| Fevereiro de 2007 Papa
Bento XVI no Brasil
Pouco depois de ser escolhido para
suceder João Paulo II, o papa Bento XVI prometeu visitar o Brasil, uma das mais
importantes nações católicas do planeta. Depois de quase dois anos, a viagem está
marcada. O sumo pontífice deverá participar de uma série de eventos públicos no
país, onde ainda fará a canonização oficial de Frei Galvão (na foto acima, projeto
do palco que deve ser instalado no estádio do Pacaembu). Entenda a visita:
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1. Quando o
papa Bento XVI vem ao Brasil? Bento XVI visita o país entre
os dias 9 e 13 de maio de 2007. Desembarca no aeroporto internacional de Guarulhos,
em São Paulo, na tarde da quarta-feira, dia 9, e deixa o Brasil pelo mesmo
aeroporto no domingo seguinte, no fim do dia. | | |
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2. Por
onde o pontífice vai passar? Nos primeiros três dias de sua
visita - de quarta a sexta-feira - , o papa fica na cidade de São Paulo.
Terminados os compromissos do dia 11 de maio, Bento XVI segue para Aparecida,
no interior paulista - o que deve acontecer no início da noite. De lá,
o pontífice parte para uma visita rápida a Guaratinguetá,
no sábado, e depois retorna a Aparecida, onde permanece até a tarde
de domingo. Regressa então a São Paulo para deixar o país. |
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3. Como
e onde serão as missas que ele vai rezar no Brasil? O papa reza duas
missas no país: a primeira às 9h30 da manhã da sexta-feira,
11 de maio, no Campo de Marte, zona norte de São Paulo; a segunda, na manhã
do domingo, dia 13, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. A missa campal
da capital paulista é especialmente aguardada pelos fiéis, já
que durante o ritual será oficializada a canonização de Frei
Galvão, o primeiro brasileiro a tornar-se santo católico. A segunda
missa, em Aparecida, marca a abertura da 5ª Conferência Geral do Episcopado
da América Latina e do Caribe, encontro de bispos e cardeais do continente.
Bento XVI participa ainda de um terceiro grande evento público - um encontro
com jovens católicos, que acontece às 18h do dia 10 de maio, no
estádio do Pacaembu. A realização do evento, que consiste
em uma "celebração da palavra", espécie de cerimônia
mais simples do que uma missa, foi uma das únicas exigências feitas
pelo papa para sua visita ao Brasil. | | | | •
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4. Quantas
pessoas são esperadas e qual a estrutura montada para estes eventos?
Para a missa campal em São Paulo, os organizadores esperam reunir cerca
de 1,5 milhão de pessoas, multidão que deve se espalhar por toda
a extensão do Campo de Marte. No local será construído um
palco com 80 metros de largura e 25 de altura, cujo cenário possui um corte
em formato de crucifixo. A estrutura deve criar uma iluminação em
forma de cruz, que se movimenta durante a cerimônia. Visto do alto, o desenho
do palco remete à bandeira do Brasil. A cidade e a basílica de Aparecida
passam por profunda reforma para receber o pontífice. Segundo a assessoria
de imprensa da visita do papa, a missa do domingo deve atrair mais de um milhão
de pessoas, e pode ser rezada dentro do santuário. Já o encontro
de Bento XVI com a juventude católica receberá cerca de 30.000 jovens,
todos previamente credenciados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB). Dentro do estádio do Pacaembu será montado um palco com
cobertura em forma de pomba gigante, com 90 metros de envergadura por 70 metros
de comprimento. Mesmo previsto para acontecer a portas fechadas, jovens e fiéis
não credenciados poderão acompanhar o encontro por meio de telões
que serão instalados na praça Charles Miller, diante do estádio. |
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5. Como
será a canonização de Frei Galvão? Frei Galvão será
oficializado o primeiro santo genuinamente brasileiro no dia 11 de maio de 2007,
na missa a ser celebrada por Bento XVI no Campo de Marte, em São Paulo.
