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Terror
no coração da América
Reportagem
de VEJA publicada 26 de abril de 1995
Foram dois
choques, um mais violento do que o outro, que sacudiram os Estados
Unidos. Primeiro, o bárbaro atentado com um carro-bomba
plantado na manhã de quarta-feira passada na porta de um
prédio de repartições públicas do
governo federal em Oklahoma City, uma sonolenta cidade do meio-oeste.
O impacto da carga explosiva devastou o edifício de nove
pavimentos. Até a madrugada de sábado, 65 corpos
haviam sido retirados das entranhas moídas do Alfred Murrah
Building, e calculava-se que outros 150 ainda seriam encontrados.
Pelo menos doze dos mortos eram crianças que freqüentavam
a creche instalada no prédio. As equipes de resgate encontraram
os pequenos corpos mutilados, decapitados, torrados vivos, num
cenário indizível de horror que arrancou lágrimas
de bombeiros calejados em catástrofes e causou o martírio
de dezenas de mulheres, unidas pelo grito mais tenebroso que uma
mãe pode pronunciar - "Onde está meu filho?" Uma
jovem de 20 anos, Dana Bradley, foi arrancada da montanha de escombros
com o último recurso - a amputação da perna
direita, presa sob uma viga de concreto. Enquanto teve forças,
ela só pediu duas coisas: água e notícias
de seus filhos, um menino de 4 meses, cuja carteirinha da Previdência
Social ela ia tirar naquele dia no prédio, e uma menina
de 3 anos. Os dois estavam desaparecidos.
"Isso aqui
não é Jerusalém, não é Bagdá",
desesperava-se o funcionário público V. Z. Lawton,
que trabalhava no prédio. "Isso aqui é Oklahoma."
Ainda sob o impacto de ter visto o chão de seu escritório
no 8o andar sumir, em meio ao estrondo desumano, a
menos de 3 metros de seus pés, Lawton expressava o mesmo
sentimento de perplexidade de toda a população da
cidade, conhecida pela música country, pela paisagem monótona
e pela vidinha típica dos caipiras do interior: como uma
coisa dessas tinha acontecido ali, em Oklahoma, no coração
sonolento dos Estados Unidos?
As cidades
mencionadas pelo funcionário como exemplos de violência
dessa natureza indicavam também para onde apontavam todas
as suspeitas dos americanos. Com o precedente do atentado similar
contra o World Trade Center de Nova York, praticado por um grupo
de egípcios e outros fanáticos árabes, a
conclusão parecia inevitável: aquilo só podia
ser coisa de fundamentalistas muçulmanos, os eternos vilões
de plantão. Aconteceu, então, o segundo choque,
outra bomba, desta vez de efeito moral. Os suspeitos não
eram homens de barba e turbante, pele morena e Corão na
mão. Eram americanos da gema, branquíssimos, ligados
possivelmente à Milícia de Michigan, o mais organizado
dos chamados "grupos de autodefesa" que proliferam pelos Estados
Unidos. São tipos de ultradireita, que adoram vestir uma
farda e odeiam qualquer forma de interferência do governo.
Começaram a se unir em protesto contra as leis de controle
da venda de armas. Alguns terminaram, segundo indicavam as investigações,
explodindo criancinhas no coração da América.
A
morte dos pequeninos
Nos
escombros, a tragédia das criancinhas e a busca quase sem
esperança dos sobreviventes
A seqüência
até poderia ter sido ensaiada. Na sangrenta manhã
de quarta-feira, quando ainda nem se sabia o que havia provocado
toda aquela destruição do prédio do governo
no centro de Oklahoma, um parrudo sargento da polícia.
John Avera, estava entre os primeiros a prestar socorro às
vítimas. Logo na entrada, três pessoas já
haviam sido retiradas do monte de escombros. Foi quando ele ouviu
um choro de criança, em meio aos gritos e gemidos dos sobreviventes.
Ele e um colega começaram a empurrar tijolos e blocos de
cimento. Encontraram duas criancinhas. O colega pegou uma e saiu
pelo corredor devastado. "Peguei a minha e fui pelo outro lado",
contou Avera.
