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A violência no campo já deixou centenas de vítimas no país nos últimos anos. Entre 1985 e 1989, quando a UDR tornou-se nacionalmente conhecida, as mortes chegaram a 640, um recorde. De 1996 até meados de 2003, o saldo foi menor, mas ainda assustador: mais de 200 pessoas morreram no campo. O maior massacre de sem-terra na história do país ocorreu em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, com 19 mortes e 51 feridos. O comandante da operação policial que culminou no massacre, coronel Mário Colares Pantoja, foi condenado a 228 anos de prisão - 12 anos por cada morte. O MST tem 19 anos de história e cerca de 1,5 milhão de afiliados. De acordo com o comando do movimento, cerca de 350.000 famílias foram assentadas até hoje e mais 80.000 vivem em acampamentos organizador pelo grupo. Com 1.800 escolas montadas, o MST tem cerca de 160.000 crianças estudando nos assentamentos, e 19.000 jovens e adultos envolvidos em programas de alfabetização. Nos seis meses iniciais do governo Lula, o MST fez 110 invasões em quase todos os Estados, e, nos conflitos ocorridos até agora, já houve dez mortes, mesmo número de vítimas fatais em 2000. No Pará, 40 famílias invadiram 3.000 hectares. Em Mato Grosso, onde 70 fazendas já estão sob ocupação do MST, 300 famílias invadiram outra área. Houve, ainda, ocupações em Minas Gerais e em São Paulo. Em sua reunião com Lula, o MST entregou ao governo uma lista com 16 pedidos, entre eles a meta de assentar 1 milhão de famílias até 2006 e 120.000 imediatamente. O governo respondeu propondo assentar 60.000 famílias até o fim do ano, e não quis dizer quantas famílias quer assentar até o fim do mandato. Passados seis meses do primeiro ano de Lula como presidente, o governo assentou 2.534 famílias, menos de 5% da meta de assentamento para o ano. Segundo o governo, outras 2.276 famílias devem ser atendidas nos próximos meses nos 80 projetos de assentamento criados no primeiro semestre de 2003. Lula já assinou decretos de desapropriação de 199.000 hectares de terras, que deverão receber 57.000 famílias assentadas. No entanto, falta dinheiro: cada família assentada custa 23.000 reais, e o governo não tem verba para cumprir sua meta até dezembro. O limite de gastos do Ministério do Desenvolvimento Agrário com assentamentos é de 162 milhões de reais, suficiente para 6.956 famílias - pouco mais de 10% do prometido. Em entrevista a VEJA, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, afirmou que a prioridade do governo são as 80.000 famílias acampadas no país. Ele diz, porém, que a demanda por terra é muito maior, e pode chegar a 4 milhões de pessoas. Nos últimos anos, os balanços dos números de candidatos na fila por terras do governo mostraram que a conta da reforma agrária nunca fecha: antes da posse de Fernando Henrique havia 40.000 famílias acampadas esperando terra; foram assentadas mais de 600.000, e ainda existem 80.000 na fila. Sem contar Lula, Fernando Henrique Cardoso foi o presidente que mais assentou famílias de sem-terra entre os quatro últimos chefes de estado brasileiros. Em seu governo, a média de famílias assentadas foi de 70.000 por ano. Itamar Franco foi o pior, com 11.000 famílias por ano. João Baptista Figueiredo assentou 18.500 famílias por ano; José Sarney, 18.000; e Fernando Collor, 19.000. O governo FHC retalhou 18 milhões de hectares, uma área maior que o Uruguai e equivalente a metade do território da Alemanha, e neles assentou 635 000 famílias. Quase 2 milhões de brasileiros receberam terras entre 1995 e 2002. Para isso, o antigo governo FHC gastou 25 bilhões de reais na aquisição de terra e na instalação de assentamentos. |
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