Durante a cerimônia, que manterá todos os rituais de uma missa tradicional,
serão relembradas as razões que elevaram Frei Galvão ao status
de santo - seus dois milagres confirmados pelo Vaticano - e deve ser apresentada
e abençoada alguma relíquia pertencente ao beato. A santificação
do frade franciscano em solo brasileiro é considerada uma exceção.
No papado de João Paulo II, as beatificações - passo inicial
para o reconhecimento da santidade - e canonizações ocorriam apenas
no Vaticano. Bento XVI abrandou a regra e permitiu que as beatificações
ocorressem nos países de origem dos candidatos. É possível
que, mesmo santificado, Frei Galvão continue sendo conhecido pelo mesmo
nome, ou que se torne São Frei Galvão. | | |
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6. Quais
são os outros compromissos religiosos do papa no Brasil? Depois de
rezar a missa para mais de um milhão de fiéis em São Paulo,
Bento XVI tem marcada para a tarde do dia 11 de maio um reunião com o episcopado
brasileiro. Na manhã seguinte, ele vai a Guaratinguetá, onde vista
a Fazenda da Esperança, que cuida de dependentes químicos. Durante
a tarde, reza um terço na Basílica de Nossa Senhora de Aparecida.
Já no domingo, último dia da visita papal, Bento XVI faz à
tarde um discurso aos bispos e cardeais da 5ª Conferência Geral do
Episcopado da América Latina e do Caribe, e abre oficialmente os trabalhos
do encontro. | | | | •
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7. Com
quem o papa vai se encontrar no país? Fora os compromissos religiosos,
que ocupam a maior parte da agenda do pontífice no Brasil, ele tem marcado
para a manhã do dia 10 de maio um encontro com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em São Paulo, em que deve discutir assuntos relacionados
à Igreja Católica. No entanto, é possível que Lula
converse com o papa já no desembarque em Guarulhos, na pista do aeroporto.
No dia da chegada de Bento XVI, outras autoridades municipais e estaduais também
devem lhe dar as boas vindas à cidade. Todos os outros encontro de Bento
XVI no Brasil são com autoridades religiosas - bispos brasileiros e latino
americanos. | | | | •
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8. Onde
o papa ficará hospedado? Durante sua estadia em São Paulo,
de 9 a 11 de maio, Bento XVI e uma comitiva de doze assessores se hospedam no
Mosteiro de São Bento, no centro da cidade. Todo o primeiro andar do edifício,
construído em 1634 e tombado pelo patrimônio histórico, será
utilizado pelo pontífice. Em seus aposentos, Bento XVI terá um escritório
particular, com acesso à internet, e uma pequena sala de reuniões.
O papa contará também com uma sala de visitas, com um piano de cauda
e uma capela particular. Nesta mesma sala, em uma sacada com vista para o Largo
São Bento, ele poderá saudar fiéis. Já em Aparecida,
o sumo sacerdote fica no Seminário Bom Jesus, edificação
de 1894 que recebeu o papa João Paulo II em 1980. Bento XVI deve ocupar
o mesmo quarto de seu antecessor. Os dois locais de hospedagem do pontífice
passam por reformas para recebê-lo, e serão abertos para visitação
após a passagem do papa. Seus aposentos no Mosteiro de São Bento
devem se transformar em museu. | | | | •
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9. Como
Bento XVI vai se deslocar dentro do país? Para atravessar grandes
distâncias, como do aeroporto internacional de Guarulhos até a capital
paulista, ou de São Paulo até Aparecida, o papa vai usar um helicóptero,
para garantir sua chegada rápida e segura aos compromissos marcados no
país. Já para os deslocamentos mais curtos, como o trajeto entre
o mosteiro onde ficará hospedado e o Campo de Marte ou o estádio
do Pacaembu, Bento XVI utilizará o papamóvel - veículo blindado
de onde o papa pode ser visto e costuma saudar o público nas ruas. |
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10.
