Cronologia

Meio século de Europa unida


Anos 1940 e 1950: Origens

A semente da União Européia foi plantada com o Conselho da Europa, órgão criado em 1949, logo após o fim da II Guerra Mundial, para assegurar a paz na região. As seis nações fundadoras da organização foram Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Holanda. Pouco depois, em 1950, mais precisamente em 9 de maio – data que se tornaria o “dia da Europa” –, Robert Schuman, então ministro francês das Relações Exteriores, apresentou ao grupo um plano de cooperação internacional.

O projeto acabou sendo o ponto de partida para a elaboração de um tratado que, assinado um ano mais tarde, submeteu a indústria do carvão e do aço dos países do Conselho a uma autoridade comum. Acreditavam, assim, que poderiam controlar a fabricação de armamentos. Alguns anos mais tarde, após uma experiência bem-sucedida com a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, o grupo decidiu expandir os domínios de sua cooperação. Em 1957, assinaram o Tratado de Roma, dando origem à Comunidade Econômica Européia (CEE). A mais importante cláusula do contrato determinava a criação de um mercado comum que permitia a livre circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capitais entre os seis estados-membros.


Anos 1960 e 1970: Expansão

Apesar da criação da área de livre comércio datar de 1957, foi apenas com o surgimento de uma política agrícola comum e, sobretudo, com a supressão dos direitos aduaneiros que o mercado comum europeu pôde se concretizar e se tornar o maior do mundo. As diretrizes sobre a agricultura partilhadas a partir de 1962 determinaram, entre outras coisas, a uniformização dos preços dos produtos da terra em toda a Comunidade. E o fim do controle alfandegário, em 1968, permitiu, na prática, o exercício da liberdade no ir e vir de produtos e pessoas.

Com essa nova conquista, a CEE começou a cogitar dividir uma mesma moeda. O primeiro passo dado nesse sentido, em 1972, limitou as margens de flutuação entre as moedas dos diferentes países. Conhecida como “serpente monetária”, a medida estabeleceu que a diferença entre a moeda mais forte e a mais fraca do grupo deveria ser de, no máximo, 2,25%.

No fim de 1974, já com três novos membros – Dinamarca, Irlanda e Reino Unido –, a CEE sentiu a necessidade de amenizar as disparidades econômicas e sociais entre os estados que a integravam. Para tal, instituiu o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, que ficou responsável pela transferência de recursos de regiões ricas para regiões pobres.

Para legitimizar e fortalecer ainda mais o bloco, a partir de 1979 as eleições para o Parlamento Europeu passaram a ser universais e diretas. A assembléia, então, ganhou força e seus deputados, que antes que provinham dos parlamentos nacionais, passaram a fazer parte de grupos políticos pan-europeus (socialistas, conservadores, liberais).


Anos 1980 e 1990: União

Ao longo da década de 1980, a Comunidade ganhou mais alguns adeptos. Primeiro veio a Grécia, em 1981, e depois Espanha e Portugal, em 1986. Passados seis anos, o grupo, então formado por 12 nações, assinou em Maastricht, na Holanda, o Tratado da União Européia. A mudança do nome do bloco traduzia, em grande parte, a principal transformação pretendida pelo novo acordo: transformar o grupo econômico numa unidade também política. Para tanto, buscou-se, por exemplo, elaborar uma política externa e de segurança comum, assim como reforçar a cooperação em matéria de justiça. Em 1997, um tratado também instituiu políticas sociais e de emprego.

Mas a principal resolução de Maastricht, aquela que teve maior impacto na vida cotidiana dos europeus, foi a criação da União Econômica Monetária (UEM), cujo principal objetivo era implementar a moeda única. A primeira medida da UEM, que entrou em vigor naquele momento, foi a determinação da livre circulação de capitais entre os países da União. Os esforços para a unificação financeira acabaram fortalecendo o mercado comum, que ganhou nova denominação: mercado único.

Os anos 1990 também foram marcados por uma maior abertura por parte da UE em aceitar novos membros. Alemanha, Áustria, Finlândia e Suécia juntaram-se ao bloco, que também começou a negociar a adesão de uma dezena de países da região central e do leste do continente – Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, República Checa e Romênia – e das ilhas de Chipre e de Malta.


Anos 2000: Eurozona

Em janeiro de 2002, finalmente o euro entrou vigor. Mais de 80.000 milhões de moedas e notas foram colocadas em circulação. O dinheiro em papel era o mesmo para todos os países, mas as moedas tinham uma face “européia”, que indicava o valor, e uma face com um símbolo do país em que havia sido introduzida. Os países que passaram a integrar a zona do euro – e desde 1999 utilizavam a moeda em suas transações comerciais e financeiras – foram Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia preferiram não participar.

A expansão da UE rumo ao leste também se realizou. Malta, Chipre, Estônia, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia e República Checa aderiram ao grupo. Meses depois, os 25 estados-membros assinaram um tratado que estabelecia uma constituição européia, logo depois rejeitada por franceses e holandeses. Em 2007, foi apresentada ao bloco, que havia acabado de incorporar a Bulgária e a Romênia, uma nova versão do documento. O Tratado de Lisboa, porém, também não agradou. Em 2008, os irlandeses se recusaram a assiná-lo.