| Agosto de 2008 O
papel dos vereadores
AE
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No dia 5 de outubro os brasileiros vão às urnas para eleger não só os prefeitos
e vice-prefeitos de suas cidades, mas também os vereadores. São eles os responsáveis
pela elaboração das leis municipais, como, por exemplo, a Lei Orgânica – uma espécie
de "Constituição Municipal", com as diretrizes que devem ser seguidas pelos Poderes
Executivo e Legislativo e também pelos moradores da cidade. As câmaras de vereadores
são, no Brasil, mais antigas até mesmo do que o Congresso e as Assembléias Legislativas.
A primeira delas foi instalada por Martin Afonso de Souza na capitania hereditária
de São Vicente, em 1532, e ficou conhecida como "Câmara Vicentina". Hoje em dia,
os vereadores fazem também a ponte entre a população e o prefeito, além de fiscalizar
o trabalho do Executivo. Entenda as atribuições dos vereadores e como funcionam
as eleições para a Câmara.
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| 1. Quantos
vereadores compõem a Câmara Municipal de uma cidade? O número de
vereadores deve ser proporcional à quantidade de habitantes do município. A Constituição
estabelece que em cidades de até 1 milhão de habitantes haja no mínimo nove e
no máximo 21 vereadores. Em cidades com população entre 1 e 5 milhões, deve haver
no mínimo 33 e no máximo 40 vereadores. Já nas cidades com mais de 5 milhões de
habitantes, o número de vereadores mínimo é 42 e máximo, 55. A quantidade de vereadores
de cada cidade é estabelecida pela Lei Orgânica do município. Nela, a Câmara Municipal
estipula o número de vereadores que terá a cidade, sempre, é claro, respeitando
os limites impostos pela Constituição. | | |
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| 2. Há
projetos para modificar esse cálculo? Sim. Uma Proposta de Emenda
à Constituição, que até o momento só foi aprovada
em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, pretende determinar o tamanho
das Câmaras Municipais por meio de 24, e não apenas três, faixas
populacionais. Para a menor faixa, cidades com até 15.000 habitantes, o
legislativo municipal só poderia ter nove vereadores. Já municípios
que se enquadrem na maior faixa 8 milhões de habitantes poderão
eleger 55 vereadores. O texto ainda precisa ser aprovado em segundo turno pela
Câmara e também pelo Senado. As outras 22 faixas são:
de 15 a 30 mil habitantes - 11 vereadores de 30 a 50 mil
habitantes- 13 vereadores de 50 a 80 mil habitantes- 15 vereadores
de 80 a 120 mil habitantes -17 vereadores de 120 a 160 mil
habitantes- 19 vereadores de 160 a 300 mil habitantes- 21 vereadores
de 300 a 450 mil habitantes- 23 vereadores de 450 a 600
mil habitantes - 25 vereadores de 600 a 750 mil habitantes - 27 vereadores
de 750 a 900 mil habitantes- 29 vereadores de 900 a 1,05
milhão de habitantes - 31 vereadores de 1,05 milhão a
1,2 milhão de habitantes - 33 vereadores de 1,2 milhão
a 1,3 milhão de habitantes - 35 vereadores de 1,3 milhão
a 1,5 milhão de habitantes - 37 vereadores de 1,5 milhão
a 1,8 milhão de habitantes - 39 vereadores de 1,8 milhão
a 2,4 milhões de habitantes- 41 vereadores de 2,4 milhão
a 3 milhões de habitantes - 43 vereadores de 3 a 4 milhões
de habitantes - 45 vereadores de 4 a 5 milhões de habitantes-
47 vereadores de 5 a 6 milhões de habitantes - 49 vereadores
de 6 a 7 milhões de habitantes - 51 vereadores de
7 a 8 milhões de habitantes 53 vereadores | | |
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| 3. Quantos
vereadores concorrem à reeleição? Nas eleições de 2008, 17.534 vereadores
buscam se reeleger, do total de 51.748 que compõem atualmente as Câmaras Municipais
pelo país. | | | | •
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| 4. Qual
a importância da Câmara nas decisões sobre a administração das cidades? A
Câmara Municipal corresponde ao Poder Legislativo, ou seja, cabe aos seus componentes
a elaboração de leis que são da competência do Município (sistema tributário,
serviços públicos, isenções e anistias fiscais, por exemplo). Os vereadores são
importantes, também, porque lhes cabe fiscalizar a atuação do prefeito e os gastos
da prefeitura. São eles quem devem zelar pelo bom desempenho do Executivo e exigir
a prestação de contas dos gastos públicos. Uma função importante dos vereadores,
porém desconhecida por boa parte da população, é a de funcionar como uma ponte
entre os cidadãos e o prefeito, por meio de um recurso chamado indicação. Tal
recurso consiste em um documento que o vereador envia a prefeitura ou outro órgão
municipal solicitando um pedido apresentado por um eleitor. Os pedidos podem variar
desde a poda de uma árvore até a reforma de uma escola. Como não funcionam como
uma lei, as indicações não exigem que o vereador faça nenhuma consulta em plenário
para apresentá-las ao prefeito. Cabe ao prefeito ou secretário atender ou não
à solicitação, sem que para isso precisasse ter sido apresentado algum projeto
do vereador. | | | | •
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| 5. Quanto
ganha um vereador? Assim como a quantidade de vereadores na Câmara,
o salário deles é determinado pelo número de habitantes do município. Nas cidades
com até 10.000 habitantes, os salários devem ser no máximo 20% do salário do deputado
estadual. Em localidades entre 10.001 e 50.000 habitantes, no máximo 30%. Entre
50.001 e 100.000, no máximo 40% do subsídio do deputado estadual. Entre 100.001
e 300.000 habitantes, no máximo 50% do subsídio do deputado estadual. Em municípios
de mais de 500.000 habitantes, no máximo 70% do subsídio do deputado estadual.
Por essa razão, os salários têm grande variação. Na cidade de São Paulo, por exemplo,
os vereadores recebem 9.288 mil reais. Já em Vitória, no Espírito Santo, 3.000
reais. O maior salário é o de Campo Grande (MS), 9.500 reais. Essa diferença se
explica ainda pelo fato de que o salário dos vereadores é definido em votação
nas respectivas Câmaras, respeitando-se o critério constitucional . |
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| 6. Além
do salário, quais benefícios os vereadores recebem? Os vereadores
também recebem uma verba de gabinete para o pagamento dos salários de seus assessores
diretos, além de verba indenizatória, auxílio paletó, auxílio alimentação, auxílio
gasolina, uma cota mensal de selos e ainda toda a sorte de suprimento para o gabinete.
Como, por definição, os vereadores moram nas cidades em que trabalham, eles não
recebem auxílio moradia. O valor desses subsídios varia de acordo com cada município,
porque são votados por suas respectivas Câmaras. O gasto, no entanto, deve seguir
as determinações da Constituição: em cidades com até 100.000 habitantes, não pode
ultrapassar 8% dos subsídios dos deputados estaduais; entre 100.001 e 300.000,
7% do que ganham os parlamentares; entre 300.001 e 500.000, 6% e em municípios
com população acima de 500.000, não pode ultrapassar 5%. | | |
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| 7. Quais
as Câmaras Municipais mais caras? A Câmara Municipal carioca é a
mais cara. Na cidade do Rio de Janeiro, cada vereador custa 5.968.243,86 de reais
por ano aos cofres públicos. Já cada vereador paulistano custa 5,647 milhões de
reais ao ano. Em Belo Horizonte, o custo anual de cada vereador é 2,756,359,80
de reais. Os vereadores de Porto Velho são os mais "econômicos": cada um sai por
829.059,88 reais ao ano. | | | | •
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| 8. Quantos
votos são necessários para se eleger? Essa quantidade varia de acordo
com o chamado quociente eleitoral de cada município. Esse número é obtido dividindo-se
o número de votos válidos (excluídos os brancos e nulos), sejam eles nominais
ou na legenda, pelo de lugares a serem preenchidos na Câmara Municipal. Por exemplo,
em uma cidade há nove vagas para vereador, e concorrem a elas três partidos (A,B
e C) e a coligação D. A legenda A obteve 1.900 votos, a B, 1.350, a C, 550, e
a coligação D, 2.250. Os votos válidos na cidade somam 6.050. Dividindo-se os
votos pelas vagas, obtêm-se um quociente eleitoral de 672. Assim, apenas as legendas
A e B e a coligação D conseguiram votos suficientes para atingir o quociente eleitoral
e terão direito a preencher as vagas disponíveis. | | |
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| 9. Como
é feita a divisão entre as vagas disponíveis e os partidos? Pelo
quociente partidário, número obtido dividindo-se pelo quociente eleitoral o número
de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas. De acordo
com o código eleitoral, "estarão eleitos tantos candidatos registrados por um
partido ou coligação quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem
da votação nominal que cada um tenha recebido". Na cidade exemplificada acima,
o partido A teria seus 1.900 votos divididos por 672, o que lhe renderia duas
vagas na Câmara Municipal – embora a conta resulte em 2,8273809, a lei determina
que seja descartada a fração. Ocupariam tais vagas os dois candidatos que tenham
obtido as duas maiores votações nominais. | | |
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| 10.
Como são definidos os suplentes? São definidos ainda com base nas
divisões acima. Os lugares conquistados em cada partido serão daqueles candidatos
que alcançarem o maior número de votos. Já os demais, que não obtiveram um lugar
na Câmara, serão proclamados suplentes. A classificação na lista de suplentes
– ou seja, a designação de quem tem "prioridade" para assumir o posto de vereador
caso haja necessidade – tem por base a quantidade de votos nominais que tenham
recebido. Os suplentes são convocados na hipótese do vereador titular não tomar
posse do mandato dentro do prazo legal, ou ter declarada a perda de seu mandato,
ou ainda caso o titular se licencie. | | | | •
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| 11.
Vereador tem imunidade parlamentar? Não. Vereador tem inviolabilidade.
Essa inviolabilidade, como determina o art. 29, VIII da Constituição Federal,
o protege por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição
do seu município. | | | | •
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| 12.
Quantos candidatos disputam as eleições para vereador? De acordo
com o Tribunal Superior Eleitoral, há 345.909 candidatos a vereador nas Eleições
2008. | | | | •
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| 13.
O que é exigido para se candidatar a vereador? Ser alfabetizado;
ter nacionalidade brasileira; gozar o pleno exercício dos direitos políticos;
estar listado eleitoralmente; ter domicílio eleitoral na circunscrição há pelo
menos um ano; ser filiado há mais de um ano a um partido político e ter no mínimo
18 anos (no dia da eleição). | | | | •
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