo e dê a sua opinião no fórum
ao lado. |
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Sociedade
perversa
Gostaria de parabenizar Stephen Kanitz pelo artigo.
A sociedade nos coloca em situações nas quais temos
de abrir mão de eventos familiares ou perdemos o
emprego.
Syrlene Mancine |
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Família
é fonte de energia
Sou casada, mãe de três filhos,
e não existiu nem uma vez em que meu marido
não estivesse comigo ao lado das crianças.
Duas vezes por ano tiramos vinte dias e viajamos
com elas. A presença na família nunca
atrapalhou seu sucesso na empresa, muito pelo contrário.
Essa vida só faz com que ele se sinta mais
forte e realizado e com isso trabalhe melhor, mas
sei que a maioria das pessoas não é
capaz de conseguir isto que meu marido e eu temos
em casa.
Paola Mathias Maffei Valente |
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A
maior riqueza do ser humano
O artigo veio em boa hora pois trata de um assunto
que está sendo cada vez mais esquecido: a
família. Quisera todos os pais agirem da
forma que o senhor age. Só teriam a ganhar
e com certeza essa é a maior riqueza que
o ser humano pode ter.
Iva Michiles Robini |
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Mudança
Confesso que me emocionei com o texto. Se no
seu caso já se passaram vinte anos da mudança,
a mim não faz mais que cinco dias.
Marcelo Holtz |
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A
verdadeira herança
Eu sempre digo que o mais importante era deixar
aos filhos não terras, apartamentos, fortunas,
pois tudo isso acaba. O melhor dos legados é
a educação. Para educar você
precisa conviver (em bom português, viver
junto). E para conviver tem de ser em família.
O artigo só me faz ter mais certeza ainda:
a família é base, o resto é
conseqüência.
Lima |
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Exemplo
vivo. E feliz
Sou advogada e meu marido é gerente geral
de uma grande empresa. Temos um bebê de 1
ano e 2 meses que, até os 10 meses, foi criado
em uma escola-berçário. À noite
raramente via meu filho. Subitamente meu marido
foi transferido e tive de largar meu escritório,
meus clientes, minha pós-graduação.
Virei dona-de-casa. Hoje sou um exemplo vivo da
matéria abordada no artigo. Sou uma mulher
realizada por colocar minha família em primeiro
lugar e, sobretudo, por eu mesma poder educar meu
filho.
Ana Vitória Wernke |
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Renúncia
rendeu lucros
Sou médico e, para mim, é impossível
colocar em primeiro lugar a família. Inúmeras
vezes deixei de conviver com meus filhos, tive de
deixá-los doentes em casa e ir cuidar dos
filhos dos outros. E nem por isso me sinto arrependido.
Pelo contrário, me sinto orgulhoso. As minhas
filhas, é claro, sentiram estas ausências,
mas hoje elas compartilham as realizações
que fiz e sabem que as condições de
vida, conforto, estudo em bons colégios e
universidades e outros benefícios são
fruto do meu trabalho e também do esforço
delas, de sua renúncia. Hoje elas trabalham
comigo, têm seus escritórios junto
à minha clínica e posso agora sim
dar-lhes o carinho, o apoio e a presença
sem ter do que me arrepender.
Carlos Augusto Matiotti Leite |
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Angústia
Tenho um filho de 1 ano e 5 meses que me tirou
da vida de workaholic. Na véspera dele nascer,
trabalhei até tarde e depois comecei a passar
mal. Após a licença maternidade, voltei
ao mesmo esquema de antes. Quando ele começou
a falar, chamava papai, vovó e outros nomes
e não falava mamãe de jeito nenhum.
Isto mexeu muito comigo e decidi que minha família
estaria a partir de agora sempre em primeiro lugar.
Comecei 2002 determinada e está dando super
certo. O Pedro me chama de mamãe, tudo tem
mais sentido, fiquei mais eficiente dentro do espaço
que abri para o trabalho e estou conseguindo fazer
o dia render mais.
Rozane Martins |
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Low
profile
Por uma série de circunstâncias
não previstas, nem tampouco desejadas, tornei-me
empresário. Hoje considero-me um privilegiado.
Dono do meu tempo, estou sempre ao lado dos meus
dois filhos e da minha esposa. Não sou nenhuma
sumidade nacional. Não sou convidado para
dar palestras e conferências. Já sonhei
com isso um dia. Hoje prefiro muito mais a minha
condição de "low profile"
do que estar em evidência. Agradeço
a Deus todos os dias por ter chegado a esta condição.
Posso até vir a ter uma grande decepção
com meus filhos no futuro, mas terei a certeza de
que não errei por omissão. Admiro
e respeito a dedicação de alguns profissionais.
Mas, realmente, não há sucesso profissional
que compense um fracasso no lar.