Lá
fora, o bombeiro Chris Fields entrou em ação. "Percebi
que o bebê estava vivo", relembrou ele, sobre o momento
exato em que recebeu em seus braços a criancinha, com muitos
ferimentos na cabeça. "Pensei no meu filho de 2 anos."
Aquele instante em que o sargento da polícia entregou o
bebê a Fields e o carinho com que o bombeiro amparou o pequenino
corpo coberto de sangue ficaram registrados para a posteridade
por acaso. O bancário Charles Porter tinha acabado de ouvir
o barulho ensurdecedor da bomba. Achou que era a implosão
de algum edifício, pegou sua câmara e sai para ver.
Quase instintivamente, registrou a cena emocionante. Suas fotos
correram o mundo.
Um final feliz
para a história? Houve poucos na tragédia de Oklahoma.
O bebezinho resgatado por Avera era a pequena Bayiee Almon, de
1 ano. Não chegou nem a dar entrada no hospital. Morreu
antes. Sua mãe, Aren Almon, de 22 anos, recebeu uma visita
de pêsames do sargento Avera no dia seguinte. Tinha pouco
a dizer. "Obrigada por a terem tirado de lá tão
rápido", agradeceu. O sargento lhe deu um abraço.
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- A equipe de resgate de Chris Fields trabalhou nos escombros
durante treze horas seguidas. Cada vez que parava para descansar,
contou o bombeiro, "a primeira coisa que me vinha à cabeça
era aquele bebê". Havia 41 crianças inscritas na
creche que funcionava no 1º andar do prédio. Ninguém
podia dizer exatamente quantas estavam lá no momento da
explosão. Sabia-se apenas das recolhidas ao necrotério.
"Coloquei etiquetas nos pezinhos de doze bebês", registra
a enfermeira Heather Taylor. "Não dava nem para reconhecer
se eram meninos ou meninas." Até sábado, doze crianças
continuavam desaparecidas.
Nove
horas - No momento da explosão era quando se servia
o café da manhã na creche. A maior preocupação,
naquele começo de manhã, era se o leite seria suficiente
para todas as crianças. Preocupada, a diretora da creche,
Dana Cooper, 24 anos, estudante de pedagogia completamente apaixonada
pela turminha deixada a seus cuidados, pediu ao marido, Anthony,
para comprar alguns litros a mais. Dana ficou com o filho, Christopher,
de 2 anos. Quando Anthony voltou com o leite, encontrou o prédio
destruído. Desesperado, lutou para entrar, mas foi impedido
pelos bombeiros. Dois dias depois, nem Dana nem Christopher ainda
haviam sido encontrados.
Durante horas
a fio, Jim Denny e seus filhos maiores procuraram os caçulas
da família, Rebecca, de 2 anos, e Brandon, de 3. Os dois
estavam matriculados na creche. Rebecca foi encontrada pela cor
dos cabelos. Um amigo da família ouviu pelo rádio
a história de uma garotinha muito ruiva que estava sendo
tratada num hospital da cidade. Era ela. Brandon foi mais difícil.
Estava tão deformado, com tantos cortes no rosto, que seu
irmão Tim, de 23 anos, não o identificou entre os
pequenos feridos. O próprio pai só terminou por
reconhecê-lo por causa de uma pequena marca de nascença
na coxa. "É difícil acreditar que um pai não
consiga identificar o próprio filho", espantou-se. Brandon
sofreu ferimentos tão graves que os médicos tiveram
de retirar parte do seu cérebro. O irmão Tim recebeu
autorização dos médicos para passar alguns
instantes com ele. "Fica bom, tá? Fica bom", pediu para
o menino inconsciente.
Último
aceno - No meio de tragédias desse tipo, quem
consegue se salvar não entende como. Michael Reyes, de
30 anos, funcionário do Departamento de Habitação
e Desenvolvimento Urbano, simplesmente desabou do 7º andar, onde
trabalhava, até o 3º, sugado pelo rombo que destroçou
o prédio. Sofreu lesões nas costas e nos pulmões,
mas ainda se juntou ao pessoal sobrevivente do 3o andar
para pegar uma escada e improvisar uma saída de emergência.
