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O impacto do caos nas ruas Prejuízo
para o país. drama para o cidadão Os grande
aglomerados urbanos brasileiros amargam congestionamentos cada vez maiores. De
acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), circulam
pelas ruas e estradas do país cerca de 45 milhões de veículos,
entre eles automóveis, caminhões, motocicletas, tratores e ônibus.
A região Sudeste concentra 24 milhões de veículos, e desses,
6 milhões transitam nos 17.000 quilômetros de vias da cidade de São
Paulo. Além da capital paulista, Rio de Janeiro, Brasília e Recife
são algumas das capitais que não suportam mais os freqüentes
engarrafamentos. O trânsito excessivo nas grandes cidades provoca conseqüências
muito mais graves do que os atrasos e transtornos enfrentados diariamente pelos
motoristas. Os congestionamentos custam muito dinheiro, prejudicam a saúde
da população e atrapalham o crescimento do país. Portanto,
resolver (ou amenizar) o problema não é apenas uma questão
de conforto e bem estar - é também um importante incentivo ao desenvolvimento
econômico e social. A seguir, alguns exemplos do impacto negativo do trânsito: Mobilidade
limitada e rotina de restrições
Os congestionamentos
limitam o direito de ir e vir, que está previsto na Constituição.
Em São Paulo, cidade brasileira que mais sofre com o problema, o colapso
total do trânsito está previsto para 2012. De acordo com um levantamento
feito pelo Ibope no início de 2008, 63% dos paulistanos gastam entre 30
minutos e 3 horas nos deslocamentos para a escola, universidade ou trabalho. Como
falta infra-estrutura adequada no transporte de massa (segundo o Ibope, 54% estão
totalmente insatisfeitos com o transporte coletivo), o morador da metrópole
adotou soluções individuais para o problema de locomoção.
Resultado: o paulistano vive uma rotina cheia de restrições, pois
o tráfego pelas ruas em várias partes do dia é quase inviável.
Além de diminuir a velocidade média dos carros e ônibus, os
congestionamentos retardam os serviços de emergência, como o deslocamento
de ambulâncias e veículos do Corpo de Bombeiros. O
peso econômico da desordem nas ruas
A Secretaria
de Estado dos Transportes Metropolitanos estima que as perdas financeiras com
acidentes de trânsito, poluição e engarrafamentos em São
Paulo sejam de 4,1 bilhões de reais por ano. Já o Instituto de Estudos
Avançados da USP calcula perdas diárias de 11 milhões de
reais com tempo e combustível nos congestionamentos. O estudo considera
a média de 80 quilômetros de lentidão por dia, com picos de
200 quilômetros. No total, os custos anuais chegaria a 3,3 bilhões
anuais. As soma do tempo perdido pelas pessoas no trânsito atinge a média
de 240.000 horas. São desperdiçados cerca de 200 milhões
de litros de gasolina e álcool e 4 milhões de litros de diesel por
ano nos engarrafamentos na cidade. A paralisia do trânsito tem impacto na
economia como um todo: · Custos logísticos:
Os caminhões retidos nos engarrafamentos têm custo maior porque gastam
mais, rodam menos e fazem, portanto, menos entregas. Como esses caminhões
cumprem menos ciclos de entrega, as transportadoras precisam aumentar a frota
ou subcontratar serviços de entrega adicionais para atender seus clientes.
Com isso, colocam ainda mais veículos nas ruas. Os caminhões parados
no trânsito tornam-se alvo fácil para os ladrões, proporcionando
aumento do valor dos seguros. Mais veículos nas ruas, mais motoristas contratados.
Pela ótica da geração de empregos, o trânsito poderia
ser um bom negócio, mas os motoristas adoecem mais nos congestionamentos,
elevando o valor dos planos de saúde e dos seguros pessoais. Todos esses
custos adicionais serão repassados ao valor do produto - e ao bolso do
consumidor. · Gastos com combustíveis:
O aumento do consumo dos combustíveis provoca aumento de preços.
Os combustíveis de origem fóssil são limitados na natureza.