Manoel Otávio Maciel |
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Deus,
família e trabalho
Muito oportuno o artigo. A sociedade norte-americana
foi fundada, cresceu e desenvolveu-se com base em
três princípios basilares: Deus, família
e trabalho. A combinação dos três
é que fez daquele país um dos mais
desenvolvidos no mundo moderno. Oxalá pudéssemos
seguir aqui o exemplo americano.
Elias Gédéon |
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O
que realmente vale a pena
Sou casada há menos de um ano e ainda
não temos filhos. Apenas nos temos um ao
outro. O artigo trata de um ponto muito comum nos
dias de hoje. Queremos sucesso a qualquer preço
e acabamos não nos preocupando com as coisas
que realmente valem a pena.
Márcia Liane Silva |
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Driblando
o mercado
Presenciei fatos semelhantes ao narrado abaixo,
mas humildemente contesto a idéia de que
não se prospera profissionalmente porque
se dedica menos tempo para o trabalho. Acredito
na criatividade, cooperação e vontade,
além do incomparável apoio familiar,
como fatores que podem ajustar a imposição
mercadológica.
Walter Stelzer Jr. |
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Mãe
coruja
Sou casada há 16 anos e tenho dois filhos
de 15 e 14. Trabalho como servidora pública
e sempre priorizei a minha família, o que
não influenciou a qualidade do meu trabalho.
Ultimamente, comecei a ser criticada por ser aquela
"mãezona" que busca e leva os filhos
na escola, etc. Outro dia, embora apertada financeiramente,
recusei uma proposta para trabalhar na organização
dos vestibulares porque teria de me desdobrar em
muitas. Vivemos, como a maioria dos brasileiros,
fazendo malabarismo. Quase sempre estou no saldo
devedor. Mas a minha família em primeiro
lugar. Os frutos que tenho colhido são de
primeira qualidade.
Maria Lucia Ferreira Hipolito Pires |
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Meio
a meio
Eu terminei um casamento há pouco tempo
porque ele não admitia minha dedicação
ao trabalho. Por não ter apoio da família
para minhas realizações, preferi ficar
com meu filho, a quem cumpro religiosamente horários
para nos curtimos. Acredito que podemos ter sucesso
sem perder a família. Basta que haja conciliação
e entendimento das partes. Nem muito trabalho, nem
muito família. Afinal, como tratar nossas
frustrações profissionais? Não
acredito que colocar a família em primeiro
lugar nos trará satisfação
por completo.
Carla Cavalheiro |
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Preço
alto demais
A abordagem do artigo é de uma objetividade
bastante corajosa. Nem todo mundo se propõe
a mencionar que, ao dedicar tempo à família,
te;lia,
você obviamente não estará 100%
do tempo disponível à empresa. Concordo
com o fato de que o preço do sucesso profissional
pode vir a ser alto demais. Eu realmente prefiro
a dedicação à minha esposa
e filha, mesmo que isto tenha custos.
Luiz Meneguini |
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Decepção
Largar uma carreira promissora, com status e
projeção social, não foi fácil.
Ficou fácil quando vi minha filha de 14 anos,
linda, inteligente e com tudo que desejava, sair
com pessoas que não tinham outros objetivos
além de se divertir, beber, dançar,
fumar maconha, cheirar lança perfume e outras
coisas que não esperei para ver. Ao ver um
filho que, com nosso dinheiro suado, foi estudar
em um grande centro e acabou caindo na gandaia sem
saber que profissão seguir. Aí larguei
tudo e não me arrependo, meus filhos estão
ótimos.
Maria Teresa Nemoto |
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Privilegiados
Felizes os lares que podem contar com pessoas,
executivos ou não, que colocam a família
em primeiro lugar, dando tempo para os filhos e
esposa, para ouvi-los, educá-los e conviver
com eles.
Filemon de Assis |
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Sem arrependimento
O artigo valoriza e incentiva todos a repensarem
sua escala de valores. Sou engenheiro, tenho 48
anos, bem casado, feliz e com um lindo filho de
13 anos. Poderia hoje ser diretor de vendas ou um
outro cargo qualquer em alguma empresa, mas optei
sempre por deixar a família em primeiro lugar.
Não me arrependo de nada.
José Antonio Marini |
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Sou
família e não abro
Com 23 anos de carreira já tive essa
dúvida e fiz minha escolha: sou família
e não abro mão. Quero participar do
crescimento dos meus filhos.
Gil Luti Monteiro |
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Apenas
vaidade
Se analisarmos ceticamente, podemos ver que
a escolha pela fama e pelo dinheiro é apenas
uma vaidade: dizer-se melhor do que os outros. É
muito comum que profissionais se vangloriem de trabalhar
além do expediente, indicando isso como razão
de uma produtividade maior. É comum pessoas
se vangloriarem por não tirarem férias
e por serem imprescindíveis para a empresa
por esse motivo. Embora pareçam produtivos,
muitas vezes são pessoas inseguras consigo
mesmo.
Luís Henrique Piovezan |
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Lição
de vida
Há 21 anos morria meu sogro, por quem
eu tinha uma imensa admiração e amizade.