O dono da lanchonete do prédio, Raymond Washburn, cego
desde criança, quase acabou no buraco - literalmente. Guiado
pelos gritos de socorro de sua empregada, Kim Wallace, Washburn
a retirou dos destroços e, justamente ele, tentou guiá-la.
Só não caíram os dois no rombo porque outro
sobrevivente os avisou. Washburn deu meia-volta e saiu da confusão
como herói.
A tragédia
em Oklahoma é do tipo que para cada história feliz
há várias de desespero. Treze horas depois da explosão,
as equipes de resgate retiraram a última sobrevivente,
Brandy Liggons, uma menina de 15 anos. Para mantê-la viva
durante o resgate, o médico Rick Nelson viu-se certa hora
sentado sobre um cadáver, completamente esmagado. No sábado,
com a polícia já sem esperança de encontrar
novos sobreviventes nos escombros, ainda eram dadas por desaparecidas
150 pessoas. Entre aqueles dos quais não se têm notícias,
estão os meninos Aaron e Elijah. Na manhã de quarta-feira,
John Cole ajudou sua mulher, Sandy, a apertar os cintos de segurança
dos dois filhos adotivos, Aaron, de 5 anos, e Elijah, de 2. Quando
o carro começou a andar, Elijah virou a cabeça e
deu tchau para o pai. "Ele acenou, e eu acenei de volta, até
que nos perdemos de vista", relembra Cole. Foi a última
vez que eles se viram.
O
inimigo interno
Na
maior caçada da História, o FBI prende dois militantes
de direita pela bomba de Oklahoma
O principal
suspeito no atentado em Oklahoma, e durante 48 horas o homem mais
procurado dos Estados Unidos, estava no lugar mais fácil
de ser encontrado: o xadrez de Perry, um lugarejo a 100 quilômetros
do local da tragédia. Noventa minutos depois da explosão
que pôs abaixo o edifício Alfred Murrah, Thomas James
McVeigh, de 27 anos, foi preso por banal infração
de trânsito - excesso de velocidade. Estava armado, e bem
armado - uma pistola Glock, semiautomática de 9 milímetros
-, mas não ofereceu resistência. Só na sexta-feira,
meia hora antes de ser solto, alguém fez a conexão
entre o preso e o retrato falado que o FBI estava distribuindo
por todo o país. Não era mesmo fácil para
um americano reconhecê-lo como o terrorista capaz de colocar
uma bomba em frente de uma creche cheia de crianças. Seria
simples se fosse moreno e barbudo - o biótipo dos fundamentalistas
islâmicos que colocaram um carro-bomba no World Trade Center
em 1993. McVeigh é branco, de cabelos castanhos espetados
num corte escovinha, alto. Um perfeito americano padrão
- e um novo tipo de terrorista.
O outro suspeito,
cujo retrato falado também foi espalhado pelo país,
é um sujeito grandalhão, com uma tatuagem num dos
braços - outro tipo fácil de encontrar em qualquer
posto de beira de estrada dos Estados Unidos. Seu nome é
Terry Nichols e entregou-se à polícia na sexta-feira,
no Estado de Kansas. Segundo o FBI, ambos alugaram na segunda-feira
passada o furgão usado no atentado. Para fazer o negócio,
usaram nomes falsos e carteira de habilitação também
falsificada. Depois que a polícia identificou os restos
do veículo no local da explosão e chegou à
locadora, em Junction City, no Kansas, não foi difícil
traçar o retrato falado a partir das informações
dos funcionários. O que se viu daí em diante foi
a maior caçada humana da História recente dos Estados
Unidos. Pouco depois de se saber que McVeigh estava em cana desde
quarta-feira, Nichols apresentou-se à pequena delegacia
de Herrington, a cidadezinha onde mora, no interior do Kansas.
