EM PROFUNDIDADE: A Era Saddam Hussein
Cronologia


  Saddam Hussein


1937

Nasce no vilarejo de al-Awja, nos arredores de Tikrit, 160 quilômetros ao norte de Bagdá, numa sociedade tribal envolta em um pesado sentimento anti-ocidental. Filho de agricultores humildes, não conhece o pai legítimo, que morreu ou abandonou a família, e é criado por um violento padastro, que diverte-se dando surras no enteado com pedaços de pau.


1953

Tenta entrar para o Exército, mas é barrado por causa de sua origem humilde.


1956

Sob influência do tio, um militar simpatizante de Adolf Hitler, muda-se para Bagdá e filia-se ao Partido Baath, então um grupo incipiente que reunia a vanguarda de um secular movimento nacionalista árabe.


1958

Passa seis meses na cadeia acusado de boicotar o regime vigente.


1959

É acusado de tentar assassinar o então primeiro-ministro do Iraque, Abdel-Karim Qassem. Julgado à revelia, é condenado à morte. Foge para a Síria e, depois, para o Egito.


1963

Volta para o Iraque, entra para o grupo de liderança do Baath e casa-se com a prima Sajida Khair-Allah, que mais tarde tornaria-se mãe de seus dois filhos homens (Udai e Qusai) e das três filhas mulheres (Hala, Rana e Raghad).


1965

Nasce Udai, primeiro filho homem.


1967

Nasce Qusai, filho caçula.


1968

Já adulto, termina o ensino médio e consegue um diploma de Direito na Universidade de Bagdá com a única fórmula que conhecia: no dia do exame final, coloca a arma que carregava sobre a carteira antes de iniciar a prova.

Participa do golpe de Estado que levou o Partido Baath ao poder. Atua como chefe do aparato de segurança durante o golpe e inicia trajetória rumo ao posto de líder máximo. Como vice-diretor do Comando Revolucionário, nacionaliza todas as companhias de petróleo ocidentais em operação no país.


1977

Então vice-presidente do Iraque, recebe um prêmio da Unesco em razão de um bem sucedido programa de alfabetização. Detalhe: quem não comparecesse aos cursos era preso.


1979

Depõe Ahmad Hassam Bakr e torna-se presidente do Iraque e diretor do Comando Revolucionário. Inicia um dos regimes mais sangrentos da história logo na primeira noite: na festa de comemoração, enquanto muitos aliados festejam, 54 políticos e assessores são retirados do recinto e, acusados de traição, são executados uma semana depois.

Começa a espalhar cartazes e estátuas com sua imagem por todo o Iraque. Se lança como grande líder árabe e fala em, gloriosamente, unificar todos os reinos árabes e liderar exércitos rumo a Jerusalém. Inicia perseguição implacável aos xiitas, etnia que forma 56% do Iraque.


1980

Ataca o vizinho Irã, país controlado pelos xiitas, cujo líder supremo é o aiatolá Ruhollah Komeini, e detona uma guerra que se estendeu por oito anos e custou a vida de pelo menos 400.000 pessoas. No conflito, utiliza armas químicas contra soldados iranianos.


1988

A guerra entre o Irã e o Iraque termina num empate, com cada país mantendo seu território original. Saddam não conquistou os poços de petróleo iranianos que queria, mas emergiu do conflito com um exército de 1,2 milhão de homens com experiência em combate, o maior do Oriente Médio e quarto maior do mundo.

Extermina cerca de 5.000 curdos e fere milhares de outros por meio de armas químicas em Halabja, dentro da área relativamente autônoma do norte do Iraque.

Torna-se amante de Samira Shahbandar, esposa do diretor-geral da companhia aérea do Iraque. Romance gera briga com o filho mais velho, Udai, que toma o partido da mãe e manda matar o segurança que fazia a ponte entre os amantes. Furioso, Saddam deixa o filho preso por meses e elege o caçula, Qusai, seu preferido.


1990

Invade o Kuwait com o intuito de dominar os poços de petróleo do país vizinho e ampliar a costa marítima sob seu controle. Promove uma ocupação sangrenta, com saques, execuções e estupros na capital kuwaitiana.


1991

É expulso do Kuwait por uma coalizão ocidental liderada pelos Estados Unidos. Vê o território iraquiano invadido por tropas americanas, mas sobrevive no poder porque a Casa Branca decide encerrar a guerra sem invadir Bagdá. País sofre sanções comerciais da ONU, é forçado a perder seu arsenal militar e a população cai na miséria.


1996

Ordena a execução de dois genros, sob acusação de traição.


2002

Completa 65 anos sem nenhum cabelo branco. Não descuidar da pintura é uma das partes do plano de culto à sua imagem idealizado desde a juventude.

Promove eleições no país. Após intensas fraudes e coerções, julga-se vencedor com 100% dos votos e "legitima-se" para um novo mandato de seis anos como presidente do Iraque.


2003

Desaparece em Bagdá durante invasão de tropas americanas. Seu regime é deposto pela invasão de mais de 100.000 soldados dos Estados Unidos e da Inglaterra. População derruba suas estátuas e queima os cartazes em todas as principais cidades do país. Seus ostentosos palácios são bombardeados e saqueados.

Soldados americanos localizam e matam Udai e Qusai Hussein, filhos do ditador. Contrariando a tradição de não mostrar cadáveres, os EUA exibem diversas fotos e vídeos dos corpos de ambos.

Capturado a poucos dias do fim do ano, após ser achado escondido dentro de um buraco de 1,80 por 2,40 metros, com uma tampa de concreto camuflada com lixo. Não oferece resistência à prisão, mas tenta subornar soldados americanos.


2005

Após ser mantido preso em local secreto por militares americanos desde a captura, é levado a julgamento pelo novo governo do Iraque em Bagdá, por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Com poucas semanas de julgamento, é condenado à morte pelo massacre de 143 xiitas e pelo seqüestro de 399 famílias no vilarejo de Dujail, em 1982.


2006

Em 30 de dezembro, é enforcado em Bagdá


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