Nos dias seguintes à sua morte, organizando
seus haveres pessoais, encontramos, minha mulher
e eu, dentro de um livro, um texto por ele manuscrito,
que dizia: "A medida do sucesso de um homem
na vida não é o dinheiro que ele acumulou.
é o tipo de família que ele formou".
Esta frase encontra-se desde então emoldurada
na parede de nossa sala e na dos nossos filhos,
como mensagem a ser lida e refletida permanentemente.
Luiz A. Justus Soares |
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Ferida
O artigo expõe uma das feridas que o
homem moderno tenta esconder.
Marco Olímpio Rocha Nonato |
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Engano
Já testei, no trabalho, fazer a pergunta:
você coloca o emprego em primeiro lugar ou
a sua família? A maioria respondeu que o
emprego, pois, com ele, pode sustentar a família
e lhe dar mais conforto e bem-estar. Ledo engano!
O tempo passa célere e, quando menos se espera,
os filhos, a mulher, as amantes vão embora
e fica-se a ver navios.
Antonio José de Oliveira |
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Empurrãozinho
Destino quase que 12 horas diárias entre
atendimento ao público e reuniões
para que todas as metas da empresa sejam cumpridas,
além de leituras e cursos de aperfeiçoamento.
O que fazer com filhos, marido, amigos, familiares?
Ignorá-los? E quando então cairmos
na realidade, depois de sermos esquecidos pelo empregador,
o que fazer? Não sei se consigo, no momento,
tomar uma atitude, mas as palavras do artigo já
me ajudaram bastante.
Silvia R.S.B. e Silva |
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Moral
e família
Somos, meu marido e eu, muitas vezes ridicularizados
por priorizar a família, como se esta forma
de pensar fosse errada e antiquada. Como dizia meu
pai, grande educador, há coisas que não
mudam nunca: a moral e a família são
as mais importantes.
Raquel Tafner |
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Por
uma chance melhor
Eu, mãe de duas meninas, entrei para
a universidade federal com mais uma no ventre. Tenho
um marido marinheiro que passa 28 dias em média
em alto mar, portanto não tenho com quem
dividir as tarefas domésticas. Passei por
conflitos entre o que priorizar, minhas filhas ou
a faculdade tão sonhada. Hoje me dedico a
elas, tranquei o curso e tento fazer com que as
oportunidades delas sejam outras desde cedo.
Cristiane S. dos Santos |
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Abrindo
mão da fama
Há quase 20 anos, quando tomei a decisão
de, juntamente com meu marido, conseguir melhor
qualidade de vida para nós e para as crianças,
fui amplamente criticada e considerada incapaz de
gerenciar minha vida profissional. Abri mão
de dinheiro, fama e projeção social.
Hoje sinto-me feliz e tranqüila.
Regina Persechini |
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A
melhor amiga
A família é prioritária.
Exercito isto e hoje posso colher frutos diários
por ter optado em estar mais próxima da minha
filha. Até dois anos atrás, vivia
para os outros. Minha agenda não tinha dono.
Então resolvi ser mãe durante a semana
e desliguei-me do trabalho para ser consultora.
Hoje não trabalho de manhã, sou "terceirizada"
e não tenho benefícios. Em compensação,
acompanhei as primeira braçadas da natação,
as primeiras palavras escritas e ganhei mais abraços.
Na semana passada, ouvi que, além de ser
a melhor mãe do mundo, sou a melhor amiga
dela. Juro que não espera isso! O nome dela
é Marina, a grande revolucionária
de minha vida.
Isabella Nunes |
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Lágrimas
O artigo vem em boa hora. Vivemos os descaminhos
de um tempo sem valores; em que se vive a ilusão
do materialismo; em que se vive a mesquinhez do
consumismo; em que se vive a ruptura da moralidade;
em que não se vive, enfim. Esse artigo vai
ficar gravado no coração, e de tempo
em tempo quero lê-lo para lembrar da premissa
básica que nele está contida: mais
importa ser feliz do que ter sucesso material. Confesso,
por fim, que no momento em que lia o artigo, meu
irmão tocava piano na sala. E da combinação
dessas duas pérolas, copiosas lágrimas
me rolaram a face.
Leandro Meireles |
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Tábua
de salvação
Confesso que já estava em desespero,
me achando a mais preguiçosa das pessoas
por almejar tanto um fim-de-semana, feriado ou férias.
Mas fiquei mais tranqüila com esse artigo.
Renata Gomes Netto |
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Incoerência
Foi absurda a incoerência dos artigos
de Stephen Kanitz das duas últimas edições.
No primeiro ele condena os 30 dias de férias
anuais da CLT dizendo que todos os brasileiros devem
trabalhar feito escravos para tirar o país
da lama. Já no segundo afirma que ele próprio
tem 3 meses de férias, que não devemos
ser "workaholic" e que devemos ter a "família
em primeiro lugar". Não entendi e não
gostei.
Marcelo Avila de Oliveira |
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