Seu irmão, James Nichols, foi detido em sua fazenda em
Decker, no Michigan. McVeigh foi transferido na sexta-feira para
Oklahoma e acusado formalmente pelo atentado. Até a madrugada
de sábado, os irmãos Nichols ainda eram descritos
oficialmente como "testemunhas", um artifício usado enquanto
não há provas suficientes para enquadrar suspeitos.
Nova
ordem - O que os três têm em comum é
a ligação com grupos paramilitares de extrema direita,
que proliferam nos Estados Unidos. James Nichols costumava falar
com um vizinho sobre sua militância no chamado Movimento
Patriótico. McVeigh supostamente seria da organização
chamada Milícia de Michigan. Em contraste com outros grupelhos
de extrema direita, como o Nação Ariana, que vivem
em semiclandestinidade e têm uma plataforma declaradamente
racista, a Milícia de Michigan foi fundada com grande publicidade
em abril de 1994. Em principio, a Milícia propunha-se a
congregar qualquer um descontente com a legislação
de controle de armas e com o que considera uma conspiração
do governo federal para controlar a vida dos americanos comuns.
A paixão
dos americanos pelas armas, principalmente no interior, começa
pela Constituição, que lhes assegura sua posse,
e tem desembocado na formação desse tipo de grupo,
que se dispõe a defender até a morte o direito dos
cidadãos ao poder irrestrito de fogo. Eles se comunicam
por computador e fax, editam em casa as próprias publicações
e atingem diretamente seu público-alvo, o americano do
interior, conservador e sempre desconfiado do governo. As teses
políticas que acompanham essa militância são
pura paranóia: os "conspiracionistas", como são
chamados, estão convencidos de que as autoridades americanas
são dominadas por uma elite que pretende destruir o país
e aderir a um governo mundial. A ONU - justamente ela, notória
pela impotência - assumiria o comando desta temida "nova
ordem mundial".
Balas
de ouro - O fundador da Milícia de Michigan, Norman
Olson, ex-oficial da Força Aérea, pastor batista
e dono de uma loja de armas, afirma que o governo planeja estabelecer
uma ditadura nos Estados Unidos. Como? Com tropas da ONU e armamentos
usados da antiga União Soviética. Os americanos
patrióticos, desarmados pelas perversas autoridades, seriam
confinados em campos já em construção no
país. "Do jeito que as coisas vão, logo chegará
o dia em que as balas serão tão valiosas quanto
o ouro", disse ele recentemente. Na sexta-feira, Olson negou qualquer
ligação de seu grupo com os supostos assassinos
de criancinhas. A Milícia de Michigan arma e treina seus
membros (diz que são 12.000 espalhados por quarenta Estados)
em táticas militares - e chama a imprensa para assistir
às manobras. Os repórteres nunca levaram muito a
sério aqueles gorduchos de meia-idade, ridículos
em seus uniformes de camuflagem, bufando para subir morros ou
transpor obstáculos. O atentado em Oklahoma mostra que
não havia motivos para risadas.
Nesse caldo
de cultura lunática, presume-se, na falta de hipótese
melhor, que passou pela cabeça de McVeigh e associados
a idéia de que a melhor defesa era atacar o governo. O
prédio federal, repleto de repartições públicas,
é um alvo fácil. Existem edifícios similares
em todas as cidadezinhas americanas. A data escolhida também
é plena de significados. No dia 19, fez dois anos da invasão
da sede do Ramo Davidiano em Waco, no Texas, com a morte de setenta
fiéis. A Milícia de Michigan elegeu os malucos da
seita liderada por David Koresh, que reagiu a bala e fogo ao cerco
dos agentes federais, como exemplos de resistência aos planos
ditatoriais do governo. Na carteira falsa usada para alugar o
furgão, usava o mesmo dia como data de emissão.
Na mesma quarta-feira, um racista, condenado pelo assassinato
de um policial negro e de um comerciante judeu, foi executado
na prisão em Arkansas, o Estado do presidente Bill Clinton.
Morreu prometendo vingança.
Círculo
cor de rosa - Foi a formidável máquina
de investigação posta em marcha pelas autoridades,
depois do atentado, que alcançou McVeigh e Nichols. O FBI
contou com um pouquinho de sorte - a infração de
trânsito cometida por McVeigh que o levou à cadeia.
Mas, antes que soubesse que o suspeito número 1 já
estava detido, diante de seu nariz, o FBI conseguira reconstituir
razoavelmente, e em tempo recorde, o quebra-cabeça do atentado.
A reconstituição foi obra de um batalhão
de técnicos que, armado com as mais sofisticadas tecnologias,
garimpou, centímetro por centímetro, os escombros
acessíveis do prédio e todas as ruas vizinhas (num
raio de até 500 metros do local da explosão). Logo
assinalaram vários pontos do chão com um circulo
feito com spray fluorescente cor-de-rosa.
Eram indicações
da localização de fragmentos do furgão usado
pelos terroristas para cometer o atentado contra o prédio
do governo federal de Oklahoma. Um dos fragmentos continha o número
do chassi do veículo, o que permitiu que o FBI o identificasse.
Um vídeo registrado por uma câmara de vigilância
de um prédio vizinho também ajudou os técnicos
a visualizar o furgão no momento em que estacionava na
porta do prédio. O furgão tinha sido alugado por
McVeigh e Nichols na segunda-feira.
Atraiçoados
- Apesar de as investigações apontarem
para suspeitos que, fisicamente, não tinham nenhum traço
árabe, o FBI cedeu inicialmente à tentação
de culpar o terrorismo que veste a feição dos fanáticos
muçulmanos. Havia mesmo semelhanças gritantes entre
a explosão de Oklahoma e a da garagem do World Trade Center,
em Nova York, há dois anos, que matou seis pessoas e deixou
mais de 1.000 feridas. Nos dois casos, os terroristas confeccionaram
uma bomba caseira com nitrato de amônio e óleo diesel,
produtos fáceis de adquirir no mercado, e a transportaram
para o local da explosão num furgão alugado. Um
pedaço do veículo (a exemplo do que ocorreu na semana
passada) levou a polícia aos autores - um grupo de fundamentalistas
fanáticos que freqüentava a mesquita do xeque egípcio
cego Omar Abdei Rahman, em Nova Jersey. Alguns meses depois, o
próprio xeque foi preso, acusado de ser o mentor espiritual
de uma conspiração terrorista cujo objetivo era
destruir o prédio da ONU e a sede do FBI, ambos em Nova
York, e dois túneis sob o Rio Hudson que ligam a cidade
à vizinha Nova Jersey.
Bastou lembrar
algumas pregações célebres do xeque para
suspeitar que a explosão em Oklahoma era obra do terrorismo
internacional. Em sua mesquita em Nova Jersey - na verdade, uma
saleta apertada e cheia de goteiras -, Abdel Rahman ensinava a
seus seguidores que era preciso infundir o terror no coração
dos inimigos do Islã. Na sexta-feira, descobriu-se que
o inimigo estava dentro de casa. O terror nascera dentro do próprio
país e seus autores tinham nomes americanos e rostos parecidos
com os dos personagens de Atraiçoados, o filme de Costa-Gavras
no qual Tom Berenger faz o papel de um fazendeiro esforçado
e pai amoroso que na verdade é um neonazista que se diverte
dando tiros em judeus e negros.
No mesmo dia
do atentado em Oklahoma, produziram-se exemplos dos dois extremos
do terrorismo. De um lado, o terror "clássico" patrocinado
pela ETA, a organização separatista que luta pela
independência do País Basco da Espanha, só
não mandou pelos ares o líder oposicionista José
Maria Aznar por causa de seu eficiente carro blindado. De outro,
os doidos japoneses da seita Aum Shinrikyo, que envenenaram o
metrô de Tóquio com gás sarin e aparentemente
atacaram de novo na quarta-feira, no metrô de Yokohama,
com outro tipo de gás. Em algum lugar entre eles, surgiram
agora os conspiracionistas americanos. O mundo ficou mais violento.
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