Quando aconteceu a última visita de um papa ao Brasil? O último
papa a visitar o Brasil foi João Paulo II, antecessor de Bento XVI, em
1997. Na ocasião, ele foi ao Rio de Janeiro para o 2º Encontro Mundial
do Papa com as Famílias. João Paulo II foi recebido pelo então
presidente Fernando Henrique Cardoso, e cobrou dele soluções para
os problemas sociais do Brasil. Além dos desfiles pelo centro do Rio, a
bordo do papamóvel, a visita é lembrada principalmente pela missa
que o papa rezou no Aterro do Flamengo - o evento reuniu cerca de 2 milhões
de pessoas. | | | | •
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11.
Qual é a importância da visita para o país? Uma visita papal pode
assumir diferentes significados - religiosos, sociais e políticos - de
acordo com a época em que acontece. O que se mantém constante é
sua capacidade de mobilizar multidões, especialmente no país com
o maior número de católicos do mundo. Em 1980, a vinda do papa João
Paulo II causou comoção não só por ser a primeira
vez que um pontífice pisava em solo brasileiro, mas porque era uma oportunidade
de dar vazão a manifestações de repúdio ao regime
militar. Dezessete anos depois, em sua terceira passagem, o papa não era
mais novidade e a Igreja Católica já perdia terreno para os evangélicos.
Os 2 milhões de pessoas que foram à missa do Aterro do Flamengo
estavam lá menos pelo cunho religioso do evento do que por seu caráter
festivo. Hoje, ainda ameaçada pelo crescimento pentecostal e pela indiferença
de seus próprios fiéis, a Igreja atravessa um momento de reafirmação
de suas doutrinas, mais focada no seu caráter místico em seus dogmas
e menos em questões ideológicas. A visita do recém-nomeado
papa tem justamente a função de reiterar este cenário e alinhar
a igreja brasileira às atuais diretrizes do Vaticano. A canonização
de Frei Galvão no país torna-se uma poderosa arma nesse sentido
- nada melhor do que a confirmação de uma manifestação
divina no país para reconverter uma população de fiéis
cada vez mais descrentes com sua religião. Além de seu valor religioso,
uma visita do papa ao Brasil na chamada era da informação atrai
como nunca os olhos do mundo para o país. A presença esperada de
mais de 2.500 jornalistas de todo o planeta, aliada aos inúmeros vídeos
e fotos amadores da visita que devem surgir na internet, garantem altíssima
exposição internacional para o Brasil. Resta saber quais imagens
serão transmitidas mundo afora. | | | | •
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12.
Quanto custará ao Brasil receber o papa? Não existem
estimativas precisas de quanto a visita papal custará aos cofres públicos
e privados. Algumas previsões, no entanto, indicam que os cinco dias que
Bento XVI passará no país não deverão custar menos
de 50 milhões de reais - mais de 10 milhões de reais por dia. Tanto
o custo das estruturas dos grandes eventos em São quanto o das reformas
no Mosteiro de São Bento não foram divulgados pela Igreja. O que
se sabe é que apenas a 5ª Conferência Geral dos Bispos da América
Latina e Caribe, de Aparecida, custará 2,5 milhões de reais, segundo
os realizadores do evento. O prefeito da cidade, José Luiz Rodrigues, espera
gastar 10 milhões de reais com obras para acolher os fiéis, e Aparecida
deve receber ainda mais 10 milhões em investimentos federais, da igreja,
e da iniciativa privada. Somente a reforma da hospedaria papal na cidade sairá
por 3 milhões de reais. Guaratinguetá também prevê
despesas de 500.000 reais com a visita do pontífice, e a Fazenda da Esperança,
nos arredores da cidade, gastará 2 milhões para a passagem do papa
por suas instalações. | | | | •
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