Os renováveis, como o álcool, precisam de insumos, área de
plantio e sofrem com a entressafra. Além disso, são commodities,
ou seja, têm preços cotados pelas bolsas de valores de acordo com
a lei da oferta e procura. · Custos de
produção: Dependendo do tipo de produto transportado, o tempo parado
pode fazer com que a carga estrague ou tenha sua validade encurtada. Além
disso, as empresas são forçadas a montar estoques maiores por causa
do temor de desabastecimento e interrupção da produção
(por causa de atrasos na entrega da matéria-prima, por exemplo). ·
Perdas no consumo: As horas perdidas nos engarrafamentos poderiam ser aproveitadas
na própria produção - ou pelo menos no consumo de produtos
e serviços, o que também ajudaria a esquentar a economia. Com mais
tempo livre, o morador de uma grande cidade pode praticar atividade física
em uma academia, ir ao cinema, visitar parques e museus, passear em shoppings... Na
saúde, conseqüências perigosas
Em
2007, pesquisadores da Universidade de São Paulo avaliaram 500 pessoas
que trabalham nas ruas, como motoristas. Todas as pessoas expostas à rotina
nas ruas apresentaram substâncias tóxicas no organismo e chance dobrada
de desenvolver câncer do pulmão. Também podem desenvolver
bronquite, asma e até infarto. Os acidentes de trânsito matam, em
média, quatro pessoas por dia em São Paulo. Também produzem
milhares de feridos, além de propiciar o aparecimento de outras doenças,
como stress, hipertensão e lesões por repetição de
movimentos. As horas ociosas no trânsito
diminuem ou impossibilitam a participação em atividades físicas,
de lazer e de descanso. As pessoas que passam longas horas ao volante ou mesmo
em ônibus lotados tendem a apresentar queixas como dores lombares, no pescoço
e ombros, além de dores de cabeça, nas pernas e pés. O repouso
também é prejudicado pela tensão dos congestionamentos: a
pessoa dorme menos porque ficou mais tempo presa no trânsito ou porque tornou-se
vítima de insônia. Outro problema provocado pelos engarrafamentos
é a exposição a um nível elevado de ruído.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), decibéis
muito acima do tolerável ocupam o terceiro lugar no ranking de problemas
ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro. Não
se trata de simples incômodo: barulho mata. Só por infarto, são
210.000 vítimas por ano. Qualquer som acima dos 55 decibéis (o equivalente
à voz humana em conversa baixa) é interpretado pelo organismo como
uma agressão. Para preparar sua defesa, o cérebro ordena que as
supra-renais, glândulas localizadas acima dos rins, liberem boas doses de
cortisol e adrenalina, os hormônios do stress. Além dos óbvios
distúrbios auditivos, esse é o gatilho para uma série de
reações: · Órgãos
genitais: passam a receber menos sangue. O homem fica com dificuldade de ereção
e a mulher pode perder o desejo sexual. · Cérebro: a pressão
intracraniana sobe e a cabeça dói. A concentração
e a memória ficam prejudicadas pela ação dos hormônios
do stress, que ainda levam a uma sensação de exaustão, gerando
agressividade. · Músculos: se contraem ao máximo
e começam a liberar na corrente sangüínea uma série
de substâncias inflamatórias. · Pulmões: a
respiração acelera e esses órgãos passam a funcionar
a toda velocidade. Com o tempo, a sensação de cansaço é
inevitável. · Coração: começa a bater
rapidamente e de maneira descompassada. Os vasos sangüíneos se contraem
e a pressão arterial sobe. O risco de infarto e derrame cresce. ·
Sistema digestivo: o estômago passa a fabricar suco gástrico
além da conta, o que pode levar à gastrite e à úlcera.
Já o intestino praticamente trava. O resultado é a prisão
de ventre. Além de produzir mais doentes,
o que já é um problema gravíssimo, o trânsito também
tem impacto nos custos de saúde que são repassados ao consumidor
final. A lógica é a seguinte: mais doentes elevam a demanda por
contratação de profissionais médicos, enfermeiros e demais
especialistas; crescem os custos com o serviços e medicamentos; aumenta
a ocupação de leitos hospitalares. Esse ciclo inflaciona os valores
de seguros e planos de saúde, atingindo o Sistema Único de Saúde
(SUS) e a rede particular. Prejudicadas pelas doenças, pessoas treinadas
se afastam ou passam a produzir menos, gerando ainda mais custos. |