Os líderes dos grupos

O MST é comandado por uma direção nacional com vários integrantes - não há um presidente ou líder oficial do grupo. Porém, seu principal dirigente é, sem dúvida, João Pedro Stedile, de 49 anos, gaúcho de Lagoa Vermelha, formado em economia, pós-graduado na Universidade Autônoma do México e autor de vários livros sobre a reforma agrária. Foi graças às idéias, mais do que ao cargo que ocupa desde 1985 na direção nacional do MST, que Stedile ganhou estatura dentro do movimento. Cada aspecto seu - dos métodos de luta às teses, passando pela organização - tem as marcas de seus neurônios. Conservador em relação à família e à religião, Stedile afirma que suas idéias são radicais e de esquerda, e defende de forma aberta a adoção de um sistema socialista no país. Ele viaja pelo país dando palestras e coordenando a atuação do movimento, e serve como seu principal formulador de políticas. Em julho de 2003, Stedile liderou a comitiva do MST na visita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

Junto de Stedile na cúpula do MST estão outros nomes influentes no movimento. O mais conhecido deles é o agricultor Gilmar Mauro, de 36 anos, paranaense de Capanema e coordenador de massas do movimento. Casado com uma economista mexicana, ele integra a ala mais antiga e expressiva do MST. Outros líderes nacionais são João Paulo Rodrigues, um dos dirigentes mais jovens do movimento, e os catarinenses Roberto Baggio e Edgar Golling, além de Ênio Bohnenberger e Egídio Brunetto - este último, coordenador do MST no Mato Grosso do Sul e secretário de relações internacionais. O coordenador regional Jaime Amorim, responsável pelo movimento no Nordeste, também tem projeção nacional. Aos 43 anos, formado em pedagogia, o catarinense de Guaramirim é admirador de Ernesto Che Guevara, líder da revolução cubana, e dos guerrilheiros zapatistas da região de Chiapas, no México. Em 1998, ele liderou uma série de seqüestros e roubos de caminhões carregados de alimentos.

O líder regional de São Paulo José Rainha Júnior (foto), de 43 anos, não é integrante da direção nacional, foi desautorizado a falar em nome do MST e está afastado da tomada de decisões dentro do movimento. Seu nome, porém, disputa com o de João Pedro Stedile no reconhecimento público à causa dos sem-terra. Capixaba de São Gabriel da Paz, Rainha é um camponês que foi analfabeto até a adolescência, antes de ganhar notoriedade nacional pulando as cercas dos outros. Já foi alvo de tiros, foi acusado de assassinato, acabou preso e depois libertado e continua sendo o principal nome do MST no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo, um dos principais pontos de tensão na questão agrária brasileira. Casado com Diolinda Alves de Souza - que já foi presa em seu lugar quando a polícia não conseguiu localizá-lo -, José Rainha causou desconforto entre os líderes nacionais quando foi revelado seu plano de reeditar a experiência do acampamento de Antônio Conselheiro em Canudos em pleno Pontal do Paranapanema. Em junho de 2003, incomodada com a repercussão negativa do projeto, a direção do MST divulgou que as idéias de Rainha não representam a posição do movimento.

 
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