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Maio de 2007
Valorização do real frente ao dólar



A valorização do real frente à moeda americana teve seu marco em maio de 2007, quando a cotação do dólar atingiu R$ 1,99, seu menor valor desde 2001. A escalada da moeda brasileira no mercado de câmbio prosseguiu e reflete a consolidação da estabilidade econômica da última década, com a entrada de investimentos externos no Brasil em volume inédito. A dúvida acerca do fenômeno fica por conta de setores exportadores e industriais, por exemplo, que apontam prejuízos devido ao real forte.


1. Por que o real vem se valorizando frente ao dólar?
2. Já é possível saber em que nível a moeda americana vai se estabilizar?
3. O governo interfere diretamente no câmbio?
4. Os altos juros praticados no Brasil influenciam de alguma forma o câmbio?
5. O real forte ajuda a controlar a inflação?
6. O consumidor brasileiro vai sentir no bolso os efeitos da queda do dólar?
7. Por que o setor exportador reclama tanto do real forte?
8. O dólar barato pode causar "desindustrialização" no Brasil?
9. O governo vai tomar alguma medida para ajudar setores afetados pela alta do real?
10. Em 1999, o real sofreu uma grande desvalorização, tempos depois de haver chegado a valer mais do que o dólar. Isso pode ocorrer novamente?

1. Por que o real vem se valorizando frente ao dólar?

A razão principal é a consolidação da estabilidade econômica da última década. Isso permitiu ao país atrair um volume inédito de dólares em investimentos de longo prazo, aumentando a oferta da moeda americana e, consequentemente, derrubando sua cotação. Recentemente, agências internacionais de avaliação de risco, como a Standard & Poor's, elevaram substancialmente suas percepções acerca da solidez da economia nacional, o que coloca o país na ante-sala de grandes fundos de investimentos europeus e americanos que ainda titubeiam na hora de colocar dinheiro no Brasil. É uma situação inédita. O próximo passo, portanto, é receber do exterior ainda mais dólares para investimentos. Além disso, em quase todo o mundo, o dólar tem perdido valor, resultado de um ajuste gradual do déficit comercial dos Estados Unidos.

 
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2. Já é possível saber em que nível a moeda americana vai se estabilizar?

É difícil prever. Tudo vai depender dos movimentos do mercado, já que o Brasil adota o regime de câmbio flutuante, ou seja, o Banco Central não determina a taxa de conversão de dólares para real e vice-versa. Alguns analistas mais ousados, porém, chegaram a arriscar que a moeda americana poderia encontrar novo ponto de equilíbrio entre 1,90 e 2,00 reais.

 
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3. O governo interfere diretamente no câmbio?

Não. O Brasil adota o regime de câmbio flutuante, em que o valor de conversão da moeda americana é determinada pela lei da oferta e procura: quando há muito interesse, sua cotação sobe; quando o interesse diminui, seu valor cai. A exceção à regra são intervenções pontuais do Banco Central, que vai ao mercado comprar ou vender dólares quando avalia que há "distorções" na composição do preço da moeda americana. Em 2006, por exemplo, o BC comprou 34,3 bilhões de dólares no mercado. Esse montante faz parte das reservas internacionais brasileiras, usadas para honrar os compromissos externos do país.

 
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4. Os altos juros praticados no Brasil influenciam de alguma forma o câmbio?

Analistas acreditam que sim. Juros altos estimulam investidores a comprar títulos da dívida do governo - um empréstimo ao setor público, na prática. Em troca, são remunerados pela taxa básica de juros (Selic), determinada pelo Banco Central. Dessa forma, esses investidores deixam de fazer apostas na indústria, agricultura, tecnologia, educação, imóveis, entretenimento - e também no dólar, reduzindo ainda mais seu valor. Porém, com a contínua queda dos juros, a tendência entre os investidores é buscar aplicações de maior rentabilidade, como a indústria, agricultura etc. Isso explica, por exemplo, a disparada na Bovespa, cujo principal índice vem apresentando sucessivos recordes.

 
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5. O real forte ajuda a controlar a inflação?

Sim, uma vez que fica mais barato comprar produtos importados. Com essa concorrência, os itens similares nacionais não podem ter seus valores reajustados pelos fabricantes e comerciantes brasileiros, sob pena de encalhar na prateleira.

 
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6. O consumidor brasileiro vai sentir no bolso os efeitos da queda do dólar?

A variação cambial vem provocando reflexos no bolso do consumidor nos últimos três anos, desde que o dólar começou a cair. Mas cada uma das pequenas variações só costuma ser percebida cerca de três meses depois. Isso porque o preço final dos importados é, em geral, definido no fechamento do pedido e os produtos só são remarcados quando as novas remessas chegam às gôndolas dos supermercados e às lojas. Os brasileiros passam a ter também maior poder de compra no exterior, o que deve favorecer viagens e gastos em outros países.

 
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7. Por que o setor exportador reclama tanto do real forte?

Cada vez que o real fica mais forte ante o dólar, os produtos brasileiros ficam mais caros no exterior. Isso faz com que as empresas brasileiras se tornem menos competitivas lá fora e, em tese, percam espaço no disputado mercado mundial. Por isso, os exportadores pedem um real mais fraco. Os dados, porém, contradizem essa tese. O destino preferencial dos produtos brasileiros é a União Européia; ou seja, as transações são feitas em euro - moeda que vem mantendo praticamente estável seu valor diante do real. Além disso, no passado, os exportadores alegavam que se o dólar caísse abaixo dos 3 reais, viria uma catástrofe. Isso não ocorreu.

 
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8. O dólar barato pode causar "desindustrialização" no Brasil?

Esta é outra questão polêmica e que divide analistas. Com o dólar barato, empresas instaladas no Brasil passam a sofrer uma concorrência mais intensa dos importados. Setores menos competitivos poderiam, assim, sair seriamente arranhados. Por outro lado, especialistas afirmam que o processo pode levar os empreendedores brasileiros a protagonizar novo salto de qualidade, promovendo ganhos de produtividade para encarar de igual para igual os concorrentes estrangeiros.

 
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9. O governo vai tomar alguma medida para ajudar setores afetados pela alta do real?

Sim. Já foram anunciadas linhas de créditos a juros mais amigáveis para ao menos cinco setores: vestuário, calçados, indústria naval, automobilística e móveis. Além disso, está em análise um pacote de desoneração dos setores exportadores. Do lado do mercado doméstico, uma ferramenta possível é elevar as alíquotas de importação, encarecendo os produtos que vêm de fora. A medida já foi adotada no setor têxtil, por exemplo, que enfrenta forte concorrência da China.

 
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10. Em 1999, o real sofreu uma grande desvalorização, tempos depois de haver chegado a valer mais do que o dólar. Isso pode ocorrer novamente?

Os analistas afastam a repetição dessa história, considerada improvável. Isso porque os fundamentos econômicos brasileiros são muito diferentes e superiores atualmente. A inflação está controlada em níveis baixos, a balança de pagamentos (vendas menos compras internacionais) é folgadamente positiva, a dívida pública está em queda e as reservas internacionais do país bateram nível recorde: cerca de 125 bilhões de dólares. Tudo isso afasta o receio de que o Brasil não possa honrar seus compromissos com pessoas e empresas no exterior e também a hipótese de ataques especulativos contra o real